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Como a África equilibra o crescimento dos jogos com a proteção dos jogadores

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Em 4 de março, durante a SiGMA África 2026, em Cidade do Cabo, líderes do setor se reuniram para o painel intitulado “Promovendo o Jogo Seguro: o Papel do Jogo Responsável na África”. A sessão analisou como reguladores, operadores e representantes da saúde pública no Quênia, África do Sul e Uganda estão lidando com o desafio de promover a proteção dos jogadores ao mesmo tempo em que apoiam um setor de jogos em rápido crescimento.

O debate contou com a participação de Oluwafisayo Oke, CEO da Gamble Alert; Sibongile Simelane-Quntana, diretora executiva da South African Responsible Gambling Foundation; John Mutua, CEO da Association of Gaming Operators Kenya; Ladipo Abiose Akolade, fundador e CEO da GamblePause Initiative Africa; e M. G. Makoko, CEO do Limpopo Gambling Board. A sessão reuniu perspectivas regulatórias, da indústria e de entidades de defesa social sobre como construir um futuro sustentável e responsável para o setor de jogos na África, com foco central na proteção do jogador.

Definindo o jogo responsável

Moderando a discussão, Oke iniciou provocando a plateia a refletir sobre o que, de fato, significa jogo responsável. Ele destacou que as definições variam amplamente entre reguladores, operadores e a sociedade civil.

Makoko explicou que, do ponto de vista regulatório, o jogo responsável está incorporado a normas formais e estruturas de conformidade. “Como parte das nossas regulamentações, implementamos programas voltados aos jogadores para minimizar danos. Esperamos que os operadores promovam o jogo responsável e garantam que o jogo seja visto como entretenimento”, afirmou. Auditorias, condições de licenciamento e contribuições obrigatórias para fundações de jogo responsável fazem parte desse sistema de supervisão.

No entanto, os painelistas concordaram que o jogo responsável precisa ir além do simples cumprimento de regras. Ele deve se traduzir em ferramentas práticas, como mecanismos de autoexclusão, períodos de pausa (cooling-off) e serviços de apoio acessíveis, capazes de proteger ativamente os jogadores.

Proteção sem transferir a responsabilidade de forma equivocada

A partir da perspectiva da Nigéria, Akolade ressaltou que proteger a “linha vital da indústria” exige colocar o jogador em primeiro lugar. “Não queremos crianças jogando, nem na África nem em qualquer outro lugar do mundo”, afirmou, destacando a necessidade de padrões éticos de publicidade e de campanhas de conscientização que ajudem as famílias a identificar sinais precoces de dependência. “Trata-se de implementar ferramentas e colaborar em toda a África para que possamos ter um padrão comum de atuação.”

Simelane-Quntana levantou uma questão mais conceitual: se a indústria realmente compreende o peso do próprio termo “jogo responsável”. “Assumimos que todas as pessoas interagem com as ferramentas de proteção da mesma forma”, observou, referindo-se ao que chamou de “efeito de homogeneidade”. Sem padrões consistentes e dados sociais e econômicos mais profundos, a intervenção tende a ser reativa, e não preventiva. “Esperamos o navio afundar para agir?”, questionou, defendendo medidas mais precoces e direcionadas.

Ela também colocou em dúvida se, em alguns casos, a responsabilidade não acaba recaindo excessivamente sobre o jogador. “Precisamos analisar se a própria linguagem utilizada não sugere uma culpa individualizada”, acrescentou.

Receita versus responsabilidade

Representando os operadores, Mutua abordou a tensão entre objetivos comerciais e proteção social. “O operador é uma entidade comercial, está ali para gerar receita”, reconheceu. “Mas a necessidade de ganhar dinheiro não pode se sobrepor à proteção do jogador. Se você só tem jogadores no curto prazo, não tem um negócio sustentável.”

Segundo Mutua, o design dos produtos, a educação do público e a autorregulação precisam estar alinhados às exigências regulatórias. “Encontrar esse equilíbrio é fundamental. Isso exige tanto do governo quanto dos operadores as ferramentas certas e a intenção correta”, afirmou.

Makoko reforçou esse ponto, rejeitando a ideia de que reguladores ignorem os riscos ao conceder licenças. “Quando emitimos licenças, os operadores precisam demonstrar medidas de jogo responsável e opções de intervenção”, explicou. O monitoramento contínuo e a colaboração com fundações de jogo responsável fazem parte desse processo de fiscalização.

Crescimento sustentável

À medida que as receitas do setor de jogos aumentam em diversos países africanos, também cresce a atenção de formuladores de políticas públicas e das comunidades. O painel deixou claro que a estabilidade de longo prazo do mercado depende diretamente da confiança dos jogadores. Sem salvaguardas eficazes de jogo responsável, o crescimento corre o risco de ser comprometido por danos à reputação e por reações regulatórias mais severas.

Acompanhe nossa cobertura completa com análises aprofundadas, entrevistas exclusivas e os principais insights da SiGMA África 2026, enquanto seguimos reportando os debates que estão moldando o futuro da indústria de jogos em todo o continente.