O GAMSTOP, serviço gratuito de autoexclusão do Reino Unido, registrou um aumento significativo nas adesões em 2025, com crescimento de 19% em relação ao ano anterior. Mais de 10 mil pessoas se inscreveram em abril e maio, estabelecendo os maiores números mensais desde o lançamento da plataforma. Esse salto coincide com uma importante mudança na liderança: Chris Pond assumirá a presidência da organização em setembro, substituindo Jenny Watson CBE.
Dez mil registros mensais e uma nova liderança representam mais do que estatísticas. Esses marcos indicam uma transformação silenciosa na forma como o Reino Unido lida com os danos relacionados ao jogo – uma mudança revelada com mais clareza nos dados regionais de autoexclusão recém-divulgados.
Nova liderança com foco financeiro
Chris Pond é uma figura reconhecida nos setores de serviços financeiros e políticas públicas. Atualmente, preside o Painel de Consumidores de Serviços Financeiros da Autoridade de Conduta Financeira (FCA) e o Conselho Consultivo Money and Mental Health. Ele também já liderou duas instituições de caridade nacionais e foi ministro do governo britânico.
Watson deixa um legado sólido após guiar o GAMSTOP desde seus primeiros anos operacionais, contribuindo para que a plataforma superasse a marca de meio milhão de usuários até o fim de 2024.
Quase 54 mil novos usuários em apenas seis meses
Entre janeiro e junho de 2025, cerca de 54 mil pessoas se inscreveram no GAMSTOP – um aumento expressivo em relação aos 45.400 registrados no mesmo período de 2024. Os meses de abril (10.281 registros) e maio (10.344) marcaram os maiores números mensais desde a criação do serviço em 2018, que já contabiliza quase 600 mil usuários.
Para muitos, o GAMSTOP é a primeira linha de defesa. A plataforma permite que consumidores bloqueiem o acesso a sites de apostas online licenciados no Reino Unido por períodos que variam de seis meses a cinco anos.
Crescimento expressivo entre jovens
Um dos dados mais marcantes do relatório de 2025 é o aumento das autoexclusões entre jovens de 16 a 24 anos – uma alta de 44% em comparação com o primeiro semestre de 2024. Esse grupo agora representa uma parcela significativa dos novos registros.
Quase quatro em cada dez jovens optaram pelo bloqueio de seis meses – o que pode sinalizar uma mudança no propósito da autoexclusão. Em vez de uma decisão desesperada, muitos parecem estar usando o serviço como uma pausa estratégica. Para essa nova geração, a autoexclusão não é um adeus definitivo, mas um momento de recomeço.
Dados regionais revelam desigualdades
Pela primeira vez, o GAMSTOP divulgou dados regionais. Hull lidera com a maior taxa de autoexclusão do país – 1,5% da população adulta –, seguida por Teesside e Sunderland (1,4%), além de Doncaster e Blackpool.
Essas são regiões marcadas por dificuldades econômicas, poucas opções de lazer e ruas comerciais dominadas por casas de apostas. Como mostram estudos anteriores, áreas em situação de vulnerabilidade econômica tendem a ter menos acesso a suporte e maior exposição a jogos de alto risco.
Segundo análise publicada pela SiGMA News com base no relatório anual do GAMSTOP, a plataforma está se tornando o apoio procurado antes da queda. Os dados mais recentes indicam que um número crescente de usuários está buscando ajuda de forma preventiva.
Desafios no horizonte
O aumento nas adesões é um reflexo de dois movimentos simultâneos: o alcance crescente do serviço e a responsabilidade proporcional de acompanhar essa demanda. O grupo GAMSTOP hoje opera três frentes principais: a própria plataforma, o MOSES (autoexclusão em casas de apostas físicas) e o GamProtect (compartilhamento seguro de dados entre operadores).
Mas os desafios permanecem: o esquema conseguirá lidar com o avanço das apostas em criptomoedas e de sites não licenciados? Será possível integrar melhor o serviço a bloqueios bancários e ferramentas de controle dentro dos próprios aplicativos de jogos?
Se continuar nesse ritmo, o GAMSTOP poderá ultrapassar os 700 mil usuários até meados de 2026 – o que exigirá mais investimentos em infraestrutura, pesquisa e interoperabilidade.
2025: o ano em que o sistema começou a falar?
A nomeação de Chris Pond e o recorde de registros revelam mais do que mudanças administrativas. São reflexos de uma mudança no comportamento do público, de uma nova consciência digital e da consolidação da autoexclusão como uma prática proativa.
Como já apontado pela SiGMA News ao analisar o crescimento da autoexclusão entre jovens, o desafio agora é garantir que ferramentas como o GAMSTOP continuem relevantes, eficazes e confiáveis para todas as gerações de apostadores.
Os recordes do GAMSTOP caíram. Mas algo ainda mais profundo também mudou – longe das manchetes, na vida das pessoas por trás delas. O ano que vem não traz conforto. Traz um alerta.



