Em um cenário saturado de mensagens comerciais, a UNAD faz um apelo para que a publicidade de jogos de azar seja silenciada, alertando para um “dano invisível” que cresce nas sombras e ameaça especialmente os jovens.
UNAD e seu papel na prevenção de comportamentos aditivos
A Rede de Atenção às Adições (UNAD) voltou a defender uma medida que considera urgente para o setor de jogos: a eliminação total de qualquer forma de publicidade relacionada a apostas e jogos. Segundo a entidade, a promoção desse tipo de conteúdo contraria as diretrizes das políticas de saúde pública, pois estimula comportamentos potencialmente viciantes com consequências sociais e econômicas — sobretudo entre o público jovem.
A UNAD é uma rede de ONGs dedicada ao tratamento e à prevenção de vícios, tanto relacionados a substâncias quanto comportamentais, buscando reduzir seus impactos e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.
A luta contra a publicidade de jogos: UNAD volta a exigir uma proibição total
Reunindo cerca de 200 organizações, a UNAD atua com um modelo centrado na pessoa e em uma abordagem holística, oferecendo serviços de qualidade e defendendo direitos. Presente em todo o território espanhol, a rede é referência no combate às adições comportamentais, como o jogo compulsivo e o uso problemático de jogos eletrônicos — áreas nas quais a falta de sintomas visíveis torna a detecção precoce um grande desafio.
De acordo com dados recentes da própria rede, mais de mil pessoas já receberam apoio para lidar com esse tipo de dependência, com análises que destacam diferenças significativas por gênero e faixa etária.
O perfil das pessoas afetadas e o papel da publicidade
O relatório da UNAD evidencia contrastes marcantes entre homens e mulheres afetados por vícios relacionados a jogos. Entre as mulheres, a maioria tem nacionalidade espanhola, mais de 49 anos, trabalha e possui responsabilidades familiares — e tende a desenvolver dependência de caça-níqueis, bingos presenciais e jogos online. Já entre os homens, o perfil predominante é de espanhóis entre 34 e 41 anos, empregados, mas sem responsabilidades familiares. Para eles, as máquinas caça-níqueis lideram os casos presenciais, enquanto as apostas esportivas são o comportamento mais frequente no ambiente digital.
A UNAD destaca que qualquer estratégia eficaz deve contemplar medidas voltadas tanto aos jogos físicos quanto aos digitais, de modo a conter o impacto dessas formas de entretenimento sobre a saúde pública.
Legislação e limites da publicidade de jogos
Embora a regulamentação atual represente um avanço, a UNAD considera os mecanismos existentes insuficientes. A organização cita a Resolução Preliminar da Direção-Geral de Regulação de Jogos (DGOJ), que estabelece requisitos técnicos para informar sobre os riscos do jogo patológico conforme o Real Decreto 958/2020. Ainda assim, a rede pede medidas mais rígidas que garantam a proibição completa da publicidade relacionada a jogos de azar.
A proposta busca também proteger crianças, adolescentes e grupos vulneráveis — públicos que, segundo a UNAD, estão mais expostos e suscetíveis ao desenvolvimento de comportamentos aditivos. Essa posição está alinhada ao apoio da rede a uma emenda legislativa que endurece as restrições à publicidade e às ações promocionais do setor, atualmente em discussão no âmbito da Lei SAC.
Prevenção e responsabilidade corporativa no setor de jogos
A UNAD reforça que a resposta ao problema deve ir além das proibições legais, incluindo ações integradas de prevenção, conscientização e incentivo a formas saudáveis de lazer. O presidente da entidade, Luciano Poyato, alerta que qualquer pessoa pode ser vulnerável a essas práticas e que a prevenção precisa começar com os jovens e grupos em situação de vulnerabilidade.
Para operadores de apostas esportivas e cassinos, esse cenário exige uma revisão profunda dos modelos comerciais. A UNAD defende a urgência de regulamentações que imponham limites aos depósitos em plataformas digitais, buscando reduzir riscos e impactos sociais.
A organização insiste que tanto as empresas quanto os órgãos reguladores devem assumir um compromisso ativo para impedir que campanhas publicitárias e promocionais reforcem comportamentos aditivos — um problema que afeta não apenas a saúde pública, mas também a estabilidade social. Resta a pergunta: qual deve ser o papel das autoridades e dos operadores no equilíbrio entre os interesses econômicos e a proteção da saúde pública? O debate continua em aberto.
Este artigo foi publicado originalmente em espanhol em 31 de outubro de 2025.
Mantenha-se informado sobre as principais notícias do setor de iGaming com o Top 10 de notícias da SiGMA — a maior comunidade global do setor traz análises semanais exclusivas e benefícios para assinantes. Inscreva-se AQUI e acompanhe tudo em primeira mão.



