A indústria de corridas de cavalos de Nova York fez um apelo aos legisladores para que autorizem as apostas de quota fixa nas corridas por meio das plataformas móveis de apostas esportivas do estado. Segundo representantes do setor, a medida poderia liberar milhões em novas receitas e ajudar o segmento a competir em condições mais equilibradas com outros mercados de jogo.
Representantes da New York Racing Association (NYRA) defenderam a proposta nesta semana durante uma audiência perante uma comissão da Assembleia Legislativa estadual. Eles apoiam um projeto de lei que colocaria as corridas de cavalos lado a lado com esportes populares como futebol e basquete nos aplicativos de apostas online.
A NYRA afirma que a introdução de apostas de quota fixa poderia gerar quase US$ 30 milhões por ano em receita adicional para o estado, além de oferecer um reforço financeiro essencial para hipódromos, treinadores, criadores e proprietários.
Por que apostar em quota fixa?
Hoje, a maior parte das apostas em corridas de cavalos em Nova York segue o modelo tradicional de totalização (pari-mutuel), em que as odds mudam até o momento da largada. Já o sistema de quota fixa permite ao apostador travar o preço no momento em que a aposta é feita — formato já familiar para quem aposta em esportes e amplamente utilizado em mercados como Reino Unido e Austrália.
A proposta está incluída no Projeto de Lei do Senado S8433, apresentado no verão pelo senador democrata Joseph P. Addabbo Jr. No entanto, o texto não avançou no processo legislativo, o que levou a NYRA a renovar esforços para conquistar apoio político.
Durante a audiência, o vice-presidente de relações governamentais da NYRA, Jeffrey Cannizzo, afirmou que integrar as corridas de cavalos aos aplicativos móveis de apostas esportivas poderia ampliar significativamente o alcance da modalidade. “Vemos isso como uma oportunidade de gerar novas receitas para a nossa indústria, para o estado e para todos os envolvidos — treinadores, criadores e proprietários”, disse.
Segundo a NYRA, muitos apostadores online — especialmente os mais jovens — já usam intensamente as plataformas móveis de apostas esportivas, mas raramente se deparam com corridas de cavalos por estarem fora dos aplicativos tradicionais. Ao permitir apostas de quota fixa, o setor acredita que esse cenário poderia mudar.
Líderes do setor alertaram ainda que a estrutura financeira das corridas tem dificuldade para acompanhar a evolução de outras jurisdições. O chefe de operações de corrida da NYRA, Andrew Offerman, declarou ao comitê que as bolsas distribuídas em Nova York permaneceram praticamente estáveis entre 2016 e 2024.
Offerman comparou o desempenho do estado ao de Kentucky, onde a introdução das máquinas de “historic horse racing” — uma forma de aposta eletrônica baseada em corridas passadas — impulsionou significativamente o valor das premiações. “Essa mudança colocou Nova York sob uma pressão competitiva enorme”, afirmou, alertando que treinadores e proprietários podem cada vez mais migrar para outros estados.
Os legisladores reconheceram os desafios enfrentados pelo setor. A deputada estadual Carrie Woerner, presidente do Comitê Permanente de Corridas e Apostas, destacou que o custo crescente de treinamento, mão de obra, operações e conformidade regulatória tem pressionado a indústria, que também disputa a atenção do público com outras formas de entretenimento e jogos.
Crescimento recorde no mercado de apostas de NY
O debate acontece em um momento em que o mercado de apostas esportivas online de Nova York vive um crescimento histórico. Segundo a New York State Gaming Commission, o volume movimentado no mobile atingiu US$ 2,64 bilhões em outubro — um aumento de 13,3% em relação ao ano anterior. A receita mensal chegou a US$ 238,7 milhões, alta de 35,4%, com um hold de 9,03%.
Para os defensores da proposta, permitir que as corridas de cavalos participem desse mercado digital em plena expansão pode ajudar a estabilizar um setor amplamente reconhecido por sua importância cultural, mas que enfrenta forte pressão financeira.
Ainda não se sabe se os legisladores irão avançar com a medida, mas o debate reforça os esforços para modernizar as corridas de cavalos e garantir que elas continuem competitivas em um cenário cada vez mais digital.
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