O CEO da MGM Resorts International admitiu estar surpreso com a demora de Dubai em esclarecer se o tão aguardado resort à beira-mar da companhia poderá ou não receber um cassino, mesmo com o andamento constante das obras do projeto avaliado em US$ 2,5 bilhões.
Bill Hornbuckle, presidente e CEO da MGM, afirmou que a empresa segue comprometida com o projeto, mas reconheceu a ausência de uma autorização formal por parte da liderança do emirado.
Resort à espera de aprovação
O empreendimento de luxo está sendo erguido em uma ilha artificial de 10 hectares, próxima à Jumeirah Beach e ao Burj Al Arab, e deve contar com três marcas de hotéis consagradas da MGM — além de um cassino, caso seja permitido.
Durante uma conferência da indústria de jogos, Hornbuckle declarou: “Achei que, a esta altura, Abu Dhabi já teria decidido o que fazer. Há muito diálogo em torno disso.” (AGBI, 9 de setembro de 2025).
Embora os Emirados Árabes Unidos tenham criado a Autoridade Reguladora Geral de Jogos Comerciais (GCGRA), órgão federal responsável por supervisionar a regulamentação do setor, a decisão final cabe a cada emirado individualmente. No caso de Dubai, Hornbuckle confirmou que os parceiros do projeto — MGM e a desenvolvedora estatal Wasl — ainda aguardam a palavra final do governante local.
“MGM e sua parceira, a estatal Wasl, estão ‘esperando o governante [de Dubai, xeque Mohammed] dizer: podem seguir em frente’”, disse ele.
Hornbuckle acrescentou que, embora a estrutura principal já esteja concluída, ainda não houve liberação oficial: “Não temos permissão do governante de Dubai para prosseguir. Não sei quando ouviremos, mas acredito no seguinte… Se esse resort tiver um cassino — e acredito que terá, mais cedo ou mais tarde — será uma oportunidade gigantesca.”
Abertura adiada
Mesmo sem aprovação para jogos, o resort já não cumprirá o cronograma inicial. A MGM previa a inauguração em 2027, mas a data foi adiada para o segundo semestre de 2028.
A companhia confirmou o novo prazo durante a divulgação de resultados do segundo trimestre, em 1º de agosto de 2025, atribuindo o atraso à complexidade da construção e à dimensão da operação. “O projeto em Dubai também começou a ganhar ritmo, com previsão de abertura no segundo semestre de 2028”, disse Hornbuckle na teleconferência com investidores.
Em maio, o executivo já havia informado que a torre da MGM em Dubai estava “a todo vapor” e havia alcançado o quinto andar da obra: “É um projeto empolgante, um resort realmente diferenciado, com inúmeros atrativos. Tomara que consigamos incluir o jogo”, afirmou na ocasião.
A estrutura central deve ser finalizada em 2027, mas a abertura completa foi adiada para o ano seguinte.
Mudanças no cenário regional
Dubai não é o único emirado avaliando a legalização de cassinos. A Wynn Resorts, rival da MGM em Las Vegas, está construindo o Wynn Al Marjan Island, em Ras Al Khaimah, com inauguração prevista para 2027. O CEO da Wynn, Craig Billings, já declarou que o empreendimento pode ser o primeiro — e único — cassino licenciado nos Emirados Árabes, garantindo exclusividade em um mercado que analistas projetam movimentar entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões por ano.
A Wynn também adquiriu mais 70 acres no emirado, alimentando especulações sobre futuras expansões.
A transição gradual dos Emirados para um mercado de jogos regulado vem sendo acompanhada de perto por operadores internacionais. Na SiGMA Euro-Med, realizado neste verão, especialistas destacaram que a GCGRA já havia concedido cerca de 16 licenças, principalmente para fornecedores B2B e para a Loteria Nacional dos Emirados. Kate McCormick, CEO da WH Partners UAE, observou que os novos entrantes podem esperar um ambiente “premium, altamente regulado e confiável”, mas alertou para restrições rigorosas de marketing, exigindo forte atenção à conformidade por parte das empresas estrangeiras.
Oliver De Bono, CEO da Quantum Gaming, acrescentou que a posição dos Emirados provavelmente influenciará o restante da região: “Acredito firmemente que os Emirados estão definindo a direção que os demais países do Golfo seguirão.”
Luxo em meio à incerteza
Desde o início, o resort da MGM foi concebido sob um contrato de gestão não voltado exclusivamente ao jogo, firmado com a Wasl Hospitality. Isso garante sua viabilidade como destino de luxo, mesmo sem uma licença de cassino.
Ainda assim, Hornbuckle reforçou que a aposta em obter a autorização segue firme: “Vemos isso como uma oportunidade gigantesca.” (AGBI).
Se a liderança de Dubai concordará — e quando — ainda é uma incógnita. Enquanto isso, as obras avançam, os prazos são estendidos e as expectativas da MGM continuam atreladas a um mercado que ainda busca conciliar sensibilidades culturais, novos marcos regulatórios e as pressões da indústria global.




