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Lei de jogos de Malta: Schirdewan cobra cronograma da Comissão Europeia

Tony Colapinto
Escrito por Tony Colapinto
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O debate sobre as leis de jogos de azar online de Malta voltou ao centro das discussões em Bruxelas. Martin Schirdewan, membro do European Parliament pelo grupo político The Left, apresentou uma nova pergunta parlamentar à European Commission, questionando quando a instituição espera concluir a revisão da controversa legislação maltesa.

A questão está relacionada ao procedimento de infração iniciado pela Comissão Europeia contra Malta. Até o momento, não foi estabelecido um prazo para a conclusão da análise jurídica.

Schirdewan solicitou que a Comissão esclareça quando pretende finalizar a avaliação dos argumentos apresentados por Malta. O parlamentar também questiona se é possível indicar uma data para a conclusão dessa análise e para a definição dos próximos passos.

Resposta da Comissão Europeia e revisão em andamento

A nova pergunta parlamentar foi apresentada poucos dias depois de a Comissão Europeia responder, em 2 de fevereiro de 2026, a uma consulta anterior. Na ocasião, o órgão executivo da União Europeia confirmou que ainda está analisando as observações enviadas pelo governo maltês sobre a legislação nacional em questão.

Bruxelas informou que decidirá os próximos passos após examinar os argumentos de Malta, mas não indicou qualquer prazo para essa decisão.

A ausência de um cronograma levou Schirdewan a apresentar uma nova pergunta parlamentar, buscando maior clareza sobre quando a Comissão pretende tomar uma decisão.

O caso do “Bill 55” e as alterações à Gaming Act

A disputa gira em torno de uma emenda de 2023 à legislação de jogos online de Malta, conhecida como “Bill 55”, atualmente incorporada à Gaming Act.

A medida permite que tribunais malteses recusem reconhecer ou executar determinadas decisões judiciais emitidas por tribunais de outros Estados-membros da União Europeia contra operadores de jogos online licenciados em Malta.

Na prática, a lei autoriza juízes malteses a não aplicar decisões judiciais estrangeiras caso considerem que essas determinações contrariam a política pública do país ou as regras que regem o setor de jogos em Malta.

A legislação foi introduzida em um momento em que diversas ações judiciais estavam sendo movidas em diferentes países europeus contra operadores de jogos online licenciados em Malta.

Possível conflito com o direito da União Europeia

Segundo a Comissão Europeia, a disposição maltesa pode entrar em conflito com o Brussels I bis Regulation, oficialmente Regulamento (UE) nº 1215/2012, que estabelece regras sobre jurisdição e reconhecimento de decisões judiciais civis e comerciais em toda a União Europeia.

O sistema jurídico da UE baseia-se no princípio da confiança mútua entre os tribunais dos Estados-membros. Nesse modelo, decisões judiciais proferidas em um país do bloco devem ser reconhecidas e executadas nos demais, salvo em circunstâncias excepcionais relacionadas à ordem pública.

Bruxelas argumenta que a alteração legislativa adotada por Malta pode enfraquecer esse mecanismo de cooperação judicial.

Em junho de 2025, a Comissão Europeia iniciou formalmente um procedimento de infração contra Malta, solicitando que o governo do país explique como a nova lei se relaciona com as normas da União Europeia.

A posição de Malta e a defesa de seu modelo regulatório

As autoridades maltesas defendem a legitimidade da medida, afirmando que a norma não concede imunidade automática às empresas que possuem licenças de jogos emitidas em Malta.

De acordo com o governo maltês, a legislação reafirma um princípio já presente no direito da União Europeia: um Estado-membro pode recusar a execução de uma decisão judicial estrangeira quando ela entra em conflito com sua própria ordem jurídica nacional. Na visão de Malta, a lei também serve para proteger o modelo regulatório do país para jogos online, permitindo que operadores estabelecidos no território maltês atendam mercados internacionais dentro do sistema regulatório local.

Um caso acompanhado de perto pela indústria europeia de jogos

A disputa entre Bruxelas e Malta vem sendo acompanhada com grande atenção pela indústria europeia de iGaming. O país é considerado um dos principais polos regulatórios do setor na Europa, além de sediar diversas empresas internacionais que atuam no mercado de apostas e jogos digitais.

O resultado do procedimento de infração pode ter implicações significativas para o setor de jogos na Europa, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre as regras nacionais e o princípio europeu de reconhecimento mútuo de decisões judiciais.

Quando a Comissão Europeia concluir a análise dos argumentos apresentados por Malta, decidirá se o caso será arquivado ou se novas medidas serão adotadas. Entre as possibilidades está o encaminhamento do processo ao Court of Justice of the European Union. Observadores da indústria aguardam a definição de um cronograma claro para a decisão da Comissão, já que o desfecho do caso pode ajudar a esclarecer um dos debates jurídicos mais sensíveis atualmente: a relação entre a regulamentação nacional de jogos e o direito europeu.

Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 9 de março de 2026.

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