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Justiça das Filipinas condena ‘prefeita POGO’ Alice Guo à prisão perpétua

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A ex-prefeita de Bamban, Alice Guo, foi condenada à reclusão perpétua, com pena máxima de 40 anos, após um tribunal regional das Filipinas considerá-la culpada por tráfico humano qualificado ligado às operações de um complexo associado a POGO (Operadores Filipinos de Jogos Offshore) em Tarlac.

A decisão é a primeira no país a condenar indivíduos por organizarem e comandarem um esquema de tráfico, marcando uma mudança significativa na estratégia das Filipinas para desmantelar atividades criminosas que atuam sob estruturas vinculadas ao setor de jogos offshore.

Pena de prisão perpétua em condenação inédita de tráfico humano

O Tribunal Regional de Pasig considerou Guo e vários coacusados culpados, além de qualquer dúvida razoável, por arquitetarem uma rede que recrutava e coagiu trabalhadores filipinos e estrangeiros a realizar golpes online dentro do complexo Baofu Land Development. Embora os funcionários fossem recrutados sob a promessa de atuar como atendentes de suporte ao cliente de POGO, o tribunal concluiu que as empresas instaladas no local não eram operadores licenciados e funcionavam como fachada para tráfico humano em larga escala e fraudes digitais.

O tribunal também determinou a perda do terreno de 7,9 hectares onde estava o complexo Zun Yuan Technology — já alvo de operações policiais que identificaram tráfico, trabalho forçado e esquemas de fraude. Documentos de pagamento, autorizações e registros corporativos conectam Guo e a empresa de sua família à administração e ao financiamento do complexo.

Guo participou da leitura da sentença por videoconferência. Vários coacusados permanecem foragidos.

Tribunal detalha a estrutura da rede criminosa

Na decisão, o tribunal descreve uma operação altamente estruturada, na qual Guo e seus parceiros estrangeiros administravam a aquisição do terreno e aprovaram a criação de um arranjo societário que ocultava os verdadeiros proprietários. Uma funcionária foi usada como “laranja” na incorporação para contornar as restrições de propriedade de terras. Ao mesmo tempo, as licenças comerciais foram emitidas — ou permaneceram válidas — apesar do descumprimento das exigências regulatórias e de relatos policiais apontando indícios de tráfico humano dentro do complexo.

As conclusões reforçam um padrão já alertado por parlamentares: que instalações associadas a POGO podem ser usadas para encobrir atividades criminosas, apoiadas por estruturas corporativas opacas e alegações enganosas de operação de jogos offshore.

Hontiveros: vitória contra corrupção, tráfico humano e crimes cibernéticos

A senadora Risa Hontiveros, que presidiu as investigações do Senado sobre operações POGO, classificou a decisão como uma vitória contra corrupção, tráfico humano, crimes cibernéticos e diversas outras atividades ilícitas transnacionais.

Hontiveros também fez um alerta aos que facilitaram as operações ligadas a Guo: “Aos que permitiram que o império criminoso de Alice Guo prosperasse: as Filipinas não são um terreno de exploração, infiltração ou espionagem. A responsabilização está chegando. A justiça sempre encontra um caminho.”

Gatchalian: “Uma grande vitória” e um alerta ao ecossistema POGO

O senador Sherwin Gatchalian, um dos mais contundentes críticos das operações POGO, celebrou o veredicto. 

“A condenação de Alice Guo e seus cúmplices por tráfico qualificado é uma grande vitória para o povo filipino — e também para estrangeiros que foram vítimas das atividades criminosas praticadas por POGOs”, afirmou em postagem no Facebook.

Ele acrescentou: “O Estado de Direito prevaleceu, e a justiça foi feita. A condenação deve servir como alerta para filipinos e estrangeiros que tentam manipular a burocracia para cometer atrocidades como tráfico humano e golpes online.”

O caso representa apenas uma parte do crescente cerco judicial contra Guo. Ela também responde a dezenas de acusações de lavagem de dinheiro, envolvendo fluxos financeiros gerados no mesmo complexo. Investigações paralelas seguem em andamento em outros pontos associados a POGO nas cidades de Porac, Pampanga e províncias próximas.

Em julho de 2024, durante o Discurso sobre o Estado da Nação (SONA), o presidente Ferdinand “Bongbong” Marcos Jr. anunciou a proibição de POGO no país. Marcos afirmou que empresas que se apresentavam como legítimas haviam expandido suas operações para áreas totalmente ilegais — incluindo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, prostituição, tráfico humano, sequestro, tortura e até assassinato.

 

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