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Senado aprova projeto para restringir publicidade de apostas no Brasil 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

O Senado Federal aprovou, em comissão, do Projeto de Lei nº 3563/2024. A matéria, de autoria do senador Randolfe Rodrigues, foi aprovada na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) e agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aguardando análise do relator nessa próxima etapa da tramitação. A proposta altera duas leis em vigor, a Lei nº 13.756, de 2018, que trata das apostas no Brasil, e a Lei nº 14.790, de 2023, conhecida como Lei das Apostas Esportivas, com o objetivo de vedar a publicidade, o patrocínio e a promoção de apostas de quota fixa e jogos on-line em todo o país. O texto também inclui na proibição as apostas que envolvam resultados de eleições, plebiscitos e referendos. 

Fim da propaganda de bets 

Se for aprovado e transformado em lei, o projeto irá causar diversas mudanças em todos os aspectos, não só para as casas de apostas, mas todos que tem qualquer envolvimento com esse mercado, como os times de futebol, por exemplo. A ideia é restringir a exposição de empresas de apostas na sociedade, acabando com anúncios em rádio, televisão, jornais, revistas, internet e redes sociais, bem como qualquer outra forma de publicidade que estimule ou promova esses serviços. 

O texto da proibição ainda abrange o patrocínio em eventos esportivos, a divulgação de marcas de operadores em uniformes ou estádios, e até a pré-instalação de aplicativos de apostas em dispositivos eletrônicos. A justificativa para a proposta, conforme defendido pelo autor e seus apoiadores, é que a presença massiva de publicidade de apostas contribui para o aumento do vício em jogos, pode afetar seriamente a saúde financeira das famílias e até influenciar comportamentos de risco entre os jovens e adultos. A inclusão de apostas eleitorais entre as proibições é resultado de preocupações com as tentativas de mercantilizar os resultados políticos, uma ideia que vem sendo debatida no ambiente legislativo com um certo grau de urgência. 

Após passar pela CCT, com parecer favorável, o PL 3563/2024 foi enviado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde será analisado em critério da constitucionalidade. Caso receba avaliação positiva nessa etapa, poderá ser incluído na pauta do Plenário do Senado para votação pelos senadores. Se aprovado, ainda precisará seguir para votação na Câmara dos Deputados, onde os deputados federais farão sua análise. Só depois dessa etapa é que o texto poderá ser sancionado pelo Presidente da República e se tornar lei. 

Repercussão e debate público 

O projeto tem gerado uma grande repercussão. Seus defensores argumentam que as apostas se transformaram em um problema social no Brasil, com plataformas que antes operavam à margem da lei hoje atuando com forte presença publicitária. A regulamentação do setor com a Lei 14.790 foi um passo importante para trazer regras claras, mas, segundo parlamentares, ainda é necessário conter a influência das campanhas de marketing. 

Do lado oposto, os críticos da proposta alertam para possíveis impactos econômicos, tanto para a indústria de mídia e marketing quanto para entidades esportivas que contam com patrocínios desse tipo para financiar suas atividades. Alguns especialistas também apontam para a necessidade de equilíbrio entre a proteção ao consumidor e a liberdade de mercado, debate que certamente deverá ganhar espaço nas discussões na CCJ e no Plenário. 

O momento em que o PL 3563/2024 acontece é exatamente o período de mais discussões sobre o tema de jogos e apostas no Brasil. A própria Lei das Apostas Esportivas é recente, e sua implementação já tem gerado muitos desafios para a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), criada em 2024 para supervisionar o setor. 

Outras propostas parecidas com essa sobre a publicidade de jogos online também já passaram pelo Senado, incluindo propostas que buscavam limitar o uso de influenciadores digitais em campanhas publicitárias desse mercado. 

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