Com mais de 30 anos de experiência em infraestrutura tecnológica, Peter Williams oferece uma análise contundente da trajetória do setor de iGaming nas Filipinas, destacando os efeitos das mudanças regulatórias — da fiscalização rigorosa da First Cagayan até as falhas de governança sob a gestão da PAGCOR. Ele aponta a ausência de protocolos eficazes de verificação de identidade como um dos fatores que levaram ao colapso do setor de POGOs e geraram impactos econômicos significativos.
Avaliação do ambiente regulatório nas Filipinas
Segundo Williams, o modelo de compliance da First Cagayan — com verificações rigorosas para licenças de jogos online (IGLs) — servia como referência de boa regulamentação. No entanto, a transição para a supervisão da PAGCOR durante o governo Duterte marcou um retrocesso nos padrões de controle, o que culminou na proibição dos POGOs em 2023. O resultado foi uma perda massiva de empregos e a interrupção de oportunidades de crescimento econômico, evidenciando a importância de planejamento regulatório sólido.
Ele defende o restabelecimento de mecanismos rígidos de verificação de identidade, especialmente no que diz respeito à identificação de beneficiários finais, e ressalta que o talento bilíngue local pode ser um trunfo para recuperar a credibilidade do país no mercado offshore. Para Williams, contar com conhecimento regulatório externo é essencial para destravar o potencial econômico das Filipinas, que, segundo ele, têm uma “extraordinária capacidade de impulsionar o PIB”, atualmente limitada por pressões políticas e falhas de governança. A crise que se estendeu aos setores que davam suporte ao iGaming agravou ainda mais os desafios econômicos, reforçando a urgência por reformas estruturais.
Expansão na Ásia
Na visão de Williams, Vietnã e Tailândia despontam como fortes candidatos a se tornarem os próximos polos de jogos na Ásia. O Vietnã se destaca pelo ambiente favorável ao investidor, enquanto a Tailândia avança nas discussões regulatórias. Ele observa que, embora os Emirados Árabes Unidos tenham padrões sólidos de verificação de identidade, fatores culturais ainda dificultam a adoção mais ampla dos jogos por lá.
A Continent 8 está acompanhando essa mudança de foco geográfico ao expandir sua infraestrutura pela América Latina — com presença em mercados como Brasil, Colômbia e Argentina. A licença da empresa emitida pela Comissão de Jogos de Kahnawake permite que operadoras atuem com mais flexibilidade em mercados em processo de regulamentação, contornando exigências rígidas quanto à localização de servidores, sem deixar de atender às normas de compliance. Williams destaca que essa abordagem é ideal para empresas de olho no lançamento do mercado brasileiro previsto para o verão de 2024, onde a Continent 8 já oferece soluções de nuvem pública e proteção contra ataques DDoS, adaptadas ao cenário regulatório em formação.
A expansão da empresa também inclui um novo escritório em Manila, reforçando o compromisso com o crescimento na Ásia-Pacífico por meio de suporte técnico e regulatório adaptado à realidade local.
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