Promotores chineses acrescentaram uma nova acusação de lesão corporal dolosa contra o fundador e presidente do Prince Group, Chen Zhi (na imagem em destaque), ampliando os riscos jurídicos enfrentados pelo empresário à medida que as autoridades dão continuidade a um dos casos de cibercrime de maior repercussão na Ásia.
Segundo a revista chinesa de negócios Caixin, Chen foi formalmente preso em 6 de julho, cerca de seis meses após sua extradição do Camboja para a China. A publicação informou que os promotores revisaram a lista de acusações contra ele, retirando uma imputação e acrescentando outras duas.
A denúncia mais recente inclui acusações de lesão corporal dolosa e violação de direitos autorais. Além disso, os promotores continuam investigando Chen por supostas fraudes, operação de atividades ilegais de jogos de azar e exercício ilegal de atividades empresariais.
Um novo desdobramento
A acusação de lesão corporal dolosa é considerada o desenvolvimento mais grave do caso. De acordo com a legislação penal chinesa, casos agravados que resultem em lesões graves ou morte podem acarretar penas que variam de longos períodos de prisão à prisão perpétua ou até mesmo à pena de morte. No entanto, os promotores não divulgaram os detalhes que fundamentam essa acusação, e o caso ainda será analisado pelo Judiciário.
Chen, de 38 anos, nasceu na China e posteriormente adquiriu a cidadania cambojana. Antes de sua extradição, o Camboja revogou sua cidadania por meio de um decreto real, eliminando um obstáculo jurídico para sua transferência às autoridades chinesas.
Ao anunciar a extradição no início deste ano, o Ministério da Segurança Pública da China descreveu Chen como o suposto líder de uma organização criminosa transnacional especializada em fraudes, com atuação em diversas jurisdições. O Prince Group sempre negou as acusações, classificando-as anteriormente como infundadas e sustentando que a empresa não cometeu qualquer irregularidade. Paralelamente ao processo criminal na China, Chen também é alvo de uma investigação independente nos Estados Unidos.
No fim de 2025, promotores federais norte-americanos acusaram Chen de conspiração para cometer fraude eletrônica (wire fraud) e conspiração para lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ajuizou uma ação civil de confisco envolvendo 127.271 Bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 15 bilhões, classificando o caso como a maior ação de confisco de criptomoedas da história do órgão.
Prisão após sanções dos EUA e do Reino Unido
Os Estados Unidos e o Reino Unido aplicaram sanções contra Chen, o Prince Group e dezenas de empresas relacionadas pela primeira vez em outubro de 2025, acusando a rede de operar como uma organização criminosa transnacional.
A pressão continuou em 2026. Em junho deste ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou novas sanções contra outras nove pessoas e 26 entidades supostamente ligadas ao Prince Group. Autoridades norte-americanas afirmaram que a rede administrava complexos voltados à aplicação de golpes, que tinham como alvo vítimas nos Estados Unidos e em diversos outros países.
China amplia combate ao cibercrime
As novas acusações contra Chen surgem em meio à intensificação da ofensiva chinesa contra organizações de cibercrime e operações de fraude em todo o Sudeste Asiático.
No início deste ano, a imprensa estatal chinesa informou que 11 integrantes do grupo criminoso da família Ming foram executados após serem condenados por crimes como fraude, cárcere privado, lesão corporal dolosa, homicídio doloso e operação de cassinos.
A China também anunciou planos para lançar, em setembro, uma aliança internacional de combate às fraudes online, em uma tentativa de ampliar a cooperação e incentivar uma atuação mais efetiva das autoridades da região. Por enquanto, as novas acusações contra Chen permanecem apenas como alegações. O desfecho do caso dependerá do andamento do processo judicial na China, enquanto os promotores devem continuar reunindo provas nos próximos meses.
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