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CRM orientado por dados impulsiona crescimento do iGaming na África

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

​O CRM orientado por dados está transformando o engajamento de jogadores na indústria de iGaming da África, um mercado que segue em rápida expansão. Em entrevista exclusiva à SiGMA News, durante evento realizado na Cape Town, na South Africa, Henry Ross, executivo de contas da Optimove, explicou por que investir apenas em aquisição de usuários já não é suficiente para garantir fidelização de longo prazo.

O poder do CRM orientado por dados

Ross destacou que operadores em mercados emergentes frequentemente investem pesado em aquisição de clientes, mas acabam negligenciando a construção de uma base sólida de CRM. “A importância de ser orientado por dados”, afirmou, “é definir claramente como o sucesso é medido dentro do negócio e tratar os jogadores com comunicações relevantes e personalizadas, capazes de conquistar sua lealdade ao longo da vida.”

Segundo ele, ao reagir em tempo real e construir uma estrutura consistente de dados, as operadoras conseguem fortalecer o valor de longo prazo dos usuários, em vez de depender exclusivamente dos funis de aquisição.

No iGaming, a gestão do ciclo de vida do jogador envolve todas as etapas da jornada — aquisição, ativação, engajamento, retenção e reativação. Cada fase tem como objetivo maximizar o LTV (Lifetime Value), com a inteligência artificial assumindo um papel cada vez mais relevante na personalização e otimização dessa experiência.

IA e personalização em escala

O mercado de iGaming na África deve atingir US$ 2,36 bilhões até 2028, registrando crescimento anual composto de 6,28%. Entre os principais fatores que impulsionam essa expansão estão a adoção mobile-first, a integração com soluções fintech e o perfil jovem da população. Países como Nigéria, Quênia e África do Sul lideram esse movimento. A Nigéria, em especial, vem apresentando crescimento exponencial, segundo diversos veículos especializados.

No entanto, personalizar experiências em larga escala ainda representa tanto um desafio quanto uma oportunidade em mercados predominantemente mobile-first. Ross ressaltou que a IA pode automatizar a criação de conteúdo, adaptar ofertas locais e otimizar campanhas sem gerar gastos excessivos com segmentos de baixo valor. Mas ele faz um alerta: “Todo o resto é apenas buzzword e pode não entregar o que promete.”

As projeções para 2026 indicam que mais de 95% dos 349 milhões de gamers africanos jogarão exclusivamente via smartphone. Além disso, aparelhos Android já podem ser encontrados por menos de US$ 200, consolidando o mobile como principal porta de entrada para o gaming no continente. Segundo relatórios do setor, a média de idade do público é de apenas 19 anos, formando uma audiência altamente digitalizada e naturalmente inclinada ao entretenimento mobile.

O futebol, em especial, segue como um dos maiores motores de engajamento nas plataformas, impulsionando apostas em tempo real durante as partidas. Paralelamente, serviços financeiros como M-Pesa, OPay, PalmPay e Airtel Moneytambém vêm fortalecendo processos de verificação KYC, compliance regulatório e mecanismos antifraude.

Navegando pela regulamentação e construindo resiliência

Mudanças regulatórias e desafios tributários continuam entre os principais obstáculos enfrentados pelos operadores. Ross citou o mercado dos Países Baixos como exemplo, destacando que a Optimove ajudou marcas a se adaptarem a mudanças significativas utilizando campanhas personalizadas e orientadas por dados, em vez de depender exclusivamente de bônus promocionais.

“O CRM oferece flexibilidade na estratégia e uma visão muito mais clara sobre benchmarks, o que está funcionando e o que não está”, explicou.

Muito além do hype: IA com propósito

Apesar da popularização das ferramentas de IA generativa, Ross enfatizou que o verdadeiro diferencial competitivo está na profundidade dos insights e em estratégias proativas voltadas para geração de valor ao jogador. Segundo ele, o grande diferencial da Optimove está em permitir que operadores organizem campanhas de forma estruturada, sem criar “uma sopa de espaguete de jornadas desconectadas de jogadores”.

A inteligência artificial, acrescentou, deve ser utilizada para entregar a mensagem certa, no canal certo e no momento certo. Com o contínuo crescimento do mercado africano de iGaming, Ross acredita que os operadores vencedores serão aqueles capazes de construir resiliência por meio de CRM orientado por dados, adoção inteligente de IA e adaptação a um cenário regulatório diverso e em constante evolução.

“As barreiras competitivas que os operadores conseguem construir vêm de insights estruturais e fundamentais — não apenas de ferramentas superficiais de IA”, concluiu.

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