Chefe do Executivo de Macau afirma que operadoras agora decidem o futuro dos cassinos afiliados
O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, afirmou que o futuro dos cassinos afiliados da cidade — estabelecimentos que operam em parceria com as concessionárias, mas não são de sua propriedade direta — está agora inteiramente nas mãos das seis empresas licenciadas para explorar o setor de jogos, sem envolvimento direto do governo.
Falando após apresentar a Proposta de Orçamento para 2025, Sam destacou que a administração já cumpriu seu papel ao incluir todas as disposições necessárias na nova legislação do jogo. Cabe agora às concessionárias e aos operadores desses cassinos conduzir a transição. A lei reformulada, em vigor desde 2022, determina que todos os cassinos devem estar instalados em imóveis pertencentes às próprias concessionárias.
O governo havia concedido um período de transição de três anos — com término previsto para o fim de 2025 — justamente para que as partes envolvidas tivessem tempo de se adaptar ao novo modelo. Os cassinos afiliados poderão ser incorporados diretamente pelas concessionárias ou continuar operando por meio do regime de empresa gestora. Caso nenhuma dessas alternativas se concretize, os operadores terão de deixar o mercado de jogos.

(Fonte: Gabinete de Comunicação Social de Macau)
Atualmente, 11 cassinos afiliados seguem em operação. Desses, nove estão vinculados à SJM Holdings, enquanto o Galaxy Entertainment Group e a Melco Resorts operam um cada. Todos funcionam dentro do novo modelo de concessão, com validade de 10 anos, em vigor desde janeiro de 2023.
O Chefe do Executivo reconheceu a preocupação da população com o futuro dos trabalhadores desses estabelecimentos e afirmou que o arcabouço legal vigente oferece diretrizes claras para a gestão dessa transição. Ainda assim, reforçou que cabe às operadoras liderar esse processo e apresentar soluções adequadas.
Economia de Macau enfrenta pressões externas
A economia de Macau tornou-se mais vulnerável diante das mudanças no cenário econômico internacional. Sam apontou a prolongada tensão comercial entre China e Estados Unidos e a desvalorização do renminbi como fatores críticos. Ele observou que o impacto potencial sobre os setores de turismo e jogos — pilares da economia local — pode ser expressivo, principalmente pela forte dependência da cidade em relação aos visitantes da China continental.
Como o imposto sobre o jogo representa a principal fonte de receita do governo, qualquer redução no poder de compra dos turistas pode comprometer o equilíbrio fiscal. A desvalorização do yuan, por exemplo, pode desestimular gastos em Macau, onde as transações são feitas em dólares de Hong Kong — o que pode tornar o destino menos atrativo.
Sam revelou ainda que a receita bruta do jogo (GGR) de Macau no primeiro trimestre de 2025 ficou abaixo das expectativas. O orçamento da cidade havia sido elaborado com base em uma estimativa de GGR mensal de MOP 20 bilhões (€ 2,2 bilhões), sustentando uma arrecadação anual de MOP 93,1 bilhões (€ 10,3 bilhões) em impostos sobre jogos. Esse valor garantiria a execução de um orçamento público de MOP 115 bilhões (€ 12,7 bilhões). Caso a arrecadação continue aquém do esperado, Macau poderá ser forçada a revisar seu plano fiscal.
Acompanhamento dos investimentos fora do setor de jogos
No início deste mês, o governo de Macau anunciou uma revisão de meio-termo dos compromissos firmados pelas concessionárias no que diz respeito aos investimentos em áreas não relacionadas ao jogo — parte de uma estratégia mais ampla para diversificar a economia local. De acordo com reportagens da imprensa, essas exigências visam reduzir a dependência do setor de jogos e fomentar o desenvolvimento de novos vetores econômicos na cidade.




