O Auditório della Conciliazione recebeu casa cheia na noite de hoje, com o público ansioso para assistir de perto a uma apresentação única de Plácido Domingo. Com patrocínio da REDCORE, o concerto privado promovido pela SiGMA reuniu o lendário tenor espanhol e a soprano sul-africana Pretty Yende — reconhecida mundialmente por sua performance na coroação do rei Charles III, em 2023 — em um espetáculo em dois atos com obras consagradas de Verdi, Giordano, Gounod, Puccini, Sorozábal e Lehár.
Os convidados foram recepcionados com um refinado coquetel de prosecco, antes de se acomodarem para o início da apresentação. A Fountain of Youth Orchestra — composta, como o nome sugere, por jovens músicos de destaque com menos de 30 anos — abriu a noite com Norma, de Bellini, sob a regência do maestro Marcello Rota.
Domingo iniciou o programa com a intensa ária de barítono Nemico della patria (“Inimigo da pátria”), do terceiro ato da ópera Andrea Chénier, de Umberto Giordano. A obra é inspirada na vida do poeta francês André Chénier, executado durante a Revolução Francesa. Na sequência, Pretty Yende encantou o público com uma vibrante interpretação de Mercè, dilette amiche (“Obrigada, queridas amigas”), ária para soprano do ato final de I vespri siciliani, de Giuseppe Verdi.

O repertório seguiu com Macbeth, também de Verdi, em que Domingo interpretou Perfidi! – Pietà, rispetto, amore (“Traidores! Piedade, respeito, amor”). A performance, carregada de força dramática, destacou a profundidade vocal do artista — natural, considerando que sua carreira começou como barítono antes da transição para tenor.
Encerrando o primeiro ato, Yende retornou ao palco com a alegre valsa Je veux vivre (“Quero viver”), de Romeu e Julieta, de Charles Gounod, arrancando aplausos entusiasmados da plateia.
Após o intervalo, a orquestra abriu com Manon Lescaut, de Puccini, seguida por uma comovente apresentação de D’Alfredo il padre (“O pai de Alfredo”), trecho de La Traviata, interpretada em dueto por Domingo e Yende.
O segundo ato teve início com um toque espanhol, com a zarzuela La tabernera del puerto (“A taverneira do porto”), de Pablo Sorozábal. Domingo emocionou com No puede ser (“Não pode ser”), enquanto Yende respondeu com a delicada Me llaman la primorosa (“Chamam-me de a mais bela”), da obra Ideale, de Raúl Giménez.
Na sequência, uma versão orquestral de Amarcord Nino Rota trouxe um tom cinematográfico à noite — uma homenagem ao compositor Nino Rota, cujas obras se tornaram célebres em filmes de Federico Fellini.
Domingo voltou ao palco com Dein ist mein ganzes Herz (“Tu és o meu coração”), de Das Land des Lächelns (“A Terra dos Sorrisos”), e depois apresentou Vilja-Lied, de A Viúva Alegre, ambas de Franz Lehár. Yende, por sua vez, encerrou a sequência com Lippen schweigen (“Lábios silenciosos”), também da mesma opereta.
A atmosfera tornou-se mais descontraída com Mambo, de West Side Story, antes de Domingo e Yende se reunirem para interpretar a célebre Cena da Sacada, um dos momentos mais icônicos da história da ópera.
Em seguida, Yende emocionou o público com uma versão delicada e cheia de sentimento de O mio babbino caro, enquanto Granada e Bésame mucho conquistaram aplausos calorosos da plateia. A apresentação se encerrou com Non ti scordar di me, levando o público a se levantar em ovações entusiasmadas.
Em conversa com Antonino Colapinto, da equipe de notícias da SiGMA, Plácido Domingo descreveu a experiência como “uma emoção incrível, um público maravilhoso e uma grande apresentação”, e expressou o desejo de retornar em breve a Roma para mais uma noite inesquecível.



