A House Bill 1052, aprovada em Indiana, já é lei e passa a mirar diretamente plataformas online de cassinos baseadas em jogos de prêmios (sweepstakes). A medida representa mais um movimento em nível estadual contra os modelos de jogos com múltiplas moedas virtuais. O governador Mike Braun sancionou a legislação, que estabelece penalidades para operadores que ofereçam determinados jogos desse tipo a residentes do estado.
A nova lei entra em vigor em 1º de julho de 2026 e define as plataformas de sweepstakes como jogos online que reproduzem produtos típicos de cassino ou loteria e utilizam sistemas de moedas duplas ou múltiplas, que podem ser convertidas em prêmios ou equivalentes em dinheiro.
Essas plataformas, porém, têm explorado uma brecha legal. Em vez de apostar dinheiro diretamente, utilizam moedas virtuais — geralmente chamadas de “gold coins” e “sweepstakes coins” — que posteriormente podem ser trocadas por prêmios ou valores em dinheiro.
Mesmo assim, esse modelo se popularizou rapidamente em todo o país, sobretudo em estados onde cassinos online ainda não são legalizados. As empresas lucram com a venda de moedas virtuais, publicidade e parcerias com afiliados. Analistas estimam que o mercado de cassinos sweepstakes movimenta centenas de milhões de dólares por ano, com crescimento acelerado apontado pela KPMG.
Com a nova legislação, Indiana busca fechar essa lacuna regulatória. A partir de agora, a Indiana Gaming Commission terá autoridade para aplicar multas civis de até US$ 100 mil contra operadores que, de forma consciente, ofereçam esse tipo de atividade.
Tramitação legislativa e oposição
Em nível federal, não existe uma regulamentação unificada sobre o tema. A legalidade dessas plataformas costuma depender da interpretação das leis de sweepstakes. Ainda assim, os estados vêm adotando posturas cada vez mais restritivas.
Em Indiana, o projeto foi aprovado pela Câmara em 2 de fevereiro, com 87 votos a favor e 11 contra. Depois, passou pelo Senado em 17 de fevereiro, com 37 votos favoráveis e 8 contrários, antes de seguir para a sanção do governador. Apesar da aprovação, a medida enfrentou resistência da Social Gaming Leadership Alliance, que pediu aos legisladores que regulamentassem o chamado modelo “social-plus” de jogos, em vez de proibi-lo totalmente.
Com a nova lei, Indiana se junta a Connecticut e Montana na proibição de cassinos sweepstakes. Outros estados também avançam com propostas semelhantes.
No Tennessee, o Senate Bill 2136 trata o sweepstakes gaming como uma questão de proteção ao consumidor. Ao enquadrar essas atividades na Tennessee Consumer Protection Act, violações podem ser classificadas como práticas comerciais desleais ou enganosas. O projeto agora segue para a Câmara estadual, onde uma proposta complementar (HB 1885) aguarda análise.
Já em Oklahoma, o Senate Bill 1589 adota uma abordagem mais rígida, com foco criminal. A proposta atualiza a legislação sobre jogos para incluir jogos online que simulam cassinos. O texto também amplia o alcance das punições para empresas que prestem serviços a operadores de sweepstakes — incluindo provedores de geolocalização, fornecedores de jogos, empresas de hospedagem de plataformas, promotores e afiliados de mídia.
Caso aprovadas, as violações podem resultar em crime classificado como felony C2, com multas entre US$ 500 e US$ 2 mil, além da possibilidade de pena de prisão. O projeto segue agora para a Câmara estadual, onde uma proposta relacionada já recebeu aprovação formal de dois comitês.

O panorama mais amplo
A decisão recente de Indiana reflete um movimento crescente nos Estados Unidos para restringir plataformas de jogos com moedas virtuais múltiplas. Defensores do modelo, porém, argumentam que a regulamentação seria mais adequada do que a proibição, destacando que muitos usuários se interessam justamente pelo formato “free-to-play”, sem apostas diretas em dinheiro.
Ainda assim, legisladores vêm enquadrando cada vez mais os cassinos sweepstakes como potenciais riscos ao consumidor — ou até mesmo como operações ilegais. Reguladores estaduais apontam preocupações relacionadas a possível engano ao consumidor, riscos de dependência em jogos e ausência de supervisão adequada, segundo diversos relatos da imprensa.
Fora dos Estados Unidos, países como o United Kingdom e a Australia permitem jogos de cassino social, mas sob monitoramento rigoroso, especialmente devido às ligações com problemas de dependência em jogos.
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