Faltando, simplesmente, 108 dias para o início dos jogos da Copa do Mundo de 2026, a seleção de Curaçao anunciou que o treinador holandês Dick Advocaat deixou o cargo por motivos pessoais. A decisão não foi motivada por resultados ou qualquer divergência esportiva. Pelo contrário, Advocaat optou por deixar a seleção para se dedicar à saúde da filha, e, em sua fala, colocar a família acima do futebol. O treinador comunicou a saída em comum acordo com a federação local.
A saída do técnico foi ainda mais sentida porque Advocaat não foi um simples treinador, como qualquer outro. Ele foi o responsável pela ascensão do futebol de Curaçao. Aos 78 anos, o holandês assumiu a seleção em janeiro de 2024 e de forma muito rápida transformou o time em um dos principais nas Eliminatórias da Concacaf. Durante a sua liderança, a equipe jogou 19 partidas, somando 11 vitórias, seis empates e somente duas derrotas. Foi essa trajetória que garantiu a classificação para a Copa do Mundo, tornando Curaçao o menor país em população e território a disputar torneio.
Um país desse porte ter a oportunidade de participar de um torneio mundial é algo extremamente grandioso. Analisando o contexto, Curaçao tem cerca de 160 mil habitantes e sem nenhuma liga profissional exatamente estruturada. O país construiu sua seleção apostando em jogadores com raízes familiares na ilha, mas formados principalmente no futebol holandês. Essa estratégia ampliou o nível técnico da equipe e acelerou o desenvolvimento competitivo.
A ascensão de Curaçao não aconteceu por acaso. Desde a dissolução das Antilhas Holandesas, em 2010, o país passou por um processo gradual de reconstrução esportiva. Os técnicos holandeses tiveram um papel essencial nessa transformação. Nos últimos anos, a equipe passou a competir dentro da Concacaf.
Uma mudança inevitável
Apesar do sucesso esportivo, a saída de Advocaat já dava sinais meses antes. O treinador chegou a se ausentar de partidas importantes das Eliminatórias por questões familiares, o que indicava que a permanência até o Mundial poderia ser incerta. Agora, a confirmação oficial foi divulgada, justamente quando a seleção inicia a fase mais delicada da preparação para a Copa. O Mundial de 2026 será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México e será a primeira edição com 48 seleções. O técnico classificou sua passagem pela seleção de Curaçao e a conquista da participação na Copa do Mundo. Advocaat já passou por alguns outros times como Holanda e Coreia do Sul.
Para substituir o treinador, a federação apostou em outro nome holandês: Fred Rutten. Aos 63 anos, ele chega com experiência em clubes importantes da Europa, incluindo PSV, Feyenoord e Schalke 04, e terá a missão de manter a identidade construída nos últimos anos. Em sua primeira declaração, Rutten prestou respeito ao antecessor e se comprometeu a dar continuidade no trabalho já desenvolvido. A ideia é preservar a estrutura tática e o ambiente competitivo que levaram o país à classificação, evitando mudanças bruscas às vésperas do torneio.
O desafio é enorme. Geralmente, mudanças de liderança próximas a grandes competições costumam gerar incertezas, principalmente em seleções com pouca tradição em torneios desse porte. A adaptação rápida entre comissão técnica e jogadores será determinante para o desempenho da equipe.
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