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A morte do esporte na TV: um guia de sobrevivência

Jillian Dingwall
Escrito por Jillian Dingwall

Se os últimos acontecimentos do setor indicam alguma coisa, é que os dias da mídia esportiva tradicional estão contados. As assinaturas de TV a cabo estão em queda livre, enquanto as plataformas de streaming acumulam os direitos de transmissão como quem estoca mantimentos para o apocalipse.

Mas essa mudança vai além de onde assistimos aos esportes — ela mostra como as apostas estão, silenciosamente, reconfigurando todo o ecossistema, transformando o torcedor passivo em parte de um ciclo interativo movido a palpites e probabilidades.

Os números são claros (e alarmantes)

O alcance da ESPN via TV a cabo caiu de quase 99 milhões de lares em 2013 para apenas 73 milhões em 2024 — uma perda de 26 milhões. No mesmo período, o público digital de esportes chegou a 105,3 milhões, superando pela primeira vez os 85,7 milhões da TV tradicional.

O mercado global de streaming esportivo, avaliado em US$ 33,9 bilhões em 2024, deve praticamente dobrar e alcançar US$ 68,3 bilhões até 2030 — um crescimento médio anual de 12,6%. Nada modesto.

No último ano, as plataformas de streaming investiram US$ 10 bilhões em direitos esportivos. Só a Netflix desembolsou US$ 5 bilhões pelo Monday Night Raw, apostando que o público da WWE sabe muito bem como configurar uma assinatura. A Amazon gasta US$ 1,8 bilhão por temporada com a NBA — e isso parece pouco para quem já vende a bola do jogo, a camisa do time e o suplemento alimentar no intervalo.

Geração TikTok quer highlights, não maratona

Entre os jovens de 18 a 34 anos, 47% preferem assistir aos melhores momentos da NFL em vez de acompanhar o jogo completo. Em outras palavras, quase metade do público principal prefere consumir futebol americano com a experiência de usuário de um app de namoro. Entre os maiores de 50 anos, só 11% pensam assim — talvez porque nunca experimentaram a emoção de deslizar para a direita no Tinder.

Para essa nova audiência, cortar as partes chatas do jogo não é um sacrilégio — é eficiência. E mais: muitos já esperam que as apostas façam parte do pacote. Enquanto executivos mais antigos levantam a sobrancelha diante da ideia de apostas em tempo real, os mais jovens estão pensando onde posicionar o botão de aposta na interface.

ESPN BET: onde conteúdo e apostas se fundem

A nova plataforma de streaming da ESPN, com assinatura de US$ 29,99 por mês, promete reinventar a mídia esportiva. A integração com o ESPN BET cria algo inédito: uma experiência de consumo e aposta totalmente conectada — algo que as emissoras tradicionais não conseguem replicar.

Segundo Aaron LaBerge, diretor de tecnologia da Penn Entertainment, os novos recursos de assistir e apostar serão “os melhores da categoria”, permitindo apostas durante as transmissões ao vivo sem interromper a experiência do espectador. Dados iniciais já mostram que, com a função de vincular contas entre ESPN e ESPN BET, os usuários passaram mais tempo nas plataformas, apostaram com mais frequência e aderiram mais aos combos (parlays).

Mas a inovação vai além: a ESPN BET está testando um “game pass por atividade de aposta”, em que o acesso a jogos e recursos exclusivos depende do volume ou tipo de aposta feita. Pode incluir câmeras alternativas em jogos nos quais você apostou ou comentários personalizados que mencionam sua aposta ao vivo. A proposta é transformar a audiência passiva em participação ativa.

Inteligência Artificial: óbvio que ela está no meio

O futuro da mídia esportiva será hiperpersonalizado com apoio da IA. Esses sistemas vão entender — com precisão jamais vista — os times favoritos, os padrões de apostas e os hábitos de visualização dos usuários.

Imagine assistir a uma corrida de Fórmula 1 e receber da sua assistente virtual uma sugestão de aposta ao vivo: “Hamilton vai ultrapassar Verstappen na próxima curva?” A IA já conhece as odds, seu apetite por risco e seu histórico de apostas. Você responde “apostar” — pronto. Sem trocar de aplicativo, sem perder nenhum lance. Apenas uma fusão perfeita entre entretenimento e aposta.

O que as marcas precisam fazer para sobreviver

Primeiro, parar de tratar apostas como um extra. As marcas que dominarão a próxima década vão integrar apostas em sua essência. Se a estratégia atual da sua plataforma é “vamos adicionar as odds e ver no que dá”, ela já nasceu defasada. Como explica Moritz Maurer, CEO da GRID: “Apostas esportivas podem melhorar a experiência de visualização — mas só quando são feitas com dados oficiais e regulados”. É por isso que os players mais fortes estão correndo para fechar acordos diretos com ligas e entidades esportivas, em vez de depender de terceiros.

Em seguida, abraçar a economia dos highlights. O valor dos direitos de melhores momentos deve crescer 71% e atingir US$ 8,9 bilhões até 2024 — um dos segmentos mais promissores da mídia esportiva. Se o público quer conteúdo rápido em vez de transmissões longas, entregue conteúdo rápido. Mas torne esses highlights interativos, apostáveis e compartilháveis.

E, finalmente, preparar-se para a dança das assinaturas. Fãs de esportes têm 10% mais chances de assinar e cancelar o mesmo serviço de TV dentro de um ano. Eles não são fiéis à plataforma — são fiéis ao conteúdo e à experiência. Faça com que a sua se torne indispensável.

A dura verdade sobre essa transformação

O futuro da mídia esportiva não é sobre esporte. É sobre criar um ecossistema de entretenimento em que o esporte é apenas uma peça — ao lado de apostas, redes sociais, games e comércio. As empresas que entenderem isso vão prosperar. As que não entenderem vão desaparecer aos poucos.

Netflix, Amazon e YouTube não estão entrando no esporte ao vivo por acaso. Cada uma vê isso como um ativo estratégico — não apenas para audiência, mas para dados, engajamento e monetização. As emissoras tradicionais não estão mais concorrendo entre si, mas com plataformas que tratam o esporte como infraestrutura, não só como conteúdo.

A transformação já começou. As empresas de mídia esportiva têm duas opções: adaptar-se rápido ou seguir como estão e arriscar a irrelevância. Quem está se mexendo agora está se posicionando para um futuro onde o streaming lidera, as apostas são parte do jogo, e o espectador é o novo protagonista.

E aí, vai apostar em quem? Nas plataformas que estão reconstruindo a mídia esportiva do zero? Ou naquelas que ainda transmitem ao vivo sua própria extinção, grudadas no controle remoto remendado com fita adesiva?

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