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CEO da Kalshi confirma conversas sobre IPO, mas descarta listagem em 2026

Neha Soni
Escrito por Neha Soni
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A plataforma de mercados de previsão Kalshi está avaliando a possibilidade de abrir capital no futuro, após um ano de forte crescimento que elevou sua avaliação de mercado de US$ 2 bilhões para US$ 22 bilhões.

Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, o CEO da Kalshi, Tarek Mansour, confirmou que já existem discussões em andamento sobre uma potencial abertura de capital (IPO). No entanto, ele destacou que essa movimentação não acontecerá em 2026. A declaração surge em um momento em que a empresa segue atraindo atenção de investidores, reguladores e instituições de Wall Street interessadas no setor de prediction markets, que cresce rapidamente.

Discussões de IPO acompanham forte valorização da Kalshi

O interesse em um possível IPO da Kalshi aumentou significativamente no último ano, à medida que a avaliação da empresa disparou em ritmo acelerado. No fim de junho de 2025, a companhia era avaliada em US$ 2 bilhões. Menos de um ano depois, uma rodada Série F anunciada em maio de 2026 elevou esse número para US$ 22 bilhões, posicionando a Kalshi entre as empresas mais valiosas do segmento de mercados de previsão.

Embora Mansour tenha evitado comentar um cronograma específico, o executivo deixou claro que uma abertura de capital não está nos planos para o próximo ano. A expansão rápida da empresa reflete o crescente interesse por prediction markets, que permitem aos usuários negociar contratos vinculados ao resultado de eventos do mundo real — como eleições, indicadores econômicos, competições esportivas e acontecimentos geopolíticos.

Proteção contra insider trading segue como prioridade

Apesar do aumento do interesse de investidores, questões relacionadas à integridade do mercado continuam sendo um dos principais desafios do setor. Críticos levantam preocupações sobre a possibilidade de indivíduos com acesso a informações privilegiadas obterem vantagem ao negociar contratos ligados a eventos políticos, corporativos ou outros temas sensíveis.

Mansour reconheceu essas preocupações, mas afirmou que a Kalshi tem investido fortemente em sistemas para proteger a integridade de seus mercados. “É um problema difícil, mas não impossível”, disse durante a entrevista.

Ele destacou o reforço das exigências de Know Your Customer (KYC) e de processos adicionais de verificação, voltados a identificar traders cujas funções profissionais possam dar acesso a informações privilegiadas.

Novo framework de monitoramento reforça supervisão

As declarações mais recentes da Kalshi vêm após a implementação de um novo sistema de detecção de insider trading anunciado no início deste mês. Pelo programa, cada mercado é analisado antes do lançamento e recebe uma pontuação de risco. Entre os fatores avaliados estão a possibilidade de manipulação de mercado, acesso a informações não públicas, riscos regulatórios e implicações de segurança nacional.

Em mercados classificados como de maior risco, alguns usuários podem ser obrigados a informar detalhes sobre seus empregadores antes de participar. As mudanças seguem uma série de ações de fiscalização envolvendo indivíduos acusados de negociar com base em informações indisponíveis ao público em geral. Em alguns casos, os envolvidos eram candidatos políticos ou pessoas diretamente conectadas aos resultados negociados.

De acordo com a Kalshi, a empresa realizou mais de 150 investigações apenas no primeiro trimestre de 2026. Além disso, bloqueou mais de 100 negociações potencialmente problemáticas antes que fossem executadas.

Regulação dos mercados de previsão segue em expansão

Os planos de IPO da Kalshi acontecem em um momento em que reguladores ao redor do mundo estão intensificando o escrutínio sobre os prediction markets. Embora o setor continue em expansão, autoridades regulatórias debatem cada vez mais se contratos baseados em eventos devem ser tratados da mesma forma que produtos de apostas tradicionais.

Recentemente, a Kalshi deixou o mercado da Índia após mudanças na regulamentação de jogos online do país, que aumentaram a incerteza jurídica para plataformas de prediction markets.

Na Europa, reguladores também apertaram o cerco ao setor. Autoridades de diversos países argumentam que contratos baseados em eventos futuros se assemelham a produtos de apostas convencionais e, portanto, deveriam seguir regras semelhantes.

Nos Estados Unidos, a opinião pública também permanece dividida. Pesquisas recentes indicam que os americanos se sentem mais confortáveis com prediction markets ligados a esportes e entretenimento do que com aqueles associados a eleições e eventos políticos.

Apesar dos desafios regulatórios, as expectativas de crescimento de longo prazo seguem elevadas. O banco de investimentos Bernstein projeta que o volume anual negociado em prediction markets pode chegar a US$ 1 trilhão até 2030, à medida que a adoção se expande para além de política e esportes.

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