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Raspadinhas prosperam na França: €10,7 bilhões apostados em 2024

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela autoridade reguladora de jogos da França (ANJ), mais de 20 milhões de pessoas participaram de jogos de raspadinha em 2024, movimentando um total de €10,7 bilhões em apostas.

“É um momento de alegria, mesmo ganhando só €2”, contou uma jogadora durante um grupo focal realizado como parte de um estudo nacional conduzido pela Universidade Concordia. “É como comprar uma baguete ou um café — nem entra no orçamento.”

As raspadinhas agora rivalizam com os sorteios da loteria como o produto de apostas mais popular do país, em grande parte graças à sua acessibilidade. Cerca de 30 tipos de raspadinha estão disponíveis em pontos de venda físicos, enquanto quase 100 versões podem ser jogadas online. Essa oferta omnichannel transformou o jogo em uma forma moderna de entretenimento.

“Jogo quando sinto que estou com sorte”

Para muitos, a raspadinha está ligada ao humor, à rotina e até à superstição. “Se tive um bom dia, pego uma no caminho de casa”, disse uma mulher na casa dos 30 anos. “Não é pela grana. É pela diversão.”

Outros relataram que o jogo já virou parte do cotidiano. “Você entra na tabacaria, tem umas moedas no bolso — pega um bilhete”, explicou um homem. “Às vezes ganha, às vezes não. Faz parte.”

Os participantes também elogiaram a variedade e a criatividade dos designs. “Sempre tem algo novo para experimentar”, comentou uma das pessoas ouvidas.

Essa sensação de novidade faz diferença. “Sempre que sai um jogo novo, eu testo”, contou outro. “Vai que os novos dão mais sorte.”

“Gosto porque é simples”

A simplicidade das raspadinhas também é um dos grandes atrativos. “Não tem regra difícil”, comentou um dos participantes. “Você só raspa e vê no que dá.”

Entre os que jogam online, o apelo é um pouco diferente — jogos mais rápidos, interativos e voltados para o público digital. “Gosto dos que têm animação, som… parece até videogame”, disse um jogador mais jovem.

Outros destacaram a praticidade do celular. “Você não precisa sair de casa. Dá pra jogar à noite, na cama, pelo celular”, disse um homem. “É rápido e fácil.”

O mercado francês reflete essa transição. Embora 90% das raspadinhas ainda sejam compradas em pontos físicos, o número de jogadores online cresce — especialmente entre o público mais jovem e os que preferem o digital, revelou o estudo.

“Às vezes ganho, às vezes só recupero o valor”

Parte do apelo das raspadinhas está na percepção de risco baixo e nos ganhos pequenos e frequentes.

“Ninguém espera ficar rico”, disse um jogador. “Mas ganhar €5 ou €10 já dá aquela alegria.”

“Geralmente ganho o suficiente pra comprar outra”, disse outro. “E a diversão continua.”

Vários participantes também mencionaram a sensação de expectativa como um dos pontos mais emocionantes. “É como uma mini montanha-russa”, disse um. “Você raspa devagar, torcendo pra aparecer um número bom.”

“Você pode perder a noção de quanto já gastou”

Apesar do entusiasmo, muitos jogadores reconhecem os riscos, principalmente no controle dos gastos.

“Quando é €1 ou €2, nem parece dinheiro de verdade”, disse uma mulher. “Mas quando você compra dez de uma vez, pesa.”

Outros mencionaram como a frustração aumenta com bilhetes de maior valor. “Um bilhete de €10 não é qualquer coisa”, comentou um jogador. “Se perder, dói.”

Alguns admitiram já terem tentado recuperar perdas. “Você pensa ‘só mais um’”, contou um jogador online. “Quando vê, já foram €50.”

Um fenômeno digital crescente — mas com alerta

“O estudo confirma que as raspadinhas são uma atividade popular e divertida”, afirmou a ANJ em comunicado. “Mas não estão isentas de risco, especialmente quando jogadas em múltiplas plataformas.”

Entre os 5.019 jogadores ativos entrevistados, a maioria não apresentava risco elevado. No entanto, a proporção de jogadores classificados como de risco moderado ou alto foi significativamente maior entre os que jogam tanto online quanto em lojas físicas — ou principalmente online.

“Você nem vê o dinheiro saindo”, disse um jogador digital. “Não tem cédula, não tem bilhete. Só cliques.”

O estudo também apontou que jogadores com perfil de risco mais alto são mais suscetíveis a responder a anúncios e promoções, especialmente quando os jogos têm animações chamativas ou mecânicas inspiradas em videogames ou caça-níqueis.

A ANJ está atenta

Apesar dos riscos, a maioria dos participantes ainda enxerga a raspadinha como um prazer inofensivo — desde que usada com responsabilidade.

“Pra mim, é como comprar um docinho”, disse uma mulher. “Mas se começo a sentir que preciso ganhar, eu paro.”

“É um agrado… não faço disso um hábito”, disse outro. “Quando perco, não ligo muito. Já esperava.”

A ANJ enfatiza a importância de garantir que os jogadores tenham ferramentas e informações para jogar com segurança.

“Com uma base de usuários tão ampla e constante, é fundamental monitorar e compreender o apelo e o uso desses jogos”, destacou o órgão regulador.

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