Em uma análise estratégica sobre cibersegurança em 2026, Artem Bychkov, vice-diretor de Segurança da SOFTSWISS, destacou que a cibersegurança deixou de ser um tema exclusivamente técnico para se tornar um imperativo central de negócios. Patrocinada pela SOFTSWISS, a análise reflete como a segurança digital passou a influenciar diretamente a confiança do mercado, a integridade das marcas e a resiliência operacional em diversos setores — especialmente em segmentos altamente regulamentados como o iGaming, onde vazamentos de dados frequentemente ganham manchetes e comprometem operações comerciais.
Segundo Bychkov, a cibersegurança deixou de ser uma função de TI relegada aos bastidores e passou a representar uma ameaça concreta e constante às empresas, com impacto direto sobre confiança, reputação e reconhecimento de marca — além de abrir espaço para vantagem competitiva quando incidentes são bem gerenciados. Ele ressaltou que as percepções tradicionais sobre defesa cibernética mudaram de forma significativa ao longo dos últimos 15 anos, e que hoje as organizações precisam tratar incidentes digitais como eventos estratégicos, com consequências comerciais claras.
Aumento das ameaças e dados do setor
Ao citar resultados de pesquisas do setor, Bychkov apontou que uma parcela relevante das PMEs não está devidamente preparada para ataques direcionados, com base nas respostas obtidas em levantamentos recentes. Ele também recorreu a dados públicos da indústria para demonstrar que o número de violações de dados enfrentadas pelas empresas tem crescido de forma consistente ano após ano. Segundo o executivo, isso evidencia claramente o aumento das ameaças aos negócios e reforça a necessidade de que todas as empresas compreendam esses riscos e adotem medidas eficazes de proteção.
Bychkov classificou os ataques atuais como uma combinação de vetores tradicionais e emergentes. Há inúmeros exemplos de ataques clássicos, como negação de serviço (DDoS), invasões de sistemas e engenharia social, além da consolidação de uma infraestrutura clandestina — ou ecossistema — que sustenta esse tipo de atividade criminosa. Paralelamente, houve um crescimento expressivo dos chamados ataques à cadeia de suprimentos, que consistem na exploração de vulnerabilidades em fornecedores terceirizados de produtos ou serviços. O número de incidentes envolvendo comprometimento de terceiros aumentou de forma substancial nos últimos anos, demonstrando que muitas vulnerabilidades podem estar fora do controle direto das equipes internas de segurança.
IA e vulnerabilidades do usuário final
A proliferação de ataques direcionados a dispositivos de usuários finais também surgiu como um ponto de preocupação, especialmente diante do uso generalizado de dispositivos pessoais no ambiente corporativo (bring your own device) sem controles de segurança adequados. A inteligência artificial foi destacada como um verdadeiro multiplicador de força para agentes maliciosos, permitindo a criação de deepfakes, documentos falsificados e campanhas de phishing altamente eficazes, mesmo com baixo nível de conhecimento técnico.
Prioridades estratégicas de cibersegurança para 2026
A conscientização em cibersegurança entre colaboradores e partes interessadas é fundamental para fortalecer as defesas. O fator humano costuma representar a primeira linha de proteção contra ataques de engenharia social. Em vez de adotar abordagens pontuais e reativas para corrigir falhas em sistemas e aplicações corporativas, as empresas devem priorizar iniciativas estruturadas e contínuas de melhoria.
Bychkov defende com veemência práticas de desenvolvimento seguro, que incluem análise de código, verificação de dependências e metodologias de ethical hacking, como programas de bug bounty, capazes de identificar vulnerabilidades antes que agentes mal-intencionados possam explorá-las. Ele também abordou a importância de uma metodologia robusta de gestão de riscos da cadeia de suprimentos, destacando a necessidade de implementar controles tecnológicos aliados a processos rigorosos de due diligence ao avaliar a postura de segurança de parceiros e fornecedores terceirizados.
Ao tratar de como as organizações podem aprimorar sua capacidade de detecção e resposta a ameaças, Bychkov mencionou que tecnologias de monitoramento em tempo real e detecção de fraudes — como device fingerprinting e sistemas apoiados por inteligência artificial — terão papel decisivo na elevação desses níveis de proteção.
Cibersegurança como diferencial competitivo
Bychkov concluiu que os recursos de cibersegurança passaram a atuar como elementos de diferenciação no mercado, deixando de ser apenas mecanismos internos de proteção para se tornarem atributos externos de valor comercial. Segurança e confiança estão cada vez mais integradas às propostas de valor de produtos e serviços, reforçando a necessidade de investimentos estratégicos em cibersegurança ao longo de 2026. Para mais análises sobre cibersegurança e tendências do setor, visite o site da SiGMA.


