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CAK ordena que emissoras reduzam conteúdo de apostas em duas semanas

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Em uma decisão voltada a conter a crescente preocupação com o conteúdo relacionado a jogos de aposta no ar, a Autoridade de Comunicações do Quênia (CAK) determinou que todas as emissoras de rádio e televisão reduzam a exibição de conteúdos sobre apostas, loterias e jogos de azar. A medida, formalizada em uma carta assinada pelo Diretor-Geral David Mugonyi no dia 23 de abril de 2025, estipula um prazo de 14 dias para que as emissoras se adequem. Caso não cumpram a determinação, as emissoras poderão sofrer sanções severas, incluindo a possível revogação de suas licenças de transmissão.

Preocupações crescentes com o conteúdo de apostas

O alerta rígido da CAK surge em resposta ao aumento das reclamações de consumidores sobre a quantidade de programação negativa relacionada a jogos de aposta. “A Autoridade observou, com preocupação, um crescimento no número de queixas de consumidores em relação a conteúdos de apostas, loterias e jogos de azar transmitidos em emissoras de TV e rádio FM”, afirma a carta. Essa fiscalização intensificada reflete o compromisso da Autoridade em garantir que as emissoras respeitem padrões de decência e responsabilidade social.

Mugonyi ressaltou a importância do cumprimento dos marcos legais que embasam essas regulamentações, lembrando as emissoras de suas obrigações conforme a Lei de Informações e Comunicações do Quênia, de 1998. “O objetivo desta carta é notificar todas as emissoras para que corrijam essas infrações no prazo de 14 dias a partir da data desta notificação, e sigam as disposições da Lei de Informações e Comunicações do Quênia, de 1998: Condições de Licenciamento e Código de Programação”, pontuou. Esses marcos legais têm como finalidade proteger o público contra anúncios enganosos e assegurar que a programação esteja alinhada aos valores da sociedade.

A carta ainda destacou um problema central: a transmissão excessiva de conteúdos ligados a jogos de aposta. “A Autoridade constatou que a programação relacionada a atividades de apostas, loterias e jogos de azar, em grande parte das emissoras, ultrapassa a cota aprovada no cronograma de programas, violando as Condições de Licenciamento, o Código de Programação e a Lei de Informações e Comunicações do Quênia, de 1998”, alertou Mugonyi, reforçando que a continuidade dessa prática poderá trazer sérias consequências.

Consequências para o descumprimento

As emissoras que não atenderem à determinação da CAK poderão enfrentar penalidades rigorosas. Mugonyi advertiu que a Autoridade poderá adotar medidas de execução contra as emissoras infratoras: “A Autoridade tomará providências contra qualquer emissora que não corrigir essas infrações, conforme o Artigo 83A(1) da Lei de Informações e Comunicações do Quênia, de 1998; e/ou poderá revogar a licença de transmissão, conforme os Artigos 46J(a) e (b) da mesma legislação.” A advertência firme demonstra a seriedade com que a Autoridade de Comunicações trata o aumento desse tipo de conteúdo.

Reforçando a posição da CAK, o Porta-voz do Governo, Isaac Mwaura, informou que o Conselho de Controle e Licenciamento de Apostas (BCLB) está atuando em parceria com o Parlamento para fortalecer as leis existentes, com o objetivo de aprimorar a supervisão das atividades de apostas no país, especialmente no ambiente online. “O Conselho de Controle e Licenciamento de Apostas (BCLB), em colaboração com o Parlamento, está acelerando a tramitação do Projeto de Lei de Controle de Jogos de Aposta de 2023 para modernizar a legislação vigente”, afirmou.

As declarações de Mwaura apontam para um cenário mais amplo, revelando uma iniciativa urgente para combater o vício em jogos de aposta, problema que tem causado impactos sociais graves no Quênia. Ele citou diversas consequências desse vício, como a perda de bens, a queda na produtividade e até a perda de vidas.

Um apelo por práticas de transmissão responsáveis

Com o prazo se aproximando, todas as atenções se voltam para as emissoras, que precisarão mostrar como pretendem cumprir a determinação da Autoridade de Comunicações do Quênia. O grande desafio será equilibrar a grade de programação para atender às novas exigências regulatórias, sem ignorar as expectativas do público. O descumprimento poderá acarretar uma grande reviravolta no setor, já que a licença de transmissão é um dos principais pilares de operação dessas empresas.

Este episódio serve como um lembrete contundente da responsabilidade que as emissoras têm na construção do discurso social e na formação da opinião pública. Diante da crescente pressão para promover uma programação responsável, a diretriz da CAK é fundamental para moldar um modelo de conteúdo mais regulado para os jogos de aposta no país. Como defensores da transmissão ética, todos os envolvidos precisam considerar seriamente o impacto que suas programações exercem sobre a sociedade.

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