Como resultado de uma operação coordenada pela INTERPOL em 40 países e territórios, foram recuperados US$ 342 milhões em moedas oficiais e US$ 97 milhões em ativos físicos e virtuais. A Operação HAECHI VI foi realizada entre abril e agosto de 2025 com o apoio da República da Coreia, tendo como foco sete modalidades de crimes cibernéticos no setor financeiro, incluindo lavagem de dinheiro associada a jogos de azar ilegais.
Recuperação recorde de fundos ilícitos
Investigadores da INTERPOL e das autoridades locais trabalharam em conjunto para identificar e reprimir fraudes online e operações de lavagem de dinheiro. Ao todo, conseguiram bloquear mais de 68 mil contas bancárias vinculadas a crimes e congelar cerca de 400 carteiras de criptomoedas. Segundo o site oficial da organização, a operação resultou ainda na recuperação de aproximadamente US$ 16 milhões em valores suspeitos provenientes de carteiras de criptoativos.
Os resultados da HAECHI VI evidenciam a dimensão global do cibercrime. Em Macau, autoridades locais prenderam criminosos que usavam identidades falsas em uma popular plataforma de pagamentos online. Em Portugal, uma rede formada por vários grupos se apropriou ilegalmente de recursos destinados a famílias vulneráveis. No total, 45 suspeitos foram presos por invadir contas da seguridade social e alterar dados bancários, desviando US$ 270 mil de 531 vítimas.
Na Tailândia, a Polícia Real confiscou US$ 6,6 milhões em ativos roubados, a maior recuperação em um único caso no país até hoje. O esquema envolvia um sofisticado golpe de comprometimento de e-mails corporativos, organizado por uma rede internacional com integrantes tailandeses e africanos. A quadrilha conseguiu enganar uma grande corporação japonesa, induzindo-a a transferir fundos para uma empresa fictícia em Bangcoc.
Sistema I-GRIP de interceptação de pagamentos
Outra ação de destaque ocorreu quando a INTERPOL conseguiu recuperar 6,6 bilhões de wons sul-coreanos (cerca de US$ 3,91 milhões) desviados para uma conta ilegal em Dubai. O golpe teve como alvo uma siderúrgica da Coreia do Sul, após a falsificação de documentos de transporte. A rápida coordenação entre a Agência Nacional de Polícia da Coreia e as autoridades dos Emirados Árabes Unidos, por meio do sistema I-GRIP (Global Rapid Intervention of Payments) da INTERPOL, permitiu interceptar a transação a tempo e recuperar os valores integralmente.
Lançado em 2022, o I-GRIP já se consolidou como um mecanismo global eficaz para bloquear pagamentos suspeitos, atuando como ferramenta essencial no combate a fraudes financeiras transnacionais.
O diretor interino do Centro de Crimes Financeiros e Corrupção da INTERPOL, Theos Badege, destacou que a operação HAECHI, somada ao uso do I-GRIP, comprova que é possível recuperar fundos perdidos em golpes digitais: “A cooperação global pode proteger sistemas financeiros e comunidades. Encorajamos mais países a se juntarem a esses esforços.”
Já Lee Jun Hyeong, chefe do Escritório Central Nacional da Interpol em Seul, reforçou o papel ativo da Coreia do Sul em iniciativas internacionais contra fluxos financeiros ilícitos: “A Operação HAECHI confirma a eficácia da ação conjunta. Continuaremos nossa parceria com a INTERPOL e com autoridades policiais de todo o mundo.”
Operação global com alcance em todos os continentes
O sucesso da aplicação do sistema I-GRIP e os resultados da operação confirmam a eficácia da cooperação internacional no combate ao cibercrime. A HAECHI VI envolveu países e territórios de todos os continentes, incluindo: Albânia, Argentina, Armênia, Austrália, Brasil, Bulgária, Camboja, Canadá, China, Filipinas, Alemanha, Gana, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irlanda, Japão, Cazaquistão, Liechtenstein, Macau, Malásia, Maldivas, Nigéria, Polônia, Portugal, Catar, Romênia, Seychelles, Singapura, África do Sul, Espanha, Suécia, Tailândia, Timor-Leste, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã, entre outros.
ASEAN une forças contra o cibercrime
Ainda neste ano, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) reafirmou o compromisso de enfrentar o avanço dos crimes transnacionais e das fraudes online na região. Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores em Langkawi, Malásia, foram discutidas estratégias para combater delitos como tráfico de pessoas, contrabando de drogas e fraudes cibernéticas.
Os ministros ressaltaram a importância da cooperação regional para fortalecer a segurança e propuseram novas iniciativas, como a criação de um grupo de trabalho contra a lavagem de dinheiro e de uma força-tarefa regional especializada em crimes cibernéticos.
A China também manifestou apoio ao combate contra o jogo online ilegal transfronteiriço e fraudes telefônicas, que se tornaram particularmente comuns em áreas como a Zona Econômica Especial do Triângulo Dourado. Estima-se que redes criminosas atuantes nessa região movimentem mais de US$ 43,8 bilhões por ano em atividades ilícitas, incluindo cibercrimes..
Este artigo foi publicado originalmente em russo em 25 de setembro de 2025.
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