De centenas de rejeições à construção de uma atração de renome mundial, sua jornada reflete o espírito dos Emirados Árabes Unidos, um país onde a ambição encontra oportunidades para transformar o impossível em realidade.
Ahmed Ben Chaibah, também conhecido como “Aquaman”, participou do painel “Tecnologia, Esportes e Investimentos” na AIBC Eurásia na semana passada, ao lado de Dr. Sergio Carrallo, Khalid Louis e Emkwan. Como empreendedor em série e detentor de um recorde no Guinness World Records, ele compartilhou insights sobre a interseção entre tecnologia, esportes e investimentos nos Emirados Árabes Unidos.
Com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, Ben Chaibah iniciou seu negócio a partir de uma observação simples: um pai na praia lamentando a falta de entretenimento para crianças. Dias depois, durante um passeio de barco, o tédio tomou conta do empreendedor disléxico, cuja mente trabalha de forma altamente visual. Naquele momento, ele imaginou um escorregador aquático descendo do convés diretamente para o mar. Hoje, Ben Chaibah está à frente da AquaFun, o maior parque aquático inflável do mundo. Em entrevista exclusiva à SiGMA, ele contou: “A jornada esteve longe de ser fácil.” Durante 12 anos, o projeto foi rejeitado nada menos que 617 vezes. Investidores ficaram insatisfeitos, bancos recusaram seus projetos, disputas legais surgiram. Por duas vezes, a falência esteve à espreita. Mas, em vez de recuar, cada fracasso apenas fortaleceu sua determinação. Aos poucos, o parque cresceu de uma ideia modesta para um empreendimento que redefiniu o entretenimento no Oriente Médio.
“Ouvi tantos ‘não’ que perdi a conta, mas cada rejeição era mais um motivo para insistir ainda mais”, afirmou Ben Chaibah durante a AIBC Eurásia. “Eu sabia que tinha algo especial. Eu só precisava que o mundo enxergasse isso.”
Pensando grande e agindo rápido
Fundada em 2016, a AquaFun ocupa impressionantes 42.400 metros quadrados ao longo da praia de JBR, em Dubai, conquistando um recorde mundial do Guinness pelo seu tamanho. O design do parque forma as frases “I love Dubai” e “I love Expo 2020 Dubai”, visíveis do alto. Essa abordagem inovadora tornou a AquaFun um ponto de visita obrigatória tanto para moradores quanto para turistas.
Para além de sua estrutura física, a AquaFun se tornou um fenômeno nas redes sociais, atraindo influenciadores e celebridades do mundo todo. Conhecido como “Aquaman”, Ben Chaibah conquistou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, onde compartilha conteúdo envolvente com bastidores do parque e sua jornada empreendedora, inspirando uma nova geração de entusiastas dos negócios.

A equipe da SiGMA visitou Ben Chaibah no maior parque aquático de Dubai. “As redes sociais me permitiram contar minha história diretamente para as pessoas”, explicou. “Não se trata apenas de divulgar o parque, mas de mostrar o que é possível quando você se recusa a desistir.”
Os Emirados Árabes Unidos operam de maneira diferente das potências econômicas tradicionais. Enquanto muitas nações enfrentam processos burocráticos lentos, Dubai é gerida como uma corporação: eficiente, ambiciosa e orientada para resultados. A filosofia é simples: encontrar os melhores talentos, capacitá-los e executar rapidamente. Quando uma decisão beneficia pessoas e negócios, ela é implementada sem demora.
A ausência de grandes reservas de petróleo forçou Dubai a inovar. Com o setor petrolífero representando apenas 1% a 2% do PIB, o turismo e o comércio se tornaram a base da economia. Sem recursos naturais, a cidade se posicionou como um destino global. Assim, a estratégia passou a ser pensar maior e melhor do que qualquer outro. No mundo dos negócios, ser o segundo ou terceiro melhor raramente importa. As pessoas se lembram do campeão, não do vice. O mesmo se aplica ao entretenimento: se Dubai teria um parque aquático, ele seria o maior.
“Dubai me ensinou que a escala é fundamental. Se você vai fazer algo, faça de um jeito que ninguém possa ignorar”, afirmou Ben Chaibah. “Essa é a essência desta cidade.”
O próximo passo dos Emirados Árabes Unidos no entretenimento
Com mais de 200 nacionalidades convivendo em harmonia, os Emirados Árabes Unidos prosperam com base na tolerância e no respeito. Uma mesquita, uma igreja e um clube podem coexistir na mesma rua, exemplificando um modelo de convivência que muitas partes do mundo ainda tentam atingir. Cada emirado desempenha um papel único: Dubai é o centro do turismo e dos negócios, sendo frequentemente chamada de “Las Vegas halal”; Abu Dhabi, a capital, é o centro político e cultural; e Sharjah, voltada para famílias e educação, prioriza a academia e as artes. Juntos, eles formam um motor econômico coeso, competindo e colaborando para impulsionar o sucesso nacional.
O espírito competitivo dos Emirados vai além do turismo e do comércio. Anualmente, entidades governamentais passam por rigorosas avaliações de desempenho, com rankings públicos que determinam vencedores e perdedores. Quem não atinge os padrões enfrenta escrutínio público, um poderoso incentivo para a melhoria contínua. Neste país, onde a eficiência é primordial, a complacência não é uma opção.
Os Emirados não apenas acompanham os avanços tecnológicos; eles os lideram. Com um Ministro da Inteligência Artificial, um dos mais jovens do mundo, o país abraça uma visão voltada para o futuro. Os formuladores de políticas antecipam tendências globais com 10 a 15 anos de antecedência, garantindo que a regulamentação evolua tão rápido quanto a inovação.
Atrair talentos globais é um pilar dessa estratégia. A concessão de Vistos Dourados para 100.000 engenheiros de software e especialistas em IA demonstra o compromisso dos Emirados com a liderança tecnológica global. Com a isenção de imposto de renda, alta qualidade de vida e infraestrutura de ponta, o país se posiciona como um imã para as mentes mais brilhantes da indústria.
“Este país recompensa a ambição”, diz Ben Chaibah. “Se você tem determinação, encontrará apoio para transformar suas ideias em realidade.”
Com a chegada do Wynn Casino em Ras Al Khaimah, os Emirados Árabes Unidos dão mais um passo ousado. Os cassinos são apenas uma peça do quebra-cabeça, mas o impacto econômico se estende muito além. Hotéis, logística, transporte de luxo, cadeias de suprimentos e diversos outros setores serão impulsionados. Um único megaresort não apenas gera receita – ele transforma mercados inteiros.
Essa mudança marca mais uma evolução no país. Dos desertos às torres mais altas do mundo, dos souks tradicionais às cidades inteligentes impulsionadas pela tecnologia, os Emirados construíram sua trajetória na arte da reinvenção.
Ahmed Ben Chaibah, conhecido como “Aquaman”, conversou com exclusividade com a SiGMA durante a SiGMA Eurásia em Dubai, compartilhando sua visão sobre empreendedorismo, entretenimento e inovação. Ele também participou do painel “Tecnologia, Esportes e Investimentos: A Visão dos Empreendedores dos Emirados”, debatendo o cenário de negócios do país. Fique de olho para mais entrevistas exclusivas e insights com ele na SiGMA World.
