O governo de Timor-Leste aprovou uma resolução que determina a revogação das licenças de jogos e apostas online, alegando riscos à estabilidade social e à segurança nacional.
Segundo comunicado do Conselho de Ministros, a medida — apresentada por Agio Pereira, ministro da Presidência do Conselho de Ministros — também prevê o cancelamento dos processos em andamento para concessão de novas licenças e a proibição de emissão de futuras autorizações para atividades do setor.
A execução da resolução ficará a cargo do ministério responsável, em cooperação com as forças de segurança, refletindo a seriedade com que o governo encara a ameaça.
Decisão motivada por alerta da ONU
A iniciativa surge após reiterados alertas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Em setembro, a agência chamou a atenção para o crescimento de redes criminosas organizadas na Região Administrativa Especial de Oecussi, enclave localizado no lado indonésio da Ilha de Timor. O território foi identificado como um possível ponto de entrada para sindicatos transnacionais de jogos de azar online.
No fim de agosto, uma operação policial desmantelou um suposto centro de golpes em uma zona de livre comércio relativamente nova em Oecussi. Mais de 30 estrangeiros foram detidos por trabalharem no local sem autorização.
De acordo com o relatório da UNODC, havia sinais claros de atividades criminosas digitais, incluindo o envolvimento de pessoas já condenadas por crimes relacionados a jogos de azar em outras partes da Ásia. O documento também destacou questões políticas delicadas: um hotel local suspeito de hospedar empresas investigadas é parcialmente administrado por um ocupante de cargo público. O mesmo empreendimento mantém ligações comerciais com outro hotel em Díli associado à antiga liderança da autoridade regional de Oecussi, recentemente afastada.
As investigações das autoridades timorenses já haviam levado à prisão de dez pessoas na região por suspeita de jogo ilegal e fraude informática. Especialistas alertam que a situação repete padrões observados em outros polos do Sudeste Asiático, como Camboja, Laos, Filipinas e Malásia.
Também houve advertências de que o problema pode se agravar à medida que Timor-Leste se prepara para ingressar na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em outubro, ampliando o risco de expansão transfronteiriça das redes ilícitas.
Reação do setor
O movimento do governo recebeu comentários positivos do setor regulado. Datuk Harry Ng, CEO da GRU, concessionária exclusiva de serviços de apoio offshore sob contrato nacional de Timor-Leste, afirmou à SiGMA News que as recentes operações revelaram fragilidades na estrutura de jogos online do país.
Segundo ele, alguns operadores estavam usando licenças domésticas para atuar ilegalmente em mercados externos, gerando concorrência desleal e expondo o país a riscos regulatórios. “O governo reconhece essas fragilidades e está planejando alterações na legislação”, disse Ng. “Mas, por ora, todas as licenças online existentes serão revogadas para evitar novos abusos.”
Com a suspensão temporária, os operadores devem encerrar suas atividades até a implementação do novo marco regulatório. O governo timorense optou por priorizar a proteção dos interesses nacionais, mesmo abrindo mão de oportunidades digitais de curto prazo. Ainda não está claro se as reformas futuras serão suficientes para conter a influência criminosa, mas a decisão sinaliza uma postura mais firme à medida que Timor-Leste se prepara para entrar no cenário regional.
Participe da ação na SiGMA Sul da Ásia, de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2025. Colombo se tornará o epicentro do setor de jogos, reunindo 5.000 participantes, mais de 100 palestrantes e 1.000 operadores sob o mesmo teto. Um evento com tráfego qualificado, insights transformadores e networking inesquecível — o ponto de encontro onde novos mercados encontram novas oportunidades.




