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Itaquaquecetuba lança loteria municipal para ampliar receitas 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

A cidade de Itaquaquecetuba, localizada no interior do estado de São Paulo, anunciou na última quinta-feira o lançamento de sua loteria municipal. Assim como todas as outras cidades que tomaram a iniciativa de criar suas próprias loterias, Itaquaquecetuba também tem o objetivo de gerar arrecadação própria, reforçando o investimento em áreas sociais como saúde, cultura, esporte e segurança, sem precisar elevar os impostos. 

Regulamentada pela Lei Municipal nº 3.806/2024 e pelo Decreto nº 8.408/2024, a operação vai funcionar em regime de concessão pública por 20 anos, sob supervisão da Secretaria de Finanças de Itaquaquecetuba, que ficará responsável pela fiscalização e normatização do serviço. A empresa que ficará à frente da operação é a SPLOTO. 

Durante o evento de lançamento, foram apresentados os detalhes sobre o funcionamento da nova loteria, que ainda está em fase de implementação. A previsão é que as apostas se iniciem no primeiro trimestre de 2026, após a conclusão dos trâmites técnicos e administrativos. 

O prefeito Eduardo Boigues (PL) comentou: “A loteria municipal representa uma nova forma de investimento social. Parte do valor arrecadado voltará diretamente para a população, financiando ações que melhoram a qualidade de vida em diferentes áreas. É um projeto inovador e que traz autonomia financeira ao município”

Projeções, modalidades e funcionamento 

Nos primeiros cinco anos, a prefeitura estima que serão investidos R$ 4,5 milhões, com receita bruta projetada de R$ 326 milhões, dos quais R$ 260 milhões estariam destinados a prêmios distribuídos e R$ 10,7 milhões em repasses diretos e indiretos ao poder público. O projeto também prevê a criação de mais de 200 empregos e oferecer atendimento ao consumidor 24 horas por dia, via telefone, WhatsApp e e-mail. A nova Loteria Municipal de Itaquaquecetuba contará com quatro modalidades principais: 

  • Quota fixa, destinada a apostas esportivas físicas e online; 
  • Instantânea, com raspadinhas físicas e virtuais; 
  • Prognóstico numérico, semelhante aos tradicionais jogos de loteria tipo Mega‑Sena, Quina e Keno; 
  • Passiva, no molde da Loteria Federal e títulos de capitalização. 

As apostas poderão ser feitas também em ambiente digital, com certificação internacional de segurança, e a rede de vendas incluirá mais de 200 pontos comerciais e 10 unidades exclusivas entre agências lotéricas e parceiros credenciados. Para garantir integridade ao serviço, a prefeitura e a SPLOTO definiram diretrizes de “jogo responsável”, com foco na prevenção ao vício, proibição de apostas por menores de 18 anos e campanhas educativas sobre uso consciente das apostas. 

O secretário de Governo, Marcello Barbosa, comentou que “a criação da loteria municipal é resultado de planejamento e responsabilidade. O processo seguiu todas as etapas legais e está alinhado às boas práticas de governança pública. É uma conquista que alia inovação e seriedade.” Já o secretário de Finanças, Peterson Ferreira, falou sobre o impacto para as contas públicas: “A loteria é uma alternativa sustentável para gerar receita sem aumentar impostos. Esses recursos permitirão reforçar investimentos em ações sociais, culturais, esportivas, de saúde e segurança, além de garantir mais autonomia financeira ao município, com segurança jurídica e transparência.” 

Contexto nacional e desafios 

O projeto de loteria de Itaquaquecetuba segue uma tendência que tem sido bem comum no Brasil, os municípios têm recorrido a loterias municipais como forma de diversificar fontes de receita. Por exemplo, na cidade de Caucaia (CE), o conselho municipal aprovou projeto para a criação da “Loteria Municipal do Povo de Caucaia” com objetivo bem parecido: aumentar a capacidade de arrecadação para financiar serviços públicos. Advogados e especialistas dizem que as loterias municipais “reforçam o pacto federativo e a livre concorrência”, abrindo espaço para que municípios também participem da exploração desta atividade econômica.  

No caso de Itaquaquecetuba, a lei municipal nº 3.806/2024 (que instituiu o serviço público municipal de loteria) foi regulamentada pelo decreto 8.408/2024, que especifica as modalidades permitidas, os requisitos para publicação de regras, controle da ludopatia, o canal de atendimento ao consumidor e a certificação de apostas eletrônicas. 

O que muda para a cidade 

Para os moradores de Itaquaquecetuba, a loteria municipal pode trazer dois tipos de efeitos principais. Primeiro, vão poder se beneficiar dos retornos que o investimento trará, refletindo nos setores que são mantidos pelo estado, isso significa maior suporte à saúde, maior oferta de atividades culturais, melhor estrutura para esporte e lazer. A promessa de que não se trata apenas de “mais um jogo de apostas”, mas sim de um instrumento de política pública, pode fazer diferença na percepção da população. Segundo, a sinalização de que o município busca maior autonomia financeira, reduzindo a dependência de repasses estaduais ou federais e buscando fontes próprias de receita. 

Ainda assim, há pontos que merecem atenção. A regulamentação menciona explicitamente exigências como a publicação das regras de cada produto lotérico, probabilidade de premiação, meios de comercialização, tecnologias empregadas e garantia de territorialidade no meio eletrônico. Ainda assim, o mercado de loterias municipais ainda enfrenta debates jurídicos, sobre competência federativa, limites de exploração, regulação da internet e apostas on-line. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha reconhecido que os municípios podem participar da exploração da atividade lotérica, há ainda divergências e discussões sobre como será o modelo operacional e regulatório para cada ente municipal. 

Perspectiva para o futuro 

Se tudo ocorrer conforme a previsão, Itaquaquecetuba inaugura uma nova fonte de receita no seu orçamento e abre caminho para que o próprio município defina onde aplicar os ganhos. A promessa de investir R$ 4,5 milhões nos primeiros cinco anos, aliada a geração de mais de 200 empregos, já configura um impacto micro-econômico interno. A médio e longo prazo, se a arrecadação alcançar os R$ 326 milhões estimados, pode transformar significativamente o ambiente local de políticas públicas. Mas para que isso ocorra, será crucial: 

  • A efetiva implementação dos canais online e físicos de apostas conforme o cronograma; 
  • A fiscalização rigorosa e independente da operação, garantindo que os prêmios sejam pagos, que os resultados sejam auditados e que a operação siga as regras estabelecidas; 
  • A transparência na destinação dos recursos. A população precisa ver que os ganhos efetivamente estão sendo revertidos em melhorias; 
  • A firmeza nas questões de jogo responsável, com campanhas educativas, prevenção à ludopatia e restrição a menores de idade. 

Se bem executado, o projeto pode ser uma referência para outras cidades médias e grandes do Brasil que buscam diversificar receitas sem aumentar impostos. 

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