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Blockchain na Itália: a visão do deputado Marcello Coppo sobre regulamentação, inovação e desafios globais

Tony Colapinto
Escrito por Tony Colapinto

O blockchain na Itália deixou de ser um tema restrito a poucos especialistas. O quadro regulatório já está amplamente definido, o setor está em expansão e as instituições têm aberto um diálogo direto com os players da indústria. No entanto, segundo Hon. Marcello Coppo, deputado pelo Fratelli d’Italia e presidente do Intergrupo Parlamentar sobre Ativos Digitais, Blockchain e Bitcoin, o progresso dependerá de maior abertura cultural, regulamentação menos rígida e ações direcionadas para distinguir inovadores legítimos de fraudadores.

Regulação de blockchain na Itália: quadro sólido, mas cautela excessiva

Coppo acredita que a Itália parte de uma posição vantajosa: o Decreto FinTech já “legitimou” a tokenização e estabeleceu regras claras para o uso de tecnologias DLT. “A lei está em vigor e precisa ser aplicada”, ressalta, “mas alguns órgãos supervisores mantêm uma abordagem excessivamente cautelosa.”

Ele se refere especificamente à Consob e ao seu presidente, Paolo Savona, que, segundo Coppo, teria manifestado opiniões próximas a uma “objecção de consciência” em relação a certos instrumentos ligados ao blockchain. “O problema”, explica Coppo, “é que uma autoridade supervisora não pode agir contra a lei vigente.”

O maior limitador, no entanto, vem da Europa. O regulamento MiCA garante segurança jurídica, mas impõe exigências e custos que podem penalizar negócios menores, especialmente no caso de stablecoins, que exigem depósitos de reservas em contas bancárias.

Diálogo entre instituições e players de blockchain na Itália

A conferência de 13 de junho, organizada pelo Intergrupo no Parlamento, foi um evento esgotado e contou com presença de personalidades de destaque. “O objetivo”, explica Coppo, “é separar aqueles que exploram o blockchain para cometer fraudes de quem trabalha de forma honesta e pode gerar riqueza para o país.”

Ainda assim, o desafio cultural permanece: “Precisamos de mais informação”, afirma, “porque grande parte do preconceito vem de reportagens superficiais que associam blockchain apenas a golpes.”

Além das finanças: exemplos práticos de aplicações de blockchain

O deputado Coppo cita casos concretos de uso do blockchain na Itália e no mundo:

  • Certificação, segurança e transferências de valor: transações globais em até 15 minutos, independentemente do sistema bancário.
  • Gestão de energia: mineração como ferramenta para aproveitar energia excedente, da superprodução renovável na Europa a projetos hidrelétricos na África.
  • Desenvolvimento local: investimentos em infraestrutura elétrica e apoio a planos estratégicos, como um “Plano Mattei para o desenvolvimento da África”.

Tokenização: oportunidades para profissionais e empresas italianas

Notários, advogados e contadores podem se tornar os “oráculos” do blockchain, certificando escrituras e dados tokenizados. Com smart contracts, seria possível simplificar transições geracionais em negócios familiares e agilizar processos fiscais, com controles automáticos e transparentes.

MiCAR e competitividade: o desafio até 2027

Até o final da legislatura atual, prevista para 2027, Coppo prevê ajustes menores na legislação italiana, mas espera que, em nível europeu, o MiCAR seja adaptado para ser menos “centrado em bancos” e mais adequado para start-ups. “Os requisitos atuais favorecem grandes operadores e podem excluir projetos menores válidos.”

Bitcoin como reserva de valor global

No cenário geopolítico, Coppo interpreta a abertura de líderes e bancos como um indicativo de que o Bitcoin caminha para se tornar o “ouro digital” do século XXI: um ativo seguro, incorruptível, descentralizado, limitado a 21 milhões de unidades, e destinado a se tornar um referencial entre as moedas globais.

Educação e conscientização para adoção segura do blockchain na Itália

A mensagem final do deputado é clara: “Busque informações em fontes confiáveis e mantenha distância de quem promete ganhos milagrosos. O Bitcoin é sério; o resto, na maioria das vezes, é apenas jogo.”

Segundo Coppo, o futuro do blockchain na Itália dependerá da capacidade de construir uma rede de profissionais para orientar cidadãos e empresas em decisões informadas, permitindo ao país explorar plenamente o potencial dessa tecnologia.

Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 13 de agosto de 2025.

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