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Como a iniciativa Gamble Pause Africa está promovendo o jogo responsável no continente

Kateryna Skrypnyk
Escrito por Kateryna Skrypnyk
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Durante a SiGMA Africa 2026, Ladipo Abios Akolade, fundador e CEO da Gamble Pause Initiative Africa (GPIA), apresentou a expansão das atividades da organização — que vão desde programas educativos em escolas até a criação do primeiro centro dedicado à reabilitação de jogadores na Nigéria. Ele também defendeu a necessidade de uma abordagem mais integrada, em nível continental, para a proteção dos jogadores. Para Akolade, o caminho para um ecossistema de jogos sustentável na África passa, acima de tudo, por um fator: colaboração.

Intervenção precoce como base

Para Akolade, o jogo responsável começa muito antes de um problema se desenvolver. A GPIA tornou o trabalho de conscientização em escolas um dos pilares centrais de sua atuação, envolvendo alunos, professores e pais antes que hábitos prejudiciais se consolidem.

“O jogo começa cedo. Muitas pessoas têm contato ainda menores de idade. O problema surge justamente quando isso acontece nesse estágio”, explica. “O que fazemos é ir até as escolas para promover conscientização. Além disso, realizamos atividades como debates. Se conseguimos combater o vício desde esse nível, estamos construindo um ecossistema sustentável.”

A abordagem parte do princípio de que a prevenção é mais eficaz do que o tratamento posterior. Ao inserir a educação sobre jogo responsável no ambiente escolar, a GPIA busca transformar comportamentos antes que se tornem padrões enraizados.

Primeiro centro de reabilitação para jogo na Nigéria

Além da prevenção, Akolade também avançou no combate direto aos danos já existentes. A iniciativa criou o primeiro centro de reabilitação voltado exclusivamente ao jogo na Nigéria, atendendo à crescente demanda por suporte.

“Tínhamos muitos clientes entrando em contato pedindo ajuda. Contamos com psicólogos que fazem atendimentos virtuais, mas havia necessidade de um espaço físico onde pudessem se conectar com conselheiros e profissionais clínicos. Foi isso que nos levou a criar o centro”, afirma. “Esse centro é uma peça fundamental do nosso modelo.”

O espaço preenche uma lacuna importante na região, oferecendo suporte clínico presencial para jogadores problemáticos em um momento em que o crescimento da indústria supera a infraestrutura de assistência.

Aplicativo de jogo responsável adaptado à realidade africana

Akolade também revelou que a GPIA está próxima de lançar um aplicativo mobile dedicado ao jogo responsável, desenvolvido especificamente para o contexto africano, e não apenas adaptado de soluções ocidentais.

“Ferramentas de jogo responsável usadas globalmente também chegam à África. No entanto, os padrões de vício na Europa e em países ocidentais são diferentes dos observados aqui, por fatores econômicos, culturais e sociais”, explica. “Estudamos profundamente essas diferenças e incorporamos essas realidades ao nosso aplicativo.”

A aplicação contará com controles parentais, opções de autoexclusão, períodos de pausa (cool-off) e um diretório de serviços de apoio em todo o continente. Também terá suporte multilíngue, refletindo a diversidade linguística africana. Segundo Akolade, o lançamento deve ocorrer em breve.

Colaboração entre países como estratégia essencial

Um ponto recorrente na fala de Akolade foi a necessidade de organizações de jogo responsável na África atuarem de forma integrada, em vez de isolada. Ele destacou a parceria da GPIA com a GAM Aid, organização sem fins lucrativos da Zâmbia focada em proteção ao jogador, como exemplo de cooperação regional.

“É possível alcançar objetivos quando falamos com uma só voz”, afirma. “A colaboração nos permite criar um padrão comum. A partir disso, conseguimos avançar na direção certa em termos de jogo responsável.”

Essa parceria viabilizou o lançamento da Gamble Pause Zambia, expandindo a atuação da organização para além da Nigéria pela primeira vez. “Quando colaboramos como organizações de jogo responsável na África, em vez de atuar de forma isolada, conseguimos gerar maior impacto. Isso também facilita a colaboração com reguladores e operadores”, acrescenta.

Um modelo para um ecossistema sustentável na África

Ao ser questionado sobre como seria um sistema plenamente funcional de jogo responsável na África, Akolade apresentou a ideia de um padrão mínimo a ser adotado pelos países do continente. Esse modelo inclui cinco pilares: verificação rigorosa de idade, padrões éticos de publicidade, limites de depósito, mecanismos de autoexclusão e pausas, além de serviços de apoio acessíveis.

“Quando implementarmos todos esses elementos, estaremos construindo um ecossistema sustentável. Não queremos um cenário em que a indústria colapse”, afirma. “Queremos o crescimento do setor tanto quanto operadores e reguladores. Para isso, precisamos priorizar os jogadores — eles são a base da indústria.”

Akolade reforça esse ponto com um alerta direto: ignorar o bem-estar dos jogadores pode levar a reações negativas de governos e da sociedade, além de comprometer a confiança no setor. Reguladores em países como Nigéria e Quênia já começaram a endurecer regras diante do aumento dos casos de dependência. Operadoras que incorporarem essas medidas desde cedo — como limites via aplicativo e maior transparência — tendem a conquistar maior fidelidade dos clientes e enfrentar menos obstáculos regulatórios. Na visão dele, incorporar mecanismos de proteção ao jogador desde o início é essencial para garantir o crescimento sustentável da indústria e a viabilidade de longo prazo do mercado.

A maior potência regional da Ásia chega a Manila de 31 de maio a 3 de junho de 2026. Com apoio da PAGCOR e a presença de 16.000 participantes, a SiGMA Asia reúne líderes que estão moldando o futuro do setor. Se a região faz parte da sua estratégia, este é o lugar certo.