Na SiGMA Euro-Med 2025, grande parte das discussões girou em torno de como a Inteligência Artificial (IA) pode aprimorar a experiência dos jogadores, aumentar a segurança e otimizar operações no setor de iGaming. No palco da AIBC, em 2 de setembro, o painel “Casos de Uso: Aplicações de IA no iGaming” reuniu líderes de inovação tecnológica sob a mediação do Dr. Gege Gatt, CEO da EBO. Entre os participantes estavam Mark Flores Martin, CEO da XGENIA; Staffan Engstrom, cofundador e CEO da Fieldstream.AI; e Karl Schranz, CEO do E&S Group. O grupo discutiu aplicações práticas de IA e soluções baseadas em neurociência para criar ambientes de jogo mais seguros, aumentar a eficiência e abrir novas oportunidades para operadores e jogadores.
O que mais empolga os líderes da indústria em relação à IA?
Cada palestrante destacou um aspecto diferente do potencial transformador da tecnologia.
Para Mark Flores Martin, a IA já é parte do cotidiano: “Acredito que a IA é o ponto de partida hoje. Uso para automatizar praticamente todas as áreas da minha vida. No recrutamento, por exemplo, existem inúmeras ferramentas acessíveis a qualquer pessoa. Para mim, a IA já é um fundamento da sociedade atual.”
Karl Schranz apontou a hiperpersonalização como um divisor de águas: “Assim que o jogador começa a usar a plataforma, já é possível criar páginas personalizadas e skins únicas para cada perfil.”
Já Staffan Engstrom destacou a transformação estrutural: “A IA vai redefinir modelos de negócio. No iGaming, será um grande diferencial nos próximos anos. A mudança está acontecendo muito rápido.”
IA: diferencial ou requisito básico?
O painel debateu se a IA hoje é apenas uma expectativa básica ou ainda um verdadeiro diferencial competitivo. O moderador Gege Gatt resumiu: “Existem dois tipos de empresas: as que trabalham com IA e as que ficam para trás.”A maioria do público votou que a IA ainda é um diferencial.
Martin alertou para a dificuldade de adoção: “95% das empresas falham ao implementar IA. O setor de iGaming verá uma onda de companhias que conseguiram se adaptar e acabarão superando as demais.”
Engstrom reforçou que o momento é agora: “Diferente de outros segmentos, o iGaming está só começando sua jornada com IA. Quem não agir agora ficará para trás.”
Onde a IA já mostra retorno sobre investimento
Quando se trata de retornos concretos, os palestrantes destacaram várias áreas em que a inteligência artificial já demonstra seu valor. Martin defendeu que a automação vem em primeiro lugar: “Será na automação das empresas, analisando processos internos e identificando o que pode ser feito para focar em maior produtividade. Primeiro é preciso automatizar sua empresa, depois construir a partir daí.”
Schranz apontou ganhos rápidos nas operações: “No back office, simplesmente porque é mensurável. O verdadeiro retorno sobre o investimento estará na aquisição de jogadores.”
Engstrom enfatizou a importância dos dados de clientes: “No espaço de CRM, onde já se dispõe de uma grande quantidade de dados de clientes para trabalhar. Os dados já estão disponíveis, por isso esse é o ponto de partida mais acessível.”
Hiperpersonalização e engajamento dos jogadores
Um dos pontos mais repetidos foi a capacidade da IA de criar experiências personalizadas em tempo real. Martin comparou o fenômeno ao crescimento de aplicativos de consumo: “Ninguém imaginava que um app como o TikTok teria tal alcance. No iGaming, a hiperpersonalização será sobre prender a atenção dos jogadores e adaptar conteúdos de forma dinâmica.”
Engstrom defendeu análises mais profundas: “É preciso fazer análises de cohortes, estudar padrões de comportamento e cruzar dados em profundidade. Quem fizer isso estará quilômetros à frente da concorrência.”
IA e jogo responsável
O painel também explorou o papel da IA na promoção do jogo responsável. Martin destacou o uso de chatbots para apoiar jogadores: “A paciência de uma IA é infinita, e isso pode ajudar muito — desde que haja supervisão humana.”
Schranz ressaltou a importância da explicabilidade: “Ferramentas como o ChatGPT podem detectar problemas, mas não explicam o motivo. Já a IA simbólica consegue indicar porque levantou o alerta. Sempre haverá um momento em que a intervenção humana será necessária.”
Engstrom descreveu como a neurociência está sendo aplicada: “Medimos as ondas cerebrais para analisar o aspecto da dependência, portanto estávamos observando a neurologia — uma área realmente empolgante que vem se desenvolvendo no jogo responsável.”
Olhando 18 meses à frente
O painel foi encerrado com previsões para um futuro próximo. Martin previu uma rápida adoção: “Uma das principais coisas que vamos perceber é que tanto humanos quanto a IA cometem erros, mas a IA cometerá muito menos. Tudo o que estamos construindo agora poderá ser replicado muito rapidamente.”
Engstrom fez uma previsão ousada: “Acho que 80% dos afiliados deixarão de existir. E os outros 20% serão extremamente ricos!” Schranz antecipou que a IA se tornará padrão para os operadores: “Em 18 meses, a maioria dos grandes operadores terá seu próprio sistema privado de IA.”
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