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Relatório anual do GAMSTOP confirma: é o corrimão antes da queda

David Gravel
Escrito por David Gravel

O esquema de autoexclusão do Reino Unido para jogos de azar online acaba de atingir um marco impactante. Conforme divulgado pela Gambling Insider, mais de 560 mil pessoas já se registraram no GAMSTOP desde 2018 para se bloquearem de sites de apostas — um número que representa mais de 1% da população adulta do país. E esse número continua crescendo.

“Avançamos de forma significativa em nossa missão de proteger as pessoas dos danos causados pelo vício em jogos”, afirmou Jenny Watson CBE, presidente do GAMSTOP, em sua declaração de despedida. “Nosso sucesso não se mede apenas em números, mas nas histórias de transformação e recuperação.”

Os dados divulgados no relatório anual de 2025 demonstram a real dimensão da demanda por proteção. O volume de autoexclusões ultrapassou em muito as previsões iniciais. Jogadores vulneráveis não estão apenas pedindo ajuda — eles estão tomando medidas concretas para tirar o jogo de suas vidas. Watson classificou o GAMSTOP como um “provedor de tecnologia de referência global no setor de apoio contra os danos causados pelo jogo”.

Jovens impulsionam o aumento

Os jovens adultos lideram a nova onda de registros. Só no segundo semestre de 2024, houve um aumento de 31% no número de pessoas com menos de 25 anos que se autoexcluíram, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Atualmente, esse grupo representa 24% de todos os novos cadastros.

Fiona Palmer, CEO do GAMSTOP, comentou: “O aumento de registros entre menores de 25 anos virou uma tendência acelerada. Há uma necessidade clara de mensagens direcionadas e apoio adequado — por isso, seguimos colaborando com a GamCare para alcançar o público estudantil.”

Contudo, o perigo real é que, ao serem bloqueados de sites regulados, esses jovens acabem migrando para operadores ilegais. Conforme destacado em uma matéria exclusiva da SiGMA News, A crescente ameaça do jogo ilegal no Reino Unido, empresas offshore têm direcionado suas ações a jogadores excluídos, aproveitando brechas e artifícios digitais para contornar as regras.

Região Nordeste lidera os registros

O relatório também detalha os dados regionais, revelando que o Nordeste da Inglaterra concentra os maiores índices de autoexclusão. A cidade de Hull lidera com a maior taxa per capita do Reino Unido, 1,5%. Teesside e Sunderland vêm logo atrás, com 1,4% cada.

Palmer acrescentou que, com a expectativa de mudanças na forma como o financiamento do RET (Pesquisa, Educação e Tratamento) será conduzido, os dados do GAMSTOP serão ainda mais cruciais.

“Assumimos esse compromisso e vamos mantê-lo daqui para frente”, afirmou. “Nossa prioridade continua sendo oferecer uma solução técnica e eficaz de exclusão para quem mais precisa.”

Avaliação comprova impacto

Uma avaliação independente feita pela Ipsos em 2024 reforçou a eficácia do GAMSTOP: 75% dos usuários disseram que deixaram de apostar online, e 78% afirmaram que o serviço atendeu às suas expectativas.

O período de exclusão de cinco anos tornou-se a opção mais escolhida, e o GAMSTOP recentemente implementou um recurso de renovação automática para evitar reativações involuntárias após o fim do prazo.

Um sinal para o setor como um todo

Num setor frequentemente criticado por sua lentidão em agir, os números mais recentes do GAMSTOP demonstram o contrário. O problema não é falta de consciência por parte dos jogadores — é a ausência, muitas vezes, de alternativas concretas e acessíveis.

Esse crescimento expõe também uma realidade preocupante: a perda de confiança está afastando os jogadores. Um artigo recente da SiGMA News, baseado no relatório DEAL ME OUT Black Market Evaluation Report 2025, intitulado “Com a queda da confiança no setor de apostas britânico, setor ilegal ganha espaço”, mostrou como marcas offshore rapidamente ocupam o espaço deixado por operadores licenciados.

Mais do que um serviço

O GAMSTOP tornou-se um dos sinais mais claros de que muitos jogadores estão em busca de uma saída. Eles não precisam de campanhas com slogans — precisam de barreiras reais e mecanismos de proteção confiáveis.

Também serve de alerta para o que acontece quando essas barreiras falham. Em outra matéria exclusiva, “Setor ilegal avança silenciosamente e ocupa espaço nas apostas”, a SiGMA News expôs como jogadores determinados conseguem driblar as regras do Reino Unido com relativa facilidade, caso não encontrem proteção suficiente.

Jenny Watson encerra sua gestão com uma conquista expressiva, mas também deixa um desafio para o setor. O que vem a seguir não é uma questão de imagem pública — trata-se de garantir que sempre exista um lugar mais seguro para quem deseja parar.

Porque, para mais de 560 mil pessoas, o GAMSTOP não é apenas um serviço. É a última proteção antes do abismo.

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