Barbara Casillo (Confindustria Alberghi): “A Itália está pronta para uma nova era de grandes eventos internacionais”
No coração de Roma, onde o sopro da história se encontra com o ritmo da inovação, a SiGMA Europa Central 2025 reforça mais uma vez sua posição como um ponto de encontro privilegiado para quem olha para o futuro dos grandes eventos globais. Entre estandes movimentados e uma atmosfera vibrante, a voz de Barbara Casillo, diretora-geral da Confindustria Alberghi, oferece uma visão clara e pragmática de como ocasiões como essa podem redefinir o papel da hotelaria italiana.
Casillo observa que eventos de grande porte fazem muito mais do que simplesmente “lotar” as cidades por alguns dias.
O verdadeiro impacto está na capacidade de redistribuir o fluxo turístico em períodos menos movimentados e, sobretudo, criar novos polos de interesse além dos destinos tradicionais. Em um país como a Itália — onde cada região tem uma identidade singular —, visitantes internacionais podem se tornar verdadeiros embaixadores de locais que normalmente ficam fora dos roteiros convencionais.
Um setor que evolui junto com seus viajantes
Segundo Casillo, o turismo italiano passa por uma transformação profunda. Embora a pandemia tenha acelerado diversas tendências, o movimento já vinha se consolidando há anos: hoje, o turismo internacional supera o doméstico e cresce em um ritmo que exige que os hotéis repensem suas estratégias. O trabalho da Confindustria Alberghi, explica ela, é justamente esse: ajudar empresas a investir, inovar e se comunicar com um público global cada vez mais exigente. Os hotéis italianos estão se adaptando ao perfil de um viajante mais digital, mais consciente e mais atento às práticas de sustentabilidade. Três pilares orientam essa evolução: tecnologia, responsabilidade ambiental e uma nova abordagem de experiência do hóspede.
Casillo destaca que muitos hotéis estão renovando seus modelos operacionais, aprimorando serviços e processos para atender visitantes que buscam conveniência digital, autenticidade cultural e respeito profundo pelos lugares que visitam. A hotelaria italiana — historicamente marcada pela hospitalidade calorosa e pela atenção humana — está encontrando um novo equilíbrio entre tradição e inovação.
Roma como laboratório ideal: infraestrutura, espaços e visão
A escolha de Roma como sede da SiGMA Europa Central não é aleatória. Casillo é direta: receber um evento internacional dessa dimensão é, por si só, um teste — e Roma passou com louvor. O valor simbólico da cidade se une à eficiência prática. O Aeroporto Fiumicino, com sua ampla malha de conexões e forte tráfego internacional, é um ativo estratégico que viabiliza iniciativas dessa magnitude.
A diretora-geral também destaca que os espaços de exposição da Fiera di Roma, praticamente ocupados em sua totalidade pela SiGMA, representam exatamente o tipo de estrutura necessária para competir no mercado global de eventos. Nem todas as cidades italianas, lembra ela, podem oferecer instalações tão amplas e bem equipadas. No entanto, é observando o que funciona em Roma que outras regiões podem encontrar inspiração para se desenvolver.
Além de Roma: construir uma Itália pronta para receber o mundo
Embora a capital demonstre claramente sua vocação internacional, Casillo insiste em uma visão mais ampla: a Itália possui todos os elementos necessários para se tornar uma rede de destinos competitivos. Mas isso depende de investimentos contínuos, projetos estruturados de longo prazo e uma visão integrada que una infraestrutura, hospitalidade e sustentabilidade. Ela enfatiza um ponto essencial: para atrair eventos globais, não basta ser um país bonito e acolhedor. A Itália precisa estar preparada. Isso significa garantir transporte eficiente, serviços de alto nível, capacidade adequada de hospedagem e uma oferta coordenada entre regiões. E, acima de tudo, significa liberar o potencial das áreas do interior — mais autênticas, menos saturadas e cheias de oportunidades.
Nesse contexto, a digitalização deixa de ser tendência e se torna ferramenta essencial para melhorar tanto a experiência do hóspede quanto a eficiência da gestão interna. Da mesma forma, a sustentabilidade deixou de ser conceito da moda e se tornou exigência real para um público cada vez mais sensível a questões ambientais e sociais.
A Itália preparada para uma nova fase do turismo internacional
As reflexões de Casillo traçam um cenário nítido: eventos como o SiGMA não são episódios pontuais, mas aceleradores de desenvolvimento. Eles testam destinos, revelam potencial não explorado e impulsionam o setor de hospitalidade a elevar seus padrões.
Com sua história, cultura e vocação natural para receber, a Itália tem tudo para se tornar um dos principais polos europeus de grandes eventos. Mas essa ambição exige investimentos estratégicos, melhoria contínua dos serviços e uma visão de hospitalidade capaz de unir inovação, autenticidade e responsabilidade.
Casillo resume com convicção: “Roma mostrou que tem tudo o que é necessário. Agora precisamos garantir que outras cidades italianas estejam igualmente prontas para receber eventos dessa escala.”
Este artigo foi publicado originalmente em italiano no dia 24 de novembro de 2025.
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