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Desbravando a África Oriental: estratégias de entrada no mercado e parcerias – Parte 2

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A África Oriental, assim como o restante do continente africano, é um mercado diverso e com enorme potencial de crescimento. A região abriga alguns dos mercados de melhor desempenho da África, oferecendo oportunidades significativas para operadores que contam com estratégias bem estruturadas e parcerias sólidas.

Na primeira parte desta entrevista com Christine Akoyo, da Velex Advisory, ela abordou os fatores que impulsionam entradas bem-sucedidas no mercado e as colaborações que ajudam operadores a consolidar sua presença no continente africano. Já na segunda parte da conversa, Akoyo destaca como o comportamento do consumidor, a adoção digital e o engajamento entre stakeholders estão transformando a indústria de apostas na África Oriental.

SiGMA: Como as mudanças no comportamento do consumidor e as tendências de adoção digital estão remodelando as estratégias de parceria nos setores de fintech e jogos?

AC: O comportamento do consumidor na África Oriental está evoluindo muito rapidamente, especialmente por conta da forte adoção de soluções mobile-first.

Hoje, vemos:

  • Uma migração crescente para pagamentos digitais instantâneos e sem fricção;
  • Maior confiança em plataformas móveis em comparação aos sistemas tradicionais;
  • E uma demanda cada vez maior por entretenimento digital e jogos online.

Isso significa que as parcerias precisam estar mais focadas em:

  • Experiência do usuário;
  • Agilidade nas transações;
  • E ofertas de produtos adaptadas às realidades locais.

As marcas que se destacam são aquelas que se conectam a players que já compreendem profundamente esses comportamentos — como operadoras de telecomunicações, provedores de pagamento e plataformas locais.

SiGMA: Qual é o papel do engajamento entre stakeholders na geração de oportunidades de investimento e como alinhar de forma eficiente os interesses dos setores público e privado?

AC: O engajamento entre stakeholders é fundamental nesse mercado. Você pode ter capital e um excelente produto, mas sem alinhamento entre reguladores, empresas privadas e comunidades locais, a execução se torna muito mais difícil.

O que fazemos é reunir todos os stakeholders desde o início para alinhar expectativas, discutir preocupações e identificar objetivos em comum.

A ideia é mudar o foco de uma simples “entrada no mercado” para uma integração efetiva ao ecossistema local. Quando os setores público e privado trabalham em sintonia, o resultado não é apenas mais investimento, mas também crescimento sustentável.

SiGMA: Com o aumento do interesse global pelos mercados africanos, onde você enxerga hoje as maiores oportunidades ainda pouco exploradas para investidores e operadores?

AC: Ainda existe um enorme potencial em áreas como:

  • Infraestrutura de pagamentos, especialmente pagamentos cross-border e soluções habilitadas para criptoativos;
  • Soluções de RegTech, ajudando empresas a navegar pelas exigências regulatórias de forma mais eficiente;
  • Conteúdo e plataformas de gaming localizados;
  • E serviços financeiros integrados a plataformas não financeiras.

Também acredito que exista uma lacuna importante em plataformas capazes de conectar investidores, reguladores e operadores de maneira estruturada, porque o acesso às redes de contato certas ainda é uma das principais barreiras do mercado.

SiGMA: Quais tendências devem definir o crescimento impulsionado por parcerias no mercado da África Oriental nos próximos três a cinco anos?

AC: Nos próximos três a cinco anos, vejo as parcerias se tornando cada vez mais orientadas por ecossistemas, e menos por relações puramente transacionais.

Algumas tendências importantes incluem:

  • Maior participação dos reguladores nas discussões da indústria;
  • Colaborações cross-border mais estruturadas;
  • E um papel crescente das criptomoedas e métodos alternativos de pagamento na expansão dos mercados.

Esse é exatamente o caminho que estamos promovendo com o Gaming Tech Summit Africa (GTSA): não apenas como um evento, mas como uma plataforma de convergência onde reguladores, fintechs, operadores de gaming e investidores podem criar novas parcerias.

O futuro do crescimento na África Oriental dependerá diretamente de com quem você se associa, do nível de compreensão sobre o ecossistema local e da rapidez com que consegue se adaptar às mudanças do mercado.

Parcerias vão definir a próxima fase de crescimento da África Oriental

Os setores de gaming e fintech na África Oriental estão entrando em uma nova fase de crescimento, impulsionada pela adoção digital, pela inovação localizada e por uma colaboração cada vez maior entre os diferentes agentes do ecossistema. Como explica Christine Akoyo, o sucesso na região dependerá menos de simplesmente entrar no mercado e mais da capacidade de construir parcerias estratégicas que conectem reguladores, operadores, investidores e provedores de tecnologia.

As oportunidades continuam crescendo em áreas como pagamentos, RegTech e infraestrutura cross-border. Empresas capazes de se adaptar rapidamente e compreender as dinâmicas locais estarão mais bem posicionadas para alcançar crescimento sustentável no longo prazo.

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