A Churchill Downs Inc. fechou um acordo de US$ 85 milhões para adquirir os direitos de propriedade intelectual do Preakness Stakes, reunindo um dos eventos mais icônicos das corridas de cavalos nos Estados Unidos sob o mesmo controle do Kentucky Derby.
O acordo, anunciado na terça-feira, 21 de abril de 2026, prevê a compra das marcas registradas e dos direitos associados tanto ao Preakness Stakes quanto ao Black-Eyed Susan Stakes da 1/ST Maryland LLC, afiliada da 1/ST Racing.
Acordo de licenciamento mantém corrida em Maryland
É importante destacar que a transação envolve a propriedade intelectual dos eventos, e não a realização das corridas em si. Por meio de um acordo de licenciamento separado, o estado de Maryland manterá o direito de sediar as provas e pagará uma taxa anual à Churchill Downs. Isso garante que o Preakness continuará sendo disputado no estado — tradicionalmente no hipódromo Pimlico Race Course — apesar da mudança na titularidade dos direitos.
Expansão estratégica para a Churchill Downs
O CEO Bill Carstanjen classificou a aquisição como um passo estratégico relevante. Segundo ele, o acordo adiciona “uma das marcas mais icônicas do esporte americano” ao portfólio da empresa e está alinhado à estratégia de longo prazo focada em investimentos em ativos premium de corridas de cavalos.
“Ao manter a propriedade intelectual do Preakness dentro da indústria das corridas, a CDI apoiará os esforços para concretizar todo o potencial de um Pimlico revitalizado e do próprio Preakness dentro da Triple Crown e do cenário esportivo e de entretenimento mais amplo.” A Churchill Downs planeja financiar a aquisição com recursos próprios e linhas de crédito existentes, com previsão de conclusão após a edição de 2026 do Preakness.
Mudança temporária de local durante reforma
Conforme reportado pelo The Guardian, o Preakness de 2026 não será realizado em Pimlico devido às obras de modernização do histórico hipódromo, que tem 156 anos. Em vez disso, a corrida será disputada no Laurel Park, com público limitado a menos de 5 mil espectadores. O Black-Eyed Susan Stakes, tradicionalmente realizado na véspera do Preakness, também será transferido temporariamente para o mesmo local.
Churchill Downs Inc. buys Preakness intellectual property for $85 million https://t.co/YyPAAyv98b
— Baltimore Banner Sports (@AllBannerSports) April 21, 2026
O acordo ocorre em meio a um debate crescente sobre a estrutura da Triple Crown de corridas de cavalos puro-sangue. Desde 1950, o Preakness é realizado duas semanas após o Kentucky Derby, mas críticos apontam que esse intervalo curto desestimula a participação dos melhores cavalos. Vencedores recentes do Derby optaram por não disputar a prova, alimentando discussões sobre possíveis mudanças. Entre as propostas em debate está o adiamento do Preakness para três semanas após o Derby, possivelmente já a partir de 2027 — o que também exigiria ajustes no calendário do Belmont Stakes.
Direitos de mídia e interesse comercial
Os direitos de transmissão também estão em destaque, já que o contrato atual com a NBC expira após a corrida deste ano. Diversos grandes players — incluindo emissoras tradicionais e plataformas de streaming — estariam interessados em garantir os direitos futuros. Essa disputa reforça o valor comercial duradouro do Preakness, mesmo diante dos desafios enfrentados pela indústria de corridas de cavalos como um todo.
Realizado pela primeira vez em 1873, o Preakness continua sendo um dos pilares das corridas de cavalos nos Estados Unidos e a segunda etapa da Triple Crown, uma das conquistas mais exigentes do esporte.
Disputas legais da Churchill Downs
Em outra frente, a Churchill Downs obteve uma decisão favorável em um tribunal federal que impediu o estado de Michigan de aplicar sua exigência de vinculação (“tethering”) à plataforma TwinSpires, em 6 de janeiro de 2026. A questão central era se um estado poderia usar leis tradicionais de corridas para bloquear uma plataforma de apostas online em conformidade com a legislação federal. O tribunal decidiu a favor da operação da plataforma.
Também em janeiro, o Oxford Casino Hotel, pertencente à Churchill Downs, entrou com uma ação na Justiça Federal dos EUA para barrar a nova lei de iGaming do estado do Maine, a LD 1164. A medida, que entrou em vigor sem assinatura da governadora Janet Mills, concede às quatro tribos reconhecidas do estado direitos exclusivos para operar cassinos online. A legislação legaliza o iGaming no Maine e atribui essa exclusividade às Nações Wabanaki. O cassino argumenta que a lei — apelidada de “Lei do Monopólio” — viola as constituições estadual e federal e pode prejudicar a economia local.
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