A Caesars Entertainment encerrou o segundo trimestre de 2026 com um cenário de crescimento moderado da receita, melhora do prejuízo líquido e forte desempenho de suas operações regionais, mas também de desaceleração em Las Vegas e redução da rentabilidade operacional. Os números mostram uma empresa que continua expandindo sua presença nos mercados tradicionais e digitais, embora ainda enfrente alguns desafios para converter esse crescimento em geração adicional de caixa.
Entre abril e junho, a operadora registrou receita líquida de $2,99 bilhões, um aumento de 3 por cento em relação aos $2,91 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. O prejuízo líquido atribuível aos acionistas caiu de $82 milhões para $62 milhões, enquanto o EBITDA ajustado recuou de $955 milhões para $920 milhões, indicando que a expansão das receitas foi parcialmente compensada pelo aumento dos custos e pela menor contribuição de algumas operações estratégicas.
Embora os três indicadores tenham seguido direções diferentes, eles revelam um mesmo movimento. A Caesars conseguiu ampliar seu faturamento e reduzir perdas contábeis, mas viu sua eficiência operacional diminuir em relação ao ano anterior. Para investidores, essa combinação costuma indicar que a empresa continua crescendo, porém em um ambiente competitivo mais desafiador, no qual a expansão da receita não significa integralmente aumento da geração operacional de caixa.

Os resultados também reforçam uma mudança importante na composição dos negócios da companhia. Durante muitos anos, a cidade de Las Vegas representou o principal motor de crescimento da Caesars. No segundo trimestre foram os cassinos regionais espalhados pelos Estados Unidos que sustentaram praticamente toda a expansão das receitas, compensando a desaceleração registrada na cidade considerada o maior centro mundial do entretenimento e dos jogos.
Operações regionais compensam desaceleração em Las Vegas
A divisão Regional foi, mais uma vez, o destaque do trimestre. As propriedades localizadas fora de Las Vegas geraram $1,57 bilhão em receita, avanço de 9,4 por cento em relação aos $1,44 bilhão registrados um ano antes. Sozinha, essa unidade respondeu por mais da metade da receita consolidada da empresa no período e foi responsável por praticamente todo o crescimento apresentado pela Caesars.
O desempenho mostra como o grupo continua reduzindo sua dependência dos grandes resorts de Nevada. Ao longo dos últimos anos, a empresa ampliou sua presença em diversos estados norte-americanos por meio de aquisições e investimentos em cassinos regionais. Essa estratégia é importante, principalmente em um momento em que Las Vegas apresenta menor ritmo de crescimento.
Além do aumento do faturamento, as operações regionais registraram melhora significativa da rentabilidade. O lucro atribuível ao segmento passou de um prejuízo de $11 milhões no segundo trimestre de 2025 para um lucro de $23 milhões neste ano. O EBITDA ajustado também cresceu de $439 milhões para $488 milhões, avanço de 11,2 por cento, tornando-se a maior contribuição individual para a geração operacional de caixa da companhia.
A receita de Las Vegas caiu 3,5 por cento, passando de $1,05 bilhão para $1,02 bilhão. Embora a operação continue extremamente lucrativa, sua rentabilidade também diminuiu. O lucro atribuível ao segmento recuou de $212 milhões para $156 milhões, enquanto o EBITDA ajustado caiu 12,6 por cento, encerrando o trimestre em $410 milhões. Mesmo permanecendo como uma das maiores operações do grupo, Las Vegas deixou de ser a principal responsável pelo crescimento consolidado da Caesars neste trimestre.

