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Regulamentando a África: uma abordagem centrada no jogador

Katy Micallef
Escrito por Katy Micallef
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Realizada na Grand Arena do GrandWest, na Cidade do Cabo, o primeiro dia da conferência SiGMA África 2026 começou com um debate sobre os próximos passos dos mercados africanos à medida que entram em uma fase de maior maturidade. A conversa destacou os benefícios da cooperação regional — especialmente na busca pelo equilíbrio ideal entre proteção ao jogador e crescimento do setor.

Participaram do painel a moderadora Zoe Siwa, CFO do Western Cape Gambling and Racing Board, e os palestrantes: Vusi Mtsweni, CEO do Mpumalanga Economic Regulator (MER); James Mbalwe, CEO do Gaming Board of Tanzania; Peter Emolemo Kesitilwe, CEO da African iGaming Alliance (AiA); e Denis Ngabirano, CEO do National Lotteries and Gaming Regulatory Board.

Encontrando o equilíbrio

Ao abordar a questão do equilíbrio, Peter Emolemo Kesitilwe expressou sua preocupação de que o mercado não espere que regulações lentas consigam acompanhar seu ritmo. Segundo ele, as primeiras legislações foram pensadas para atender aos estabelecimentos físicos tradicionais. Ninguém imaginava, à época, a chegada de criptomoedas ou da inteligência artificial.

“Tudo foi construído com base em ferramentas tradicionais e reguladas. Por isso, as apostas online cresceram em um ritmo muito mais rápido do que os instrumentos regulatórios estavam preparados para lidar.”

Para Peter, o risco não está no crescimento em si — isso, segundo ele, é irrelevante. “O que realmente precisamos priorizar é a proteção do jogador.” Ele complementa, com bom humor: “Tudo se resume à escolha. Basta rejeitar as escolhas ruins.”

“Você não protege os jogadores encolhendo o mercado legal. Você os protege tornando o mercado legal mais seguro do que o ilegal”, aconselha. Como fazer isso? Olhando para dados, e não para ideologias. Apostando em intervenções baseadas em risco, em vez de restrições genéricas. Ele defende regras mais claras e aplicação consistente.

Sua conclusão resume bem o desafio: “Regulação excessiva empurra os jogadores para a ilegalidade. Falta de regulação gera danos. O equilíbrio está na regulação inteligente.”

O caso de Uganda: políticas baseadas em evidências e crescimento do setor

Vusi Mtsweni compartilhou sua experiência com o mercado de jogos em Uganda. “O jogo na África, especialmente em Uganda, deixou de ser emergente — está amadurecendo. E essa maturidade traz uma grande responsabilidade.”

A proteção ao jogador é um ponto de pressão, explicou ele, mas é preciso cuidado para não frear o crescimento do setor.

“Temos sido cautelosos para não desacelerar o crescimento, pois este é um setor que gera empregos — emprega mais de 10 mil jovens, impulsiona a inovação e arrecada receitas significativas para o país. A solução está em políticas orientadas por evidências. Em Uganda, focamos na automação de todos os processos para usar dados como base para nossas decisões.”

Segundo ele, os dados permitem compreender melhor o comportamento dos jogadores e identificar onde estão os riscos. Isso orienta políticas que promovem o jogo responsável e evitam empurrar usuários para mercados não regulamentados.

“O jogo não respeita fronteiras nacionais”, enfatizou. “Precisamos colaborar como blocos regionais para padronizar nosso ambiente regulatório, compartilhar informações e mudar a percepção negativa sobre o setor, que acaba pressionando as políticas de proteção ao jogador.”

Três tendências que emergem nos mercados africanos

Peter destacou que a África é um continente mobile-first. Citando um quiz realizado na cerimônia de premiação da noite anterior, lembrou que 81% dos sul-africanos jogam e apostam pelo celular. O crescimento digital no continente tem sido acelerado.

Em segundo lugar, os reguladores africanos estão priorizando a proteção ao jogador. Governos estão implementando verificações de capacidade financeira, controles de publicidade e medidas de jogo responsável.

Embora se diga que a África já não é um mercado emergente, mas sim em transição, agora se percebe que a sustentabilidade do mercado precisa ser equilibrada. Se o mercado regulamentado se tornar pouco atrativo, os jogadores migram para plataformas offshore, onde não há proteção governamental nem regulatória.

