O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) deve se opor à libertação de Cui Lijie (à direita na imagem em destaque), ex-presidente do conselho da Imperial Pacific International, que continua sob custódia das autoridades migratórias norte-americanas após ter sido detida neste mês. A posição do órgão contraria uma decisão anterior de um juiz de imigração de Saipan, que havia autorizado sua liberação mediante pagamento de fiança.
Figura central por trás do agora extinto complexo de cassino Imperial Palace, em Saipan, Cui foi detida pelo ICE no início deste mês por supostas violações das leis de imigração. Posteriormente, um juiz autorizou sua soltura provisória mediante o pagamento de uma fiança de US$ 10 mil, concluindo que ela não representava risco à sociedade. A decisão também estabeleceu condições como o comparecimento às próximas audiências e a apresentação periódica ao Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês).
No entanto, o DHS informou que pretende recorrer da decisão, com o objetivo de impedir a libertação de Cui enquanto o caso segue em análise. Uma nova audiência de imigração foi agendada para o dia 18 de fevereiro de 2026.026.
Acusação de violar regras de visto
De acordo com o ICE, Cui é acusada de permanecer no país além do prazo permitido por seu visto de investidora de longo prazo E-2C. Seus advogados argumentam que há um pedido pendente junto ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), que, se aprovado, poderá permitir que ela solicite residência permanente legal no país.
Os advogados do DHS se manifestaram contra sua liberação, citando uma ordem judicial anterior por desacato relacionada a uma disputa trabalhista envolvendo a Imperial Pacific International (IPI). As autoridades norte-americanas não divulgaram mais detalhes sobre as supostas irregularidades nem sobre o alcance da investigação em curso.

Cui é a acionista majoritária da Imperial Pacific International, empresa que operou o cassino-resort Imperial Palace, em Saipan, entre 2016 e 2020. O empreendimento, que chegou a ser promovido como um projeto emblemático do setor de jogos nas Ilhas Marianas do Norte, encerrou suas atividades em março de 2020, durante a pandemia de Covid-19, e nunca mais foi reaberto.
As dificuldades financeiras persistiram após o fechamento oficial do complexo. A licença de operação do cassino foi suspensa em junho de 2020 devido ao não cumprimento de obrigações regulatórias, e a empresa entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) em abril de 2024, quando suas dívidas ultrapassavam US$ 165,8 milhões. Em agosto de 2025, a Team King Investment (CNMI) LLC adquiriu, em leilão, os ativos e a propriedade do cassino da Imperial Pacific por US$ 12,95 milhões. A venda permitiu liquidar cerca de US$ 169 milhões em passivos pendentes, marcando oficialmente o fim das operações de cassino da Imperial Pacific em Saipan.
O histórico controverso da Imperial Pacific
A trajetória da empresa na região sempre foi marcada por polêmicas. Em 2017, o FBI realizou uma operação no canteiro de obras do cassino da Imperial Pacific após a morte de um trabalhador e denúncias de violações do sistema de vistos de trabalho dos Estados Unidos. Ao longo dos anos, a companhia enfrentou acusações que incluíam abusos trabalhistas, irregularidades salariais e contratação de trabalhadores sem documentação legal.
Na época, a Imperial Pacific negou qualquer irregularidade e chegou a contestar reportagens da imprensa na Justiça. Posteriormente, porém, autoridades dos EUA indiciaram diversas pessoas ligadas à empresa em processos relacionados a crimes trabalhistas e migratórios.
A detenção de Cui reacendeu o debate sobre o legado do projeto do cassino da Imperial Pacific e sobre os desafios regulatórios enfrentados por operadores de jogos em jurisdições associadas aos Estados Unidos. Embora o processo atual esteja centrado em questões de imigração, e não diretamente em infrações ligadas ao jogo, seu envolvimento em um dos colapsos mais emblemáticos do setor na região continua atraindo críticas. Com a audiência marcada para fevereiro de 2026, Cui permanece sob custódia enquanto o DHS segue com o recurso contra sua liberação.
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