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Relatório aponta que a Geração Z recorre ao jogo em busca de enriquecimento rápido

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Inflação, aumento nos custos de moradia, dívidas estudantis e um mercado de trabalho competitivo fazem parte do cenário financeiro incerto que os jovens americanos precisam enfrentar atualmente. Um estudo da Northwestern Mutual, intitulado Planning & Progress Study 2026, mostra que muitos integrantes da Generation Z estão explorando formas pouco convencionais de acumular riqueza, como Cryptocurrency, mercados de previsão e apostas esportivas. Quase um terço dos jovens entre 18 e 29 anos afirma considerar ou já ter assumido riscos financeiros nessas plataformas.

O estudo, conduzido pela The Harris Poll com 4.375 adultos nos Estados Unidos em janeiro de 2026, traça um panorama complexo sobre a mentalidade financeira da população. Embora a confiança financeira esteja melhorando gradualmente e mais pessoas relatem sentir segurança em relação ao dinheiro em comparação com anos anteriores, muitos ainda temem não conseguir alcançar suas metas financeiras.

Estatísticas que revelam a tendência

Segundo o relatório, mais de 32% dos participantes da Geração Z afirmaram já ter investido ou estar considerando investir em apostas esportivas ou mercados de previsão, enxergando essas atividades como algo além de entretenimento. Entre aqueles que utilizam plataformas especulativas — incluindo apostas, mercados de previsão ou criptomoedas — 73% acreditam que essas opções oferecem um caminho mais rápido para atingir objetivos financeiros. Entre os integrantes da Geração Z, esse número sobe para 80%.

Ao mesmo tempo, a confiança financeira geral apresenta sinais de melhora. Atualmente, metade dos adultos americanos afirma sentir-se financeiramente segura, contra 44% no ano anterior. Os Baby Boomers continuam sendo o grupo mais confiante, com 57%, enquanto Millennials e Generation X registraram os maiores avanços, alcançando 53% e 48%, respectivamente.

O estudo também revelou uma diferença significativa entre quem busca aconselhamento financeiro profissional e quem não busca. 71% das pessoas que trabalham com consultores financeiros afirmam sentir segurança em relação às próprias finanças, contra apenas 38% entre aqueles que não contam com esse suporte. Refletindo essa tendência, o planejamento financeiro disciplinado voltou a ganhar força: 53% dos adultos agora se consideram planejadores estruturados, dando continuidade a uma trajetória de crescimento observada desde 2024.

Crescimento do niilismo financeiro e dos investimentos especulativos

A Geração Z está incorporando investimentos especulativos ao seu planejamento financeiro, deixando de tratá-los apenas como entretenimento. As apostas esportivas, por exemplo, passam a ser encaradas como um verdadeiro mercado, no qual probabilidades e estatísticas são analisadas de maneira semelhante aos dados de ações. Já os mercados de previsão permitem negociar contratos baseados em eventos do mundo real, como eleições ou resultados econômicos.

Ao mesmo tempo, quase 39% dos americanos afirmam investir ou considerar investir em ativos de alto risco, como criptomoedas, apostas esportivas, opções financeiras e meme stocks. Muitos apontam que essa tendência surge da sensação de estarem atrasados financeiramente: 73% dos entrevistados, e 80% da Geração Z, acreditam que essas plataformas oferecem um caminho mais rápido para alcançar seus objetivos financeiros do que métodos tradicionais.

Entre essas alternativas, as criptomoedas continuam sendo as mais populares, principalmente por sua acessibilidade e pela possibilidade de negociação contínua. No entanto, também são marcadas por forte volatilidade. Um ponto em comum entre apostas esportivas, mercados de previsão e criptomoedas é a mudança de percepção: plataformas baseadas em risco estão sendo cada vez mais vistas como formas aceitáveis de buscar avanço financeiro, apesar de sua imprevisibilidade em comparação com estratégias tradicionais.

Fonte: Northwestern Mutual’s Planning & Progress Study.

Geração Z está transformando o iGaming nos EUA

A Geração Z está rapidamente se tornando um dos grupos mais discutidos no debate sobre jogo online nos Estados Unidos, e os números do mercado em que esses jovens estão entrando são impressionantes. De acordo com dados da Blask, o mercado de jogo online dos Estados Unidos atingiu cerca de US$ 79,8 bilhões em 2025, tornando-se, de longe, o maior do mundo em termos de CEB. O país conta com mais de 121 milhões de usuários de internet, e 18,1% da população tem 14 anos ou menos.

Em relação aos formatos que mais atraem os jogadores, o cassino online com dealers ao vivo lidera o interesse, com 12,9 milhões de usuários, seguido por fantasy sports, com 11,9 milhões, e cassinos online tradicionais, com 9,3 milhões. O cenário é claro: a Geração Z não está apenas entrando no mercado de apostas dos Estados Unidos — ela está ajudando a redefinir como esse mercado funciona.

Dados de traders em mercados de previsão

Informações de plataformas de mercados de previsão mostram que a maioria dos traders não consegue obter lucros consistentes. Apenas cerca de um terço ganha algum dinheiro, e grande parte desses ganhos fica abaixo de US$ 100, enquanto quase dois terços acabam perdendo mais do que investiram. Pesquisas também apontam para um problema mais amplo: mais da metade dos entrevistados admite priorizar a acumulação de riqueza em vez da preservação do patrimônio, sendo que Millennials e integrantes da Geração Z apresentam a maior diferença nesse comportamento.

Diferentemente dos investimentos tradicionais — baseados em crescimento constante ao longo do tempo — mercados especulativos dependem fortemente de timing e sorte. Mesmo traders experientes têm dificuldade para manter ganhos de forma consistente, e consultores financeiros frequentemente comparam esse tipo de investimento ao pôquer: alguns jogadores conseguem vencer, mas a maioria acaba perdendo.

Retorno do otimismo financeiro

Pesquisas realizadas em 2026 apontam para algumas tendências importantes no comportamento financeiro. Mais da metade dos americanos (53%) agora se identifica como planejador disciplinado, indicando crescimento em práticas como orçamento, poupança e diversificação de investimentos. Entre aqueles que trabalham com consultores financeiros, 71% se sentem seguros, contra 38% entre quem não recebe orientação profissional.

A casa própria continua sendo vista como um elemento central para a construção de riqueza, com 75% das pessoas considerando-a essencial. O otimismo entre quem ainda não possui imóvel também aumentou: 42% acreditam que conseguirão comprar uma casa, contra 33% no ano anterior. Esse otimismo é especialmente forte entre a Geração Z (54%) e os Millennials (47%). Os pais também estão priorizando o apoio habitacional aos filhos. 74% planejam ajudar na compra de um imóvel, e 29% colocam esse objetivo acima do financiamento da educação universitária.

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