Caesars Digital continua crescendo, mas margens diminuem
Outro segmento que permaneceu em expansão foi a Caesars Digital, responsável pelas operações de apostas esportivas online e iGaming da empresa. A unidade registrou receita de $351 milhões, crescimento de 2,3 por cento sobre os $343 milhões registrados no segundo trimestre de 2025. Embora o avanço seja inferior ao observado nos cassinos regionais, ele mostra que o segmento digital continua ampliando sua participação dentro do grupo.
Apesar do aumento da receita, o segmento apresentou uma deterioração na rentabilidade durante o trimestre. O lucro atribuível caiu de $39 milhões para $27 milhões, enquanto o EBITDA ajustado diminuiu de $80 milhões para $68 milhões, retração de 15 por cento. Os números sugerem que a operação continuou investindo para manter sua competitividade em um mercado cada vez mais disputado, pressionando temporariamente suas margens.
Ainda assim, uma análise do acumulado do primeiro semestre mostra um cenário mais favorável para o segmento digital. Entre janeiro e junho, a receita aumentou de $678 milhões para $725 milhões, crescimento de 6,9 por cento. No mesmo período, o EBITDA ajustado avançou de $123 milhões para $137 milhões, enquanto o lucro líquido atribuível passou de $39 milhões para $49 milhões. Isso indica que, apesar da pressão observada especificamente no segundo trimestre, o desempenho do negócio digital permanece positivo quando analisado amplamente.
A continuidade da expansão da Caesars Digital é particularmente relevante porque o segmento vem sendo tratado pela companhia como uma de suas principais frentes de crescimento de longo prazo. O mercado norte-americano de apostas esportivas continua passando por um processo gradual de expansão regulatória, enquanto o iGaming permanece restrito a poucos estados, oferecendo espaço para crescimento conforme novas jurisdições aprovam esse tipo de operação.
Enquanto isso, o segmento Managed and Branded, responsável principalmente pela gestão de propriedades de terceiros e licenciamento de marcas, apresentou desempenho mais fraco. A receita caiu de $74 milhões para $57 milhões, retração de 23 por cento, acompanhada por pequenas reduções tanto no lucro quanto no EBITDA ajustado. Apesar de representar uma parcela relativamente pequena da receita consolidada, a queda mostra que o crescimento da companhia ficou concentrado praticamente nas operações regionais e, em menor escala, no ambiente digital.
Composição das receitas mostra força do cassino tradicional
O cassino permanece, com ampla margem, como a principal fonte de receita da empresa. Entre abril e junho, as operações de jogos geraram $1,76 bilhão, alta de 5,5 por cento em relação aos $1,67 bilhão registrados no segundo trimestre de 2025.
As receitas provenientes de hotéis tiveram uma queda no faturamento, de $509 milhões para $495 milhões, enquanto alimentos e bebidas permaneceram praticamente estáveis, passando de $428 milhões para $426 milhões. Já a categoria classificada como “Outras Receitas”, que inclui diferentes serviços oferecidos pela companhia, cresceu de $302 milhões para $313 milhões.
Do lado das despesas, o crescimento das receitas veio acompanhado de um aumento praticamente generalizado dos custos operacionais. As despesas dos cassinos passaram de $887 milhões para $955 milhões, enquanto os gastos administrativos cresceram de $477 milhões para $521 milhões. Os custos corporativos também aumentaram, passando de $84 milhões para $94 milhões. Em contrapartida, as despesas relacionadas à depreciação, amortização e custos de transação apresentaram redução em relação ao ano anterior. Isso ajuda a explicar por que a receita aumentou enquanto o EBITDA ajustado recuou. Embora a empresa tenha vendido mais, principalmente nas operações regionais, parte desse crescimento foi absorvida pela expansão das despesas operacionais, reduzindo a conversão da receita em geração de caixa.
Outro fator que continua exercendo forte influência sobre os resultados é a estrutura de capital da companhia. A Caesars registrou $573 milhões em despesas líquidas com juros durante o trimestre, valor praticamente estável em relação aos $579 milhões registrados um ano antes. Sozinha, essa despesa supera o lucro operacional de $513 milhões, fazendo com que a empresa continue reportando prejuízo líquido mesmo apresentando operações rentáveis antes dos efeitos financeiros.
Primeiro semestre confirma crescimento moderado
Quando observados os seis primeiros meses de 2026, os resultados seguem a mesma tendência apresentada no trimestre. A receita consolidada atingiu $5,86 bilhões, crescimento de 2,8 por cento sobre os $5,70 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O avanço foi impulsionado principalmente pelas operações regionais, cuja receita aumentou 6,3 por cento, e pela Caesars Digital, que cresceu 6,9 por cento no semestre.
No acumulado do ano, Las Vegas apresentou comportamento diferente. A divisão registrou receita de $2,02 bilhões, consideravelmente abaixo dos $2,06 bilhões registrados em 2025, reforçando que a desaceleração observada no segundo trimestre não foi um evento isolado, mas parte de uma tendência que vem sendo observada ao longo do primeiro semestre.
O prejuízo atribuível aos acionistas caiu de $197 milhões para $160 milhões, enquanto o EBITDA ajustado acumulado atingiu $1,81 bilhão, apenas 1,7 por cento abaixo do registrado no primeiro semestre de 2025. Ou seja, apesar da redução na rentabilidade do segundo trimestre, a empresa conseguiu preservar boa parte de sua capacidade operacional ao longo do ano.
Companhia reduz dívida líquida e preserva liquidez
Outro ponto observado pelos investidores é a posição financeira da Caesars. A empresa encerrou junho com $11,8 bilhões em dívida total, uma leve redução em comparação aos $11,9 bilhões registrados no encerramento de 2025. Ao mesmo tempo, o caixa aumentou de $887 milhões para $965 milhões, contribuindo para reduzir a dívida líquida para $10,84 bilhões.
Embora o endividamento continue elevado, essa é uma característica histórica da companhia desde a aquisição da Eldorado Resorts e da formação da atual Caesars Entertainment. A administração também disse que, além do caixa disponível, possuía aproximadamente $2,93 bilhões entre recursos em caixa e capacidade de crédito disponível ao fim do trimestre, fornecendo flexibilidade para financiar suas operações e cumprir compromissos financeiros de curto prazo.

Aquisição pela Fertitta marca transição para uma nova fase
A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 acontece durante o processo de aquisição da Caesars pela Fertitta Entertainment. Em razão da operação anunciada em maio, a companhia informou que não realizará sua tradicional teleconferência de resultados com investidores, prática comum entre empresas de capital aberto norte-americanas.
Após a conclusão da transação, as ações da Caesars deixarão de ser negociadas na Nasdaq e a empresa passará a operar como companhia privada. A mudança deve encerrar um ciclo importante para uma das maiores operadoras de cassinos dos Estados Unidos e deverá alterar a forma como o mercado acompanha seus resultados financeiros daqui para frente.
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