O Ministério das Relações Exteriores do Camboja defendeu a decisão de deportar o cidadão chinês Chen Zhi, afirmando que a cidadania cambojana obtida por ele em 2014 foi concedida por meios irregulares. A informação foi divulgada pelo veículo local Cambodia China Times.
Base legal para a revogação
Em comunicado divulgado na segunda-feira, o Ministério afirmou que a revogação da cidadania de Chen e sua deportação foram realizadas em conformidade com a legislação cambojana. As autoridades também rejeitaram as acusações de que a medida teria motivação política.
Funcionários do governo destacaram que o caso envolve o uso indevido de procedimentos legais para a obtenção da nacionalidade, enquadrando a decisão como uma questão de interesse nacional, e não como resultado de pressões externas. Ainda assim, o episódio gerou questionamentos sobre a forma como o Camboja lida com investidores estrangeiros de alto perfil e sobre o grau de cooperação do país com autoridades internacionais no combate a crimes transnacionais.
Prisão e extradição
No dia 6 de janeiro, Chen, presidente do conglomerado Prince Group, foi preso juntamente com outras duas pessoas após meses de investigação conjunta com autoridades chinesas. O Ministério do Interior informou que sua cidadania foi revogada antes da extradição, ressaltando que o compromisso do Camboja é combater crimes de caráter transnacional.
As autoridades também afirmaram que a nacionalidade de Chen foi obtida por meios fraudulentos ou impróprios — o que constitui base legal para revogação segundo a legislação do país, especialmente quando estão em jogo a segurança nacional ou o interesse público. No entanto, o comunicado não apresentou detalhes específicos sobre as supostas irregularidades no caso.
Sanções e acusações internacionais
Além disso, Chen já vinha sendo monitorado por vários governos ocidentais. Em 14 de outubro de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e o Escritório de Relações Exteriores, Comunidade e Desenvolvimento do Reino Unido (FCDO) impuseram sanções contra Chen e entidades ligadas a ele, acusando o Prince Group de envolvimento em fraudes online e tráfico de pessoas. O Departamento de Justiça dos EUA também tornou pública uma acusação formal alegando que Chen comandava operações de golpes com trabalho forçado no Camboja, que teriam lesado vítimas em diversos países.

Repressão ampliada contra a rede de Chen
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, em reportagem publicada em 8 de janeiro, Chen e seus associados são suspeitos de crimes que vão desde fraude até ocultação de recursos ilícitos. As autoridades chinesas estão preparando mandados de prisão para outros supostos integrantes da rede e convocaram fugitivos ligados ao esquema liderado por Chen a se entregarem até 15 de fevereiro de 2026.
De acordo com comunicado do Ministério da Segurança Pública da China divulgado neste mês, aqueles que se apresentarem voluntariamente antes do prazo poderão receber penas reduzidas. Enquanto isso, o Prince Group rejeitou as acusações feitas pelos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido, classificando-as como “infundadas” e motivadas por razões políticas.
Contexto mais amplo
O Camboja já lidou anteriormente com casos de deportação e revogação de cidadania, geralmente fundamentados em violações das leis de imigração, e não em pressões políticas externas. No entanto, esses episódios são raros e costumam envolver permanência irregular, obtenção fraudulenta de nacionalidade ou atividades criminosas relacionadas ao status de residência.
Deportações de grande repercussão, como a de Chen, costumam estar associadas a investigações de crimes transnacionais, enquanto deportações rotineiras por motivos migratórios ocorrem com mais frequência, mas atraem bem menos atenção internacional.
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