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Funcionários da Fuji TV admitem vício em apostas enquanto Japão reforça regras

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Fuji Television Network Inc., uma das emissoras mais conhecidas do Japão, está no centro de um escândalo de grandes proporções depois que um ex-gerente de planejamento admitiu ter jogado repetidamente em cassinos online — prática ilegal no país e que evidencia a linha dura do governo japonês contra apostas não autorizadas.

Segundo a acusação, Yoshitaka Suzuki, de 44 anos, que atuava no departamento de produção de programas de variedades da emissora, compareceu ao Tribunal Distrital de Tóquio em 16 de setembro e confessou ter apostado por vários anos. Investigações indicam que ele começou a frequentar plataformas de cassinos online por volta de 2020, supostamente incentivado por um colega sênior.

Entre setembro de 2024 e maio de 2025, Suzuki realizou 145 apostas em apenas oito meses, a maioria em mesas de bacará. O valor movimentado teria chegado a JPY 600 milhões (cerca de US$ 4,09 milhões). Com as perdas crescendo, Suzuki recorreu a empréstimos que somaram entre JPY 20 milhões e JPY 30 milhões (US$ 136,5 mil a US$ 204,7 mil), obtidos com amigos e financeiras de crédito ao consumo. Além disso, recebeu JPY 8 milhões (US$ 54,6 mil) em dois empréstimos feitos por uma figura descrita apenas como “celebridade e médico”.

Depoimento em tribunal

Em sua confissão, Suzuki afirmou ser viciado em jogos. “Toda vez que eu perdia, pensava em parar. Mas também pensava quanto tempo levaria para pagar minhas dívidas com um trabalho comum. Acreditava que poderia quitar tudo de uma vez se tivesse uma grande vitória,” declarou. Ele acrescentou que, no início, não sabia que cassinos online eram ilegais no Japão e acreditava poder parar quando quisesse. No entanto, as perdas o levaram a um ciclo de desespero crescente.

O caso também respingou em outros funcionários da emissora. Em julho, um apresentador de 27 anos da Fuji TV foi multado em JPY 100 mil (US$ 680) por apostas online. Promotores revelaram que Suzuki o havia enganado, dizendo que cassinos online não deixariam registro criminal. Em fevereiro de 2025, Suzuki chegou a afirmar à empresa que havia parado de jogar, o que depois se provou falso.

Investigações atingem mais autoridades

O escândalo não se limita à Fuji TV. Na província de Kanagawa, um policial admitiu ter feito cerca de 500 apostas online, incluindo 120 durante o expediente. Inicialmente punido com corte salarial, ele acabou pedindo exoneração. O agente disse ter acreditado que as apostas seriam uma forma fácil de ganhar dinheiro — caso que reforça a política rígida do Japão em punir não apenas operadores, mas também jogadores envolvidos em sites ilegais.

As investigações ocorrem em meio a uma ofensiva mais ampla do governo japonês contra o jogo online. Em junho de 2025, as autoridades solicitaram que oito jurisdições — Canadá, Costa Rica, Geórgia, Malta, Anjouan, Curaçao, Ilha de Man e Gibraltar — bloqueassem o acesso de usuários japoneses a plataformas licenciadas. Para o governo, apenas medidas domésticas não são suficientes, já que milhões de japoneses continuam apostando em sites sediados no exterior.

Governo avalia medidas mais duras

Os números mostram a dimensão do problema. Apenas em apostas esportivas offshore, usuários japoneses movimentaram JPY 6,45 trilhões (cerca de €42 bilhões) em 2024. Pesquisas estimam que 3,37 milhões de pessoas já utilizaram cassinos online no exterior ao menos uma vez, sendo que 1,97 milhão permanecem ativas, apostando juntas cerca de JPY 1,24 trilhão (€8 bilhões) por ano. Quase 60% dos usuários relatam sintomas de dependência em jogos, muitos deles recorrendo a empréstimos para continuar apostando. 

O veredito de Suzuki está previsto para 25 de setembro de 2025. O Ministério Público pede pena de um ano de prisão, enquanto a defesa solicita uma sentença suspensa. Para especialistas jurídicos, o caso pode abrir caminho para leis ainda mais duras contra jogos online, mesmo em um momento em que o Japão se prepara para inaugurar uma nova era com cassinos presenciais integrados.

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