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Assista: Malta está posicionada para liderar a revolução da IA?

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

À medida que a inteligência artificial (IA) continua a transformar indústrias e redefinir economias globais, Malta se posiciona como um dos países mais promissores nesse cenário. Durante a SiGMA Euro-Med 2025, no espaço AIBC Lounge, o Professor Alexiei Dingli, referência internacional em IA e docente da Universidade de Malta, compartilhou sua visão sobre como o país pode se manter na vanguarda desse campo em rápida evolução. De políticas de integração entre universidade e mercado à disputa global por talentos, Dingli ofereceu uma análise aprofundada sobre como Malta pode transformar sua ambição em IA em resultados concretos.

Unindo academia e indústria

Um dos nossos papéis centrais na universidade é formar o maior número possível de especialistas em IA, explicou Dingli. “A IA pode nos dar uma vantagem competitiva como país.” Para que Malta mantenha esse diferencial, ele defendeu o fim da divisão entre a pesquisa acadêmica e a aplicação prática: “Alguns ainda pensam que a academia está de um lado e a indústria do outro. Não deveria ser assim. Estamos preparando pessoas para ambos. A academia traz profundidade, e isso é essencial para resolver problemas complexos. Mas esse conhecimento precisa ser colocado em prática. Caso contrário, não serve para nada.”

Esse equilíbrio entre teoria e aplicação é, segundo ele, a chave para formar profissionais capazes de gerar inovação dentro das empresas maltesas. “O desafio hoje não é se a IA vai chegar e dominar. É se sua organização vai conseguir aproveitar os benefícios da IA antes do seu concorrente.”

A IA do amanhã

O professor destacou a velocidade das transformações no setor, mencionando desde os modelos generativos até a ascensão da IA agente (agentic AI) como prova de que o ritmo da mudança está acelerando. “Nos últimos três anos vimos muitas mudanças. A IA generativa é só um pequeno ramo. Agora temos a IA agente, que está em evidência no momento. O impacto será enorme.”

As aplicações já são realidade: modelos de IA conseguem se comunicar fluentemente em praticamente qualquer idioma, responder a dúvidas de clientes e se integrar a infraestruturas de negócios, economizando tempo e recursos, além de reduzir a dependência de profissionais escassos. “Será uma combinação: IA e pessoas. Não se trata de substituir humanos, mas de somar forças.”

E, embora já existam capacidades de IA que superam habilidades humanas em tarefas específicas, Dingli tranquiliza: a chamada IA senciente, com desejos e objetivos próprios, ainda está distante. “Estamos muito, muito longe disso”, afirmou.

O desafio do talento

Para Malta, a maior barreira não é tecnológica, mas humana. “Não estamos formando estudantes em quantidade suficiente para atender à demanda do mercado. Nossos alunos começam a trabalhar praticamente já no primeiro ano e, mesmo assim, ainda não é o bastante.”

Para enfrentar essa lacuna, ele apoia políticas como vistos especiais para atrair profissionais de IA estrangeiros. “Hoje o mercado é extremamente competitivo. Com esse tipo de visto, podemos garantir a mobilidade de especialistas e manter Malta em vantagem.” Mas, segundo o professor, não basta atrair talentos com permissões de trabalho. É preciso tornar o país um destino irresistível: “Esses profissionais podem escolher onde querem viver. Temos que garantir que escolham viver aqui.”

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As ambições de Malta no campo da IA são claras, mas a corrida está apenas começando. Como enfatiza o Professor Dingli, o sucesso dependerá da rapidez com que as organizações adotarem a tecnologia e da capacidade de universidade, empresas e governo trabalharem juntos para desenvolver talentos.

O próximo passo será na SiGMA Europa Central 2025, em Roma, de 3 a 6 de novembro, onde inovadores globais, especialistas em IA e líderes do setor vão debater as tecnologias que estão moldando o futuro.