A Loteria do Estado do Rio de Janeiro (LOTERJ) é uma das principais loterias do Brasil e tem se mostrado um exemplo de como a regulamentação do mercado de jogos e apostas pode gerar impactos sociais positivos. Entre 2021 e 2025, os investimentos sociais realizados pela entidade saltaram de R$ 1,3 milhão para R$ 45 milhões, um crescimento que impressionou a todos, principalmente porque o setor de apostas é visto como mais prejudicial para a sociedade do que como algo que agregue positivamente.
Vinculada à Secretaria da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro, a LOTERJ é responsável pela administração e fiscalização das atividades lotéricas em todos os municípios fluminenses. Ao longo dos últimos anos, a empresa passou por um processo de reposicionamento institucional, ampliando sua atuação para além da gestão tradicional de loterias. Esse movimento colocou a LOTERJ como pioneira no Brasil. Antes mesmo da consolidação do mercado regulado em nível federal, ela avançou no credenciamento de Casas de Apostas Esportivas e plataformas digitais, alinhando suas práticas às tendências observadas em mercados mais maduros, como os da Europa e de partes da América Latina. A iniciativa ajudou a criar um ambiente mais transparente e organizado, reduzindo a informalidade e ampliando a capacidade de fiscalização do Estado.
Para a atual gestão, regulamentar jogos vai muito além de estabelecer regras técnicas. Segundo o presidente da LOTERJ, Hazenclever Lopes Cançado, o foco está em garantir que os recursos arrecadados retornem à sociedade de forma responsável. Em uma declaração recente, ele afirmou que regulamentar o setor significa “devolver para a sociedade cada centavo arrecadado”, com investimentos voltados principalmente às pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. A empresa transformou a arrecadação do setor em uma fonte de financiamento para políticas públicas.
Hoje, a LOTERJ destina 70% de seu lucro líquido a projetos sociais. Esse percentual, considerado elevado quando comparado a modelos adotados em outros estados e até em alguns países, permite a manutenção de iniciativas em áreas como educação, assistência social e proteção a grupos vulneráveis. A estratégia também reforça o argumento de que a regulamentação eficiente do mercado de apostas pode ser uma aliada do desenvolvimento social, e não somente uma fonte de arrecadação fiscal.
O avanço da LOTERJ também pode ser percebido no reconhecimento internacional. Em abril de 2024, a loteria foi aceita como Membro Regular da Corporación Iberoamericana de Loterías y Apuestas de Estado (CIBELAE), uma das principais entidades do setor no mundo ibero-americano. O anúncio foi feito durante a reunião do Conselho de Administração da organização, realizada em Buenos Aires.
A adesão à CIBELAE permite a abertura de experiências com outras loterias estatais, acesso a estudos técnicos e participação em fóruns que discutem temas como jogo responsável, prevenção à ludopatia e uso social da arrecadação. Em um momento em que o Brasil discute com mais profundidade a regulamentação das apostas online, esse tipo de integração internacional tende a fortalecer o posicionamento institucional da LOTERJ e do próprio Estado do Rio de Janeiro.
Mercados regulados, quando bem estruturados, conseguem reduzir riscos, aumentar a arrecadação e, principalmente, transformar recursos do jogo em benefícios para a sociedade. Países como Reino Unido, Espanha e Portugal já utilizam uma parte importante da receita das loterias para financiar educação, saúde e esportes, modelo que começa a ganhar força também no Brasil.
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