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A vida após a proibição dos bônus: como as casas de apostas no Brasil estão reinventando 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

Desde que o Brasil começou a implementar a regulamentação do mercado de apostas esportivas e iGaming, uma das mudanças mais impactantes para operadores e jogadores foi a proibição de bônus de boas-vindas e incentivos promocionais tradicionais, uma prática comum em mercados globais que agora está abolida no Brasil desde a chegada do marco regulatório, com efeitos práticos já observados desde o início de 2025. Essa transformação obrigou empresas a repensarem suas estratégias de aquisição e retenção de jogadores a partir de 1º de janeiro, data oficial que marcou a consolidação do novo ambiente legal no país. 

O que mudou com o “bonus ban” no Brasil? 

Historicamente, bônus chamativos, como créditos de boas-vindas, rodadas grátis e promoções de depósito, foram pilares das campanhas de marketing de casas de apostas em todo o mundo. Eles funcionam como poderosos atrativos para novos usuários e ajudam a manter o engajamento dos jogadores já registrados. Porém, no Brasil, a Lei nº 14.790/2023, combinada com regulamentações posteriores da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), proibiu explicitamente qualquer oferta que conceda “adiantamento, antecipação, bonificação ou vantagem prévia… mesmo que a mero título de promoção ou propaganda, para a realização de apostas”. 

Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) determinou que operadores parem imediatamente de oferecer e anunciar quaisquer bônus ou vantagens, reforçando que jogar de forma responsável deve ser prioridade e evitando que consumidores sejam incentivados a apostar de maneira impulsiva ou desordenada. Essas medidas, combinadas com a exigência de licenciamento e fortes sanções para quem não cumprir (como multas diárias e até proibição de operar), transformaram profundamente o cenário competitivo no Brasil. 

Sem bônus de boas-vindas e promoções financeiras fáceis, o Brasil inicia uma abordagem bastante diferente de mercados como Reino Unido, Canadá ou países europeus, onde ainda existem formas de bônus sob regras rígidas de responsabilidade e transparência. Para muitos operadores que dependiam dessa tática para atrair usuários (um método eficiente, porém caro) isso representa um verdadeiro desafio. 

Operadoras agora não podem mais simplesmente dizer “deposite R$100 e ganhe R$200 em créditos de aposta”. Isso elimina a vantagem tradicional de aquisição baseada em valor nominal e força o setor a procurar caminhos alternativos para atrair e manter jogadores ativos e engajados. 

Reimaginar retenção: novos caminhos estratégicos 

Diante desse cenário, operadores licenciados no Brasil estão redesenhando suas estratégias de marketing e experiência do cliente focando menos em incentivos monetários e mais em valor agregado, engajamento contínuo e experiência do usuário. A seguir, algumas das principais estratégias. 

  • Programas de fidelidade inteligentes 

Sem bônus financeiros tradicionais, muitos operadores viram valor em programas de fidelidade personalizados, onde recompensas são oferecidas com base no comportamento real dos jogadores. Em vez de crédito grátis, os usuários podem acumular pontos por participação ativa que se convertem em benefícios como acesso exclusivo a promoções responsáveis, conteúdos, spins extras em jogos de cassino, vantagens em eventos esportivos ou itens que fortalecem a experiência geral. 

Essa estratégia estimula a retenção sustentável, recompensando engajamento ao longo do tempo, e não apenas atraindo usuários com ofertas de entrada. 

  • Apostas com estrutura gamificada 

Jogadores estão cada vez mais procurando experiências que vão além da simples aposta. Elementos de gamificação, como missões, níveis, desafios semanais e recompensas de progressão, permitem que os operadores criem um senso de propósito e emoção contínuos. 

Por exemplo, completar uma sequência de apostas ou atingir objetivos específicos pode desbloquear distintivos ou acesso a eventos exclusivos, transformando a experiência de jogo em algo mais envolvente e social, sem violar a proibição de bônus. 

  • Cashback transparente e recompensas após ação 

Embora bônus antecipados sejam proibidos, muitas jurisdições já permitem (e o Brasil vem adotando) cashback ou recompensa atrelados ao comportamento real do usuário após uma aposta ter sido realizada, desde que cumpram rigorosos requisitos de transparência e consentimento. 

Operadores podem oferecer pequenas porcentagens de retorno sobre perdas, bônus em função de volume de jogo ou regras específicas baseadas em desempenho. Esses mecanismos não incentivam apostas irresponsáveis, porque só recompensam o usuário após já ter participado da atividade. 

  • Comunicação focada em valor e experiência 

Sem a âncora do “bônus” (que muitas vezes ofuscava outros aspectos do serviço), as empresas passaram a investir mais em educação sobre jogo responsável, conteúdo editorial e análises esportivas, melhoria de interfaces e experiência mobile e recursos sociais dentro da plataforma, como integração com comunidades e recursos de compartilhamento. 

Os resultados iniciais e expectativas para o futuro 

Operadores como algumas grandes plataformas que já estão adaptando suas estruturas internas relatam, segundo entrevistas com executivos do setor, que a mudança está, aos poucos, definindo um comportamento mais padrão por parte dos jogadores: menos contas abertas apenas em busca de bônus rápidos e mais usuários que escolhem uma ou duas plataformas como suas preferidas, levando a maior fidelidade de marca. 

A adesão ao mercado regulado no Brasil conseguiu redirecionar grande parte das apostas que antes eram feitas em plataformas não licenciadas, inclusive pela obrigatoriedade do uso de domínios nacionais e rigor nas verificações de identidade do usuário. 

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