O Japão apresentou um pedido formal a oito governos estrangeiros para que bloqueiem o acesso de seus cidadãos a cassinos online, em uma ampla ofensiva contra o jogo ilegal transfronteiriço. Segundo informações, em junho de 2025, Tóquio solicitou oficialmente que Canadá, Costa Rica, Geórgia, Malta, Anjouan (parte das Ilhas Comores), Curaçao, Ilha de Man e Gibraltar — todos reconhecidos internacionalmente como importantes polos de jogos online — restrinjam o acesso de usuários japoneses às plataformas licenciadas em suas jurisdições. Ainda não está confirmado se alguma medida foi adotada.
Embora o Japão já proíba apostas online com operadores estrangeiros, milhões de cidadãos continuam acessando sites de apostas e cassinos no exterior. As autoridades argumentam que medidas internas não são suficientes sem a cooperação de reguladores internacionais.
Mercado paralelo bilionário
Dados oficiais revelam a dimensão do problema. Um estudo conduzido pelo Council for Sports Ecosystem Promotion, organização sem fins lucrativos sediada em Tóquio, apontou que apenas as apostas esportivas offshore feitas por japoneses movimentaram JPY 6,45 trilhões (€42 bilhões) em 2024, confirmando a existência de um vasto mercado paralelo fora da estrutura legal do país.
A Agência Nacional de Polícia do Japão estima que cerca de 3,37 milhões de cidadãos já acessaram cassinos online estrangeiros pelo menos uma vez, sendo que 1,97 milhão ainda é usuário ativo. Juntos, esses jogadores movimentam aproximadamente JPY 1,24 trilhão (€8 bilhões) por ano. Em média, cada usuário gasta em torno de JPY 630 mil (€4.050) anualmente nessas plataformas.
Cerca de 3,5% da população entre 15 e 79 anos já experimentou cassinos online, enquanto 2% são usuários frequentes. Embora 56% a 60% da população saiba que a prática é ilegal, aproximadamente 40% dos jogadores não têm consciência de que estão infringindo a lei.
Outro dado preocupante: quase 60% dos usuários afirmam ter desenvolvido problemas de vício em jogo. Muitos também admitiram ter recorrido a empréstimos de financeiras, amigos ou parentes para continuar apostando. Em 2024, a polícia identificou 279 pessoas envolvidas em operações ou uso de cassinos online, o dobro do número de 2023 — embora as autoridades reconheçam que esse número representa apenas uma fração do total de usuários.
O desafio do uso de VPNs
Diante desse cenário, o parlamento japonês aprovou leis mais rígidas contra o jogo online, após escândalos envolvendo atletas e celebridades. A pressão pública e política aumentou, levando o governo a buscar ações internacionais visíveis. Tóquio apresentou sua iniciativa como um esforço para estender a aplicação da lei “além das fronteiras” e conter uma atividade considerada ilegal e socialmente nociva.
Mas os obstáculos são significativos. Identificar jogadores japoneses é tecnicamente complexo, já que muitos utilizam VPNs e contas falsas. Além disso, as jurisdições-alvo podem alegar que não possuem base legal para atender ao pedido do Japão, ou que isso representa uma violação de sua soberania.
Mesmo em caso de bloqueio de sites, operadores podem simplesmente migrar servidores ou adotar artifícios para contornar restrições — transformando a fiscalização em um verdadeiro jogo de gato e rato. Por isso, Tóquio busca apoio direto de governos estrangeiros para implementar ações concretas.



