A Associação de Reguladores de Jogos na África (AGRA) está conduzindo um esforço em nível continental para harmonizar a regulamentação de jogos, fortalecer a cooperação entre fronteiras e promover ambientes mais seguros em meio às rápidas transformações do setor. Em entrevista exclusiva à SiGMA World, o Diretor de Assuntos Regulatórios da AGRA, Weldon Koros, explicou que a principal missão da entidade é promover alinhamento entre os reguladores africanos e construir uma resposta coletiva aos desafios enfrentados pelos mercados locais.
Segundo Koros, “o principal objetivo da Associação é promover um setor de jogos unificado e bem regulado em toda a África, desenvolvendo e harmonizando padrões de fiscalização para garantir consistência, equidade e transparência na regulação, certificação e proteção ao consumidor em todas as jurisdições membros.”
Ele acrescentou que a AGRA também busca reforçar a colaboração entre os órgãos reguladores para enfrentar em conjunto desafios recorrentes, como jogos ilegais, lavagem de dinheiro e problemas relacionados ao jogo, além de fortalecer a capacidade regulatória por meio de treinamentos e programas de intercâmbio técnico que elevem o nível de competência das autoridades.
Com essas iniciativas, Koros afirma que a AGRA pretende construir um ecossistema regulatório coeso, capaz de proteger consumidores, promover práticas responsáveis, atrair investimentos e aumentar a confiança do público.
Regulamentação tecnológica e estrutura de testes
À medida que os mercados africanos adotam novas ferramentas e plataformas digitais, a AGRA vem defendendo a criação de padrões claros para garantir que a inovação avance dentro de um ambiente seguro e equilibrado.
Koros afirmou que a Associação apoia a introdução de novas tecnologias, mas reforçou a importância de supervisão adequada. “A Associação apoia a adoção de novas tecnologias e reconhece que a inovação impulsiona o crescimento e melhora a eficiência. Ao mesmo tempo, permanecemos comprometidos em garantir que esses avanços preservem os princípios de integridade e imparcialidade.”
Ele explicou que a AGRA recomenda que toda nova tecnologia passe por testes e certificações independentes antes de ser disponibilizada no mercado, assegurando que os sistemas digitais atendam aos padrões exigidos.
Koros também revelou à SiGMA World que a AGRA está atualmente desenvolvendo um framework harmonizado para testes e certificações, que servirá de orientação para os países membros. O objetivo é permitir o reconhecimento mútuo de produtos aprovados e fortalecer a confiança entre as diferentes jurisdições.
Cooperação internacional
A AGRA também mantém parcerias com reguladores de outras regiões para ampliar sua capacidade técnica e acompanhar as evoluções internacionais do setor.
“A Associação colabora com reguladores e organizações internacionais em iniciativas conjuntas para trocar informações, compartilhar boas práticas e enfrentar desafios transfronteiriços, como jogos ilegais, lavagem de dinheiro e problemas relacionados ao jogo”, disse Koros.
Segundo ele, essas parcerias garantem acesso a conhecimentos especializados que fortalecem a capacidade da Associação de lidar com questões regulatórias complexas e manter os padrões africanos alinhados às melhores práticas globais.
Jogo responsável e proteção ao jogador
Koros destacou que promover o jogo responsável está no centro do trabalho da AGRA. “A Associação tem um compromisso firme com a promoção do jogo responsável e com a proteção de indivíduos potencialmente vulneráveis aos danos relacionados à atividade.”
A AGRA trabalha com os reguladores locais para implementar políticas e programas voltados à prática mais segura e coopera com operadores para disponibilizar ferramentas como autoexclusão e canais de apoio para jogadores em risco. Ao compartilhar boas práticas e monitorar padrões de comportamento, a AGRA busca criar um ambiente mais seguro, reduzir casos de jogo problemático e estimular práticas responsáveis em todo o continente.
Capacitação regulatória e troca de conhecimento
A entidade também atua como um centro de integração e aprendizado entre os reguladores africanos. “A Associação facilita a colaboração e o compartilhamento de conhecimento entre os reguladores de jogos em toda a África, fortalecendo práticas regulatórias e garantindo consistência”, afirmou Koros.
Workshops, conferências e iniciativas de intercâmbio de informações ajudam os reguladores a aprimorar a fiscalização, reforçar a proteção ao consumidor e desenvolver padrões harmonizados que sustentem um setor de jogos seguro, justo e transparente.
Perspectivas para o mercado de jogos na África
Koros avaliou que a indústria de jogos na África tem grande potencial de crescimento nos próximos cinco a dez anos. Esse avanço, segundo ele, deve ser impulsionado pela inovação tecnológica — desde que os sistemas regulatórios estejam preparados para acompanhá-lo. Ele afirmou que o setor pode gerar benefícios econômicos, oportunidades de emprego e arrecadação tributária, desde que a expansão seja conduzida com responsabilidade. No entanto, ressaltou que governos e operadores precisam alinhar prioridades.
“Governos e setor privado devem trabalhar juntos para garantir que o crescimento da indústria seja sustentável, desenvolvendo estruturas regulatórias claras e harmonizadas, promovendo o jogo responsável e fortalecendo a transparência e a responsabilidade entre os operadores”, concluiu.
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