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A inteligência artificial pode tornar o setor de jogos realmente responsável?

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Durante a SiGMA Europa Central 2025, o Palco 2 foi palco de uma das discussões mais complexas e atuais do setor: a ética no uso da inteligência artificial para o jogo responsável. No painel “Labirinto Ético: o papel da IA no Jogo Responsável”, mediado por Kris Galloway, Diretora de Produto de iGaming da Sumsub, os especialistas Stephen Aupy (Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Mindway AI) e Niccolò Caramatti (Fundador e CEO da Giochiamo.ai) analisaram como a IA está redefinindo as fronteiras da proteção ao jogador. Da detecção precoce de comportamentos de risco à garantia de práticas de jogo justas, o painel abordou tanto o potencial quanto os riscos de se confiar em sistemas automatizados para proteger os jogadores, mantendo a transparência e a confiança do público.

Inovação e integridade: encontrar o equilíbrio

Abrindo o debate, Niccolò Caramatti destacou a transformação regulatória que o mercado italiano está prestes a viver. “Como italiano, tenho orgulho de dizer que o mercado está prestes a passar por uma grande mudança com o novo modelo de licenciamento. Há muito entusiasmo sobre o que a IA pode fazer, mas estamos apenas começando a ver seu verdadeiro potencial.”

Segundo ele, o progresso leva tempo: “As ações já começaram. Isso não acontece da noite para o dia, mas, ao longo do próximo ano, veremos avanços significativos — e provavelmente a expansão dessas soluções para outros setores também.”

IA como aliada do jogo responsável

Stephen Aupy reforçou o papel transformador da IA na promoção do jogo responsável em escala global. “A inteligência artificial surgiu como um verdadeiro divisor de águas. Ela está modernizando a forma como abordamos a proteção do jogador, e algumas jurisdições já exigem sua integração para identificar e tratar casos de comportamento problemático.”

Aupy destacou o prazo de novembro para que os operadores italianos se adequem aos novos padrões — um marco importante, segundo ele. “É um momento movimentado para o mercado italiano, mas é provável que outras regiões sigam o mesmo caminho. Os reguladores nem sempre acertam de primeira — há um equilíbrio delicado entre monitorar o comportamento do jogador e proteger sua privacidade.”

Regulação ou autorregulação?

Questionado sobre a possibilidade do próprio setor se autorregular, Aupy foi direto: “A autorregulação não funciona muito bem. Precisamos de estruturas claras para garantir que os operadores não ultrapassem limites éticos.”

Caramatti concordou, observando que a regulamentação costuma surgir como resposta a abusos: “As regras existem para definir limites. Operadores e reguladores precisam manter um diálogo constante para garantir entendimento mútuo. Quanto mais contínua for essa conversa, menor será o hiato entre regulação e inovação.”

Aupy elogiou ainda o “ritmo constante” do Brasil na adoção da IA como ferramenta obrigatória, chamando o país de possível referência para outros mercados. “Com o tempo,os reguladores desenvolverão seus próprios frameworks e sistemas”, destacou.

Proteção ao jogador por meio de parcerias

Ambos os palestrantes concordaram que, quando aplicada de forma responsável, a IA pode fortalecer todo o ecossistema de jogos. “Quando o regulador atua para prevenir abusos, ele não está limitando o crescimento — está ajudando o mercado a permanecer saudável. Um sistema sustentável mantém os jogadores por mais tempo,” afirmou Caramatti.

Aupy complementou dizendo que, no cenário atual, a IA deixou de ser opcional: “Quem não utiliza IA está em desvantagem estratégica — seus concorrentes já estão usando. A personalização por meio da inteligência artificial tem se mostrado uma das formas mais eficazes de promover o jogo responsável e construir uma base de jogadores sustentável.”

Caramatti concluiu ressaltando que uma estrutura regulatória clara beneficia todos os envolvidos: “Enquanto os operadores atuarem dentro das expectativas dos reguladores, não há motivo para receio. A IA oferece a chance de aprimorar a experiência do jogador sem ultrapassar limites éticos. Tenho confiança de que veremos uma colaboração ainda mais forte daqui para frente.”

Um futuro responsável

À medida que o setor de iGaming adota soluções mais inteligentes e orientadas por dados, as responsabilidades éticas relacionadas à IA se tornam cada vez mais profundas. As discussões na SiGMA Central Europe 2025 deixaram claro que a tecnologia, por si só, não garante o jogo responsável. O verdadeiro diferencial estará na cooperação entre operadores e reguladores — uma parceria que definirá se a inteligência artificial se consolidará como uma guardiã do bem-estar do jogador ou como o próximo grande desafio ético a ser enfrentado pelo setor.

O conteúdo desta página tem caráter exclusivamente informativo e destina-se ao público B2B. O Grupo SiGMA não se responsabiliza por decisões comerciais, acordos ou atividades conduzidas por participantes, expositores ou terceiros durante ou após o evento. Todos os participantes são responsáveis por garantir a conformidade com as leis e licenças aplicáveis, incluindo as da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli (ADM) na Itália. A participação é restrita a maiores de 18 anos.