Fortalecendo a proteção ao jogador

A Tanzânia é um mercado que cresce de forma extremamente rápida, afirmou James Mbalwe. “Não podemos avançar sem fortalecer a proteção ao jogador.”

O principal desafio no país são os operadores ilegais que não seguem padrões operacionais.

O que pode ser feito?

“É preciso encontrar um equilíbrio entre proteger o jogador e, ao mesmo tempo, manter o mercado competitivo.” Isso passa por focar nos operadores ilegais — não apenas combatendo-os, mas também promovendo conscientização e divulgando quem são, de fato, os operadores licenciados.

O país também conduz iniciativas de jogo responsável por meio de campanhas em regiões onde a presença regulatória ainda é limitada.

Outro ponto a ser aprimorado é o compartilhamento de informações entre países. “Ainda usamos métodos manuais”, observou James. “Precisamos investir em tecnologia para regular melhor o setor e nos alinhar ao resto do mundo.”

“Os jogadores não saem porque odeiam a regulação”, afirmou Vivi. “Eles saem porque as plataformas ilegais offshore são mais rápidas, simples e sem fricção.” Segundo ele, se o excesso de burocracia afetar o desempenho dos aplicativos ou a publicidade, os jogadores migram em segundos. A solução é clara, ainda que desconfortável: manter a conformidade rigorosa, mas tornar o mercado legal competitivo.

Peter acrescentou: “O verdadeiro risco para a lucratividade é um ambiente regulatório instável, e não o jogo responsável. Os principais operadores enxergam o jogo responsável como um investimento de longo prazo na sustentabilidade do mercado.” Ele destacou a adoção recente de limites de depósito, ferramentas de autoexclusão, monitoramento comportamental, educação do jogador e outras iniciativas que também fortalecem a confiança dos reguladores e dos consumidores.

Olhando para as evidências

Denis Ngabirano defendeu que o foco deve estar na combinação entre pesquisa baseada em dados e a contribuição dos stakeholders. O ponto de partida é o uso de dados operacionais para entender o comportamento e os riscos dos jogadores.

“É fundamental envolver os operadores, para que as decisões ajudem a sustentar seus negócios. Não existe uma única fonte isolada. É preciso combinar todos esses elementos.”

Ele destacou ainda que a padronização é um grande desafio. Muitos operadores atuam em vários países africanos, e a harmonização regulatória se torna mais complexa devido à percepção negativa sobre o setor.

Um plano de três anos

Para os próximos três anos, o painel concordou que a principal prioridade da África deve ser fortalecer a proteção ao jogador sem comprometer o crescimento da indústria, colocando dados e supervisão digital no centro das reformas. Os reguladores precisam de acesso em tempo real aos dados dos operadores para monitorar comportamentos online, detectar riscos precocemente e reagir à evasão para plataformas offshore. Sem essa visibilidade, a supervisão sempre ficará atrás de um mercado digital em rápida evolução.

Outro foco importante é compreender o perfil psicológico do jogador. Muitas discussões se concentram em pessoas já em situação de crise, em vez de prevenir danos em estágios iniciais. Com o uso de tecnologia e análise comportamental, reguladores e operadores podem estabelecer limites adequados e desenhar intervenções alinhadas à forma como os usuários realmente interagem com os produtos de jogo.

O painel também destacou a necessidade de mecanismos estruturados de resolução de disputas para proteger os jogadores em conflitos com operadores. Sistemas claros e acessíveis de reclamação fortalecem a confiança nos mercados regulamentados.

Em síntese, a estratégia africana para os próximos três anos deve priorizar supervisão digital, compartilhamento de dados, ferramentas proativas de proteção e aplicação justa das regras — garantindo que crescimento e responsabilidade avancem juntos, e não em oposição.

Sobre a Alea

A Alea é uma plataforma B2B de iGaming que permite aos operadores de cassino acessar uma ampla seleção de jogos e provedores por meio de uma única integração. A empresa tem como foco transparência, desempenho e escalabilidade, apoiando o crescimento de operadores em mercados maduros e emergentes. A África é atualmente uma das regiões estratégicas da companhia em sua expansão global.

Como parceira geral da SiGMA África 2026, a Alea apoia a missão do evento de promover crescimento sustentável e colaboração entre os players do setor em todo o continente. Participantes interessados em soluções de agregação escaláveis e oportunidades no mercado africano podem encontrar a equipe da Alea no estande 065 durante a conferência na Cidade do Cabo.

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