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Jogo responsável deve liderar avanço do iGaming na África, diz especialista

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O jogo responsável precisa deixar de ser apenas tema de debate e avançar para a implementação prática à medida que o mercado de iGaming na África acelera, segundo o CEO da African iGaming Alliance (AiA), Peter Emolemo Kesitilwe.

Em entrevista exclusiva durante a SiGMA Africa, realizada na Cidade do Cabo, Kesitilwe destacou que proteger os jogadores ao mesmo tempo em que se estimula a inovação dependerá de um entendimento mais profundo dos mercados, da cooperação entre países e de uma transição para uma regulação baseada em dados. “O jogo responsável é uma questão global, inclusive na África”, afirmou. “Mas a África é bastante particular; não existe uma solução única que sirva para todos.”

Os comentários estão alinhados com as conclusões do Relatório de Mercado da SiGMA Africa, que indica que, embora os mercados regulamentados representem cerca de 90% do engajamento e até 85% da receita, as diferenças entre jurisdições continuam significativas.

Setor precisa priorizar análise baseada em dados

Kesitilwe argumenta que as ferramentas atuais de jogo responsável não estão entregando os resultados esperados, principalmente por não estarem fundamentadas em dados suficientes sobre o comportamento dos jogadores.

“Falamos de operadores, reguladores e formuladores de políticas, mas raramente trazemos os jogadores para a conversa”, disse o CEO da AiA. “Precisamos pesquisar o que realmente causa o problema do jogo compulsivo na África.”

Em todo o continente, operadores e reguladores implementaram medidas como limites de depósito, verificação de idade e processos de KYC. No entanto, segundo Kesitilwe, essas ações podem ser insuficientes sem uma compreensão mais aprofundada das motivações e hábitos dos usuários.

De acordo com o Relatório de Mercado da SiGMA Africa 2026, altos níveis de engajamento nem sempre se traduzem em receitas sustentáveis ou em práticas de jogo seguras na região.

Cooperação entre reguladores ganha destaque

Kesitilwe rejeita a ideia de uma harmonização completa das regras de iGaming no continente e defende, em vez disso, maior cooperação entre os países. “Em vez de harmonizar a África, devemos desenvolver modelos de cooperação”, afirmou. “Não é possível uniformizar todo o continente.”

Ele citou sua experiência como regulador em Botsuana, onde a colaboração com autoridades da Nigéria, Quênia, África do Sul e Uganda ajudou a construir estruturas regulatórias mais eficazes.

“Se o Quênia tem o melhor modelo de jogo responsável, podemos aprender com isso”, disse. “Precisamos cooperar.”

(Fonte: SiGMA World/YouTube)

População jovem impulsiona o crescimento

O perfil demográfico e tecnológico da África vem acelerando a adoção do iGaming, aumentando a urgência de medidas de jogo responsável. “A África é um continente mobile-first”, afirmou Kesitilwe. “A idade média é de 21,3 anos — temos uma população muito jovem.”

O Relatório de Mercado da SiGMA Africa destaca que mercados da África Oriental, como Quênia e Tanzânia, se beneficiam de ecossistemas robustos de pagamentos móveis, o que sustenta níveis consistentes de engajamento e geração de receita. Ao mesmo tempo, o alto engajamento em países como a Etiópia indica forte demanda, mesmo na ausência de estruturas regulatórias consolidadas.

Perspectivas dependem de cooperação e adaptação local

“Tudo o que precisamos é de cooperação”, afirmou Kesitilwe. “Precisamos garantir que estruturas de licenciamento e medidas de jogo responsável estejam alinhadas por meio da colaboração.”

O relatório projeta que, enquanto mercados mais maduros, como África do Sul e Nigéria, continuarão liderando o crescimento, mercados emergentes podem redesenhar o cenário à medida que a regulamentação avança.

Kesitilwe enfatizou que o sucesso dependerá do reconhecimento das particularidades locais e também destacou o papel das entidades do setor. “Iniciativas como a African iGaming Alliance surgem no momento certo para promover cooperação e enfrentar os mercados ilegais”, acrescentou.

No fim das contas, o jogo responsável permanece no centro dessa evolução. “Precisamos focar no consumidor, no jogador”, concluiu. “É assim que vamos acertar.”

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