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Malásia dá última chance ao Facebook para agir contra anúncios de jogos de azar

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Malásia está considerando tomar medidas legais contra o Facebook diante do aumento da preocupação com a disseminação de golpes online e conteúdos relacionados a jogos ilegais nas plataformas de redes sociais.

O ministro das Comunicações, Fahmi Fadzil, afirmou que o governo acredita que a plataforma não vem cooperando de forma suficiente com as autoridades locais nos esforços para combater atividades nocivas no ambiente digital. Durante o Encontro Interagências de Combate a Golpes Online, Fahmi sugeriu que o Facebook recebeu uma espécie de “última oportunidade” para demonstrar disposição em colaborar mais de perto com os reguladores antes que medidas mais severas sejam adotadas.

Segundo ele, qualquer decisão relacionada a uma eventual ação judicial ficará sob responsabilidade da Malaysian Communications and Multimedia Commission.

Mais de 200 mil solicitações de remoção

As autoridades revelaram que, entre 1º de janeiro de 2026 e 23 de maio de 2026, os reguladores da Malásia enviaram 271.472 solicitações de remoção de conteúdo para plataformas digitais. De acordo com Fahmi, cerca de 91% desses pedidos estavam ligados a golpes online ou operações de jogos ilegais.

O Facebook concentrou a maior parte do conteúdo sinalizado. As autoridades informaram que 81% do material relacionado a jogos ilegais identificado pelos reguladores foi encontrado na plataforma, enquanto 58% do conteúdo ligado a golpes também teve origem no Facebook.

Os números aumentaram a preocupação dentro do governo de que os atuais sistemas de moderação não estejam respondendo com rapidez suficiente às solicitações das autoridades locais. Para os representantes públicos, o problema já ultrapassa a questão da moderação de conteúdo e passou a representar uma séria ameaça econômica e social.

Fahmi afirmou que os malaios perderam aproximadamente RM2,7 bilhões (US$ 640 milhões) apenas no último ano em decorrência de golpes. As perdas incluem fraudes de investimento, ataques de phishing, falsas vendas online, golpes de falsidade ideológica e esquemas vinculados a jogos ilegais.

Novo comitê deve ser criado

Ao mesmo tempo, o Bank Negara Malaysia teria bloqueado transações relacionadas a golpes no valor de RM1,2 bilhão (US$ 285 milhões), destacando o papel crescente das instituições financeiras no combate às fraudes cibernéticas. Agora, o governo avalia a criação de um novo comitê de coordenação contra golpes, envolvendo reguladores, bancos, empresas de telecomunicações, órgãos de fiscalização e especialistas em segurança digital.

As autoridades esperam que uma estrutura centralizada possa melhorar o compartilhamento de informações e reduzir atrasos entre os órgãos envolvidos durante investigações e ações de fiscalização.

Fahmi afirmou que a proposta deve ser apresentada ao gabinete da Malásia nas próximas semanas e acrescentou que o governo deseja implementar o comitê o mais rápido possível. Além das perdas financeiras, o ministro também destacou os impactos emocionais e psicológicos causados pelas fraudes às vítimas.

Segundo ele, muitas pessoas acabam perdendo economias de toda a vida, negócios e estabilidade financeira de longo prazo após serem enganadas por redes organizadas de fraude online. O mais recente alerta da Malásia ao Facebooksurge apenas alguns meses após relatos de que autoridades realizaram uma operação em um escritório ligado à Meta no país e emitiram advertências regulatórias à companhia.

As autoridades afirmam que as ações de fiscalização já foram intensificadas nas principais plataformas de redes sociais. No ano passado, cerca de 160 mil publicações foram removidas do Facebook, TikTok e YouTube por violarem os padrões de segurança online da Malásia, sendo que o Facebook respondeu sozinho por aproximadamente 57% de todas as remoções.

Durante o mesmo evento, a Malaysian Communications and Multimedia Commission também assinou um memorando de entendimento com a Global Anti-Scam Alliance para fortalecer a cooperação internacional no combate a fraudes digitais e redes de golpes.

O acordo terá foco em compartilhamento de inteligência, programas de treinamento, campanhas de conscientização pública e cooperação internacional em ações de fiscalização, enquanto a Malásia aumenta a pressão sobre plataformas globais de tecnologia.

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