O governador de Ohio, Mike DeWine, propôs a proibição estadual das chamadas prop bets (apostas em eventos específicos de uma partida) após uma série de incidentes envolvendo arremessadores do Cleveland Guardians. Os episódios incluem denúncias de assédio a atletas, apostas atípicas e suspensões de jogadores. Segundo DeWine, as prop bets foram um “experimento fracassado” e sua proibição é necessária para conter a crescente preocupação com a segurança dos atletas e a integridade das competições.
Investigações da MLB acendem o alerta
As prop bets são apostas focadas em acontecimentos específicos de uma partida — como uma jogada individual — em vez do resultado final. Por permitirem acompanhar o desempenho de jogadores ou lances isolados, esse tipo de aposta se tornou popular entre os fãs.
No entanto, a situação ganhou contornos preocupantes neste verão, quando a Major League Baseball suspendeu os arremessadores Luis Ortiz e Emmanuel Clase, do Cleveland Guardians. Embora os detalhes sobre a suspensão de Clase não tenham sido divulgados, Ortiz foi penalizado por envolvimento em apostas suspeitas em duas partidas, contra Mariners e Cardinals.
De acordo com a empresa de monitoramento IC360, nessas partidas foram registradas apostas volumosas em dois arremessos específicos que passaram muito próximos da zona de strike — o que levantou suspeitas de possível manipulação ou vazamento interno de informações. As apostas vieram de estados onde o jogo é regulamentado, como Ohio, Nova Jersey e Nova York, e o padrão delas indica que não foram feitas ao acaso.
DeWine reforça críticas e cobra ação
O governador Mike DeWine pediu a proibição das prop bets (apostas em eventos específicos dentro das partidas) em Ohio, citando preocupações sobre o impacto dessa prática na integridade dos esportes e na segurança dos atletas. Ele afirmou que as evidências dos danos causados pelas prop bets no estado estão aumentando. DeWine apontou para um crescimento nas ameaças contra atletas e questionou se essa modalidade de aposta está comprometendo a justiça dos jogos.
Ele alertou que, caso os fãs comecem a duvidar da legitimidade dos resultados esportivos ou a acreditar que os atletas são influenciados pelas apostas, a confiança pública nos esportes pode diminuir significativamente. DeWine descreveu as prop bets como um teste social e ético que, na sua visão, não trouxe resultados positivos.
DeWine declarou: “As evidências de que as prop bets estão prejudicando o atletismo em Ohio estão alcançando um ponto crítico. Primeiro, houve ameaças contra atletas de Ohio, e agora dois atletas profissionais de alto nível do estado foram suspensos pela Major League Baseball como parte de uma ‘investigação sobre apostas esportivas’.”
The evidence that prop betting is harming athletics in Ohio is reaching critical mass. A particular problem is with micro prop bets – prop bets on highly specific events within games that are completely controlled by one player.
— Governor Mike DeWine (@GovMikeDeWine) July 31, 2025
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O panorama geral
Alguns atletas profissionais relataram ter recebido ameaças e assédio relacionados às prop bets. Lance McCullers Jr. revelou que sua família foi ameaçada por um apostador embriagado no exterior. Nathaniel Lowe, do Washington Nationals, mencionou receber mensagens abusivas regularmente, com linguagem ofensiva. Esses casos evidenciam o impacto negativo que as apostas sobre o desempenho individual dos jogadores podem causar nos atletas.
O governador DeWine solicitou que a Comissão de Controle de Cassinos de Ohio tome uma atitude imediata. A decisão deles pode influenciar a forma como outros estados lidarão com as leis relacionadas às prop bets.
DeWine acrescentou ainda: “O prejuízo para os atletas e para a integridade do jogo é evidente, e os benefícios não compensam os danos. A experiência das prop bets neste país tem sido um fracasso retumbante. Apelo à Comissão de Controle de Cassinos que corrija esse problema e retire todas as prop bets do mercado de Ohio.”
Proibição em esportes universitários já é realidade
A preocupação com as prop bets não se limita aos esportes profissionais. Em fevereiro do ano passado, Ohio já havia proibido apostas em eventos individuais em partidas universitárias, após casos envolvendo atletas da Universidade de Dayton. Jogadores foram xingados e até cobrados por valores via redes sociais após lances mal executados — como lances livres desperdiçados.
Em resposta, o presidente da NCAA, Charlie Baker, defendeu uma proibição nacional das prop bets em esportes universitários, ressaltando os riscos para a integridade das competições e o bem-estar dos estudantes-atletas. “As mensagens horríveis que vemos nas plataformas online são inaceitáveis. Estudantes-atletas estão sendo ameaçados publicamente e em particular por causa de apostas perdidas”, declarou.
Impacto financeiro e reação da indústria
As prop bets representam uma fatia significativa das receitas de casas de apostas esportivas. Uma eventual proibição, portanto, poderia trazer impactos econômicos imediatos para o setor. No entanto, especialistas argumentam que os benefícios de longo prazo — como a preservação da integridade esportiva e a segurança dos atletas — superam as perdas financeiras pontuais.
A proposta de DeWine integra o Projeto de Lei 33, que trata da revisão de leis de jogo e da distribuição orçamentária no estado. Cabe agora à Comissão de Controle de Cassinos de Ohio decidir se o estado será pioneiro ao proibir totalmente as prop bets, inclusive em esportes profissionais.
Outros estados, como Nova York e Pensilvânia, já proibiram esse tipo de aposta em competições universitárias. Nova Jersey, por sua vez, analisa a possível proibição das microbets — uma modalidade semelhante, mas ainda mais propensa a estimular o jogo compulsivo por permitir apostas rápidas e constantes ao longo do jogo.


