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Zaragoza lança programa para combater ludopatia em escolas: 20% dos alunos já apostaram online

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

A cidade de Zaragoza, por meio do Centro Municipal de Atenção e Prevenção das Adições (CMAPA), anunciou uma iniciativa para combater a preocupação com a ludopatia entre os jovens. Sob a liderança da conselheira de Políticas Sociais, Marian Orós, será oferecida uma formação específica sobre dependência do jogo para educadores das instituições de ensino locais. 

O programa intitulado “¿Qué te juegas?”, desenvolvido pela Universidade Miguel Hernández de Alicante, consiste em quatro oficinas que abordam temas como percepção de risco, pensamento crítico e influências grupais relacionadas ao jogo online. O objetivo é capacitar professores para que possam identificar e prevenir comportamentos de risco entre os estudantes. 

De acordo com Orós, o CMAPA já oferece consultoria para famílias e jovens com problemas de dependência de telas e apostas online. O projeto irá focar na prevenção direcionada a alunos do terceiro e quarto anos do Ensino Secundário Obrigatório (ESO), primeiro ano do Bacharelado e Formação Profissional. Profissionais especializados do CMAPA utilizarão os recursos formativos do programa nacional, reconhecido pelo Portal de Boas Práticas do Plano Nacional sobre Drogas, para fornecer aos professores de Zaragoza conhecimentos e materiais que possam ser transmitidos aos alunos.  

O Departamento de Políticas Sociais está desenvolvendo uma campanha de conscientização sobre a dependência de telas, que será lançada em diversos meios publicitários em breve. Um estudo realizado pelo CMAPA no ano anterior revelou que 20% dos alunos entre 12 e 17 anos das instituições de ensino de Zaragoza já apostaram dinheiro online em alguma ocasião, sendo a idade média da primeira aposta aos 13 anos. 

Estrutura do programa “¿Qué te juegas?” 

O programa é composto por quatro oficinas de 50 minutos cada. Cada sessão foi concebida como uma “caixa de ferramentas”, oferecendo duas atividades de 50 minutos cada, permitindo que o facilitador escolha a mais adequada. Caso desejado, é possível aumentar a carga de trabalho adicionando mais atividades e sessões. 

Para cada oficina, são disponibilizados recursos didáticos como textos, atividades práticas para realização em grupo ou individualmente, e vídeos para projeção em sala de aula. 

  • Primeira sessão: “El lobo con piel de cordero”: Aborda a percepção de risco e as razões que motivam as apostas. 
  • Segunda sessão: “Controlando la ilusión de control”: Apresenta conceitos básicos sobre a probabilidade real de ganhar e perder, visando desenvolver o pensamento crítico e promover decisões baseadas em raciocínio, evitando vieses cognitivos. 
  • Terceira sessão: “Cómo nos lo venden”: Foca no impacto das técnicas publicitárias que incentivam as apostas. 
  • Quarta sessão: “Los demás, yo y el juego”: Promove uma reflexão sobre ganhos e perdas, identifica mecanismos de influência e respostas assertivas à pressão do grupo. 

Panorama da ludopatia juvenil na Espanha 

A preocupação com a ludopatia entre os jovens não é exclusiva de Zaragoza. Em toda a Espanha, observa-se um aumento expressivo no envolvimento de adolescentes e jovens adultos em jogos de azar, especialmente no ambiente online. De acordo com o “Estudo de Prevalência de Jogo 2022-2023”, elaborado pela Direção Geral de Ordenação do Jogo do Ministério do Consumo, 36,5% dos jovens entre 18 e 25 anos que jogaram no último ano participaram de apostas online, e, desses, 12,45% desenvolveram sintomas de problemas com o jogo. Além disso, o perfil do jogador na Espanha está se tornando cada vez mais jovem. Em 2021, quase metade dos novos jogadores online eram menores de 25 anos, um aumento considerável em relação aos 28% registrados em 2016.  

Iniciativas de prevenção em outras regiões 

Diversas regiões da Espanha estão implementando programas para combater a ludopatia juvenil. Por exemplo, a Comunidade de Madrid lançou uma campanha de prevenção de adições tecnológicas, incluindo jogos de azar, direcionada a adolescentes. A campanha tem três objetivos principais: conscientizar os adolescentes sobre as consequências das apostas; dissociar o jogo e as apostas de atividades de lazer saudáveis; e promover o desenvolvimento de um pensamento crítico em relação às mensagens que incentivam o jogo. Na Galícia, a associação Érguete atendeu quase 8.000 pessoas com adições em 2024, realizando oficinas de prevenção para mais de 6.500 menores e suas famílias em 15 municípios da região. 

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