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ATG defende modelo sueco de corridas de cavalos

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A operadora sueca de apostas encerrou seu relatório de ganhos de 2025 destacando histórias de prêmios milionários e apoio às corridas de cavalos. No entanto, o momento e a forma como essas mensagens são apresentadas também reforçam um posicionamento estratégico em meio ao debate crescente sobre tributação, canalização e o futuro do mercado regulamentado.

O mais recente relatório anual de ganhos da ATG é apresentado como uma celebração de jackpots, odds elevadas e prêmios “que mudam vidas”. Porém, no atual cenário do debate sobre jogos na Suécia, o documento vai além: funciona também como um lembrete do papel que a empresa afirma desempenhar no financiamento das corridas de cavalos, na geração de empregos no interior e na promoção de benefícios para a sociedade como um todo.

O relatório destaca os maiores prêmios pagos em apostas em corridas, esportes e cassino, ao mesmo tempo em que reforça repetidamente a ideia de que o excedente da ATG retorna, em última instância, para o setor de corridas. “Muitos vencedores. Mas os cavalos são sempre os maiores beneficiados”, afirma o documento. A empresa também ressalta que “não é movida por interesses de lucro privado” e que “todo o lucro restante é reinvestido nos cavalos”.

Nos últimos meses, a operadora tem defendido que as apostas em corridas de cavalos não devem ser tratadas da mesma forma que os cassinos online quando legisladores avaliam impostos e regulamentação — um argumento que também reflete a pressão financeira enfrentada pela companhia. Em seu balanço anual de 2025, a ATG informou que a receita líquida de jogos caiu 2%, enquanto o resultado da controladora recuou de SEK 2,346 bilhões (€202 milhões) para SEK 2,099 bilhões (€181 milhões).

“Tanto a queda na receita quanto o aumento do imposto sobre jogos impactam diretamente o retorno aos nossos proprietários e, consequentemente, enfraquecem o financiamento do setor de corridas de cavalos. Trata-se de uma evolução que levamos muito a sério”, comentou Lotta Nilsson, diretora financeira e vice-presidente executiva.

Um relatório sofisticado com uma mensagem conhecida

O relatório de ganhos oferece à ATG mais argumentos para sustentar essa narrativa. Segundo o documento, as apostas em corridas geraram 214 prêmios de pelo menos um milhão de coroas suecas — cerca de €91 mil ou mais cada. O V75, tradicional produto de apostas em que os jogadores tentam acertar os vencedores de sete corridas, foi responsável por 72 desses prêmios. O V86 respondeu por 54, enquanto o recém-lançado V85 — versão com oito corridas introduzida em outubro — somou 57.

A ATG também informou que mais de SEK 2 bilhões (€183 milhões) foram destinados ao setor de corridas em 2025 e que, desde 1974, esse montante já alcançou quase SEK 60 bilhões (€5,5 bilhões).

As corridas de cavalos sustentam “criadores, treinadores, hipódromos, empregos, eventos e um patrimônio cultural vivo”, afirmou o ex-CEO Hasse Lord Skarplöth, acrescentando: “Ou continuamos fingindo que todas as formas de jogo são iguais, ou passamos a tributar de acordo com o risco e o benefício reais.”

O embate sobre o significado de proteção ao consumidor

Esse posicionamento coloca a ATG em rota de colisão direta com a BOS, a associação sueca do setor de jogos online, além de boa parte das operadoras privadas.

A BOS argumenta que elevar os custos para operadores licenciados pode empurrar os jogadores para sites offshore, que oferecem menos garantias de segurança. Em dezembro passado, a entidade alertou o governo para não apoiar a proposta da ATG de tributação diferenciada. O secretário-geral da BOS, Gustaf Hoffstedt, afirmou: “Quanto maior o imposto, maior o risco de o consumidor optar por operadores não licenciados, onde não há nem tributação nem proteção ao jogador.”

A taxa de canalização na Suécia torna esse debate ainda mais sensível. Em março, a ATG estimou que entre 73% e 84% das apostas no quarto trimestre de 2025 ocorreram dentro do mercado regulamentado — ainda abaixo da meta de 90% estabelecida pelo governo. Tobias Melin, diretor de análise da empresa, destacou: “A canalização está avançando na direção certa, mas ainda há um longo caminho até atingir o objetivo estatal.”

Diante desse cenário, o relatório de ganhos da ATG deixa de parecer apenas uma retrospectiva anual e assume o tom de uma declaração estratégica de posicionamento. Em um momento de pressão sobre os resultados financeiros e de intensificação do debate regulatório, a empresa busca se consolidar, acima de tudo, como a principal financiadora das corridas de cavalos na Suécia.

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