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Kalshi expande operações globais após captar US$ 300 milhões e alcançar valor de mercado de US$ 5 bilhões

Jillian Dingwall
Escrito por Jillian Dingwall
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Kalshi levantou US$ 300 milhões em uma rodada Série D liderada pela Sequoia Capital e pela Andreessen Horowitz (a16z), avaliando a plataforma de mercados de previsão em cerca de US$ 5 bilhões — mais que o dobro do valor estimado há apenas quatro meses. Entre os investidores participantes estão Paradigm, CapitalG, Coinbase Ventures, General Catalyst e Spark Capital.

A captação marca o maior movimento da Kalshi até agora: sua expansão para fora dos Estados Unidos. A empresa passou a operar em mais de 140 países, autodenominando-se “o único mercado global de previsões unificado do mundo”. Pela primeira vez, usuários de fora dos EUA podem acessar o site e negociar nos mesmos mercados que os norte-americanos, sem qualquer alteração no produto.

Expansão com limites

A plataforma, porém, ainda não está disponível em 38 jurisdições, incluindo Reino Unido, Canadá, França e Austrália. Já Irlanda e Nova Zelândia estão entre os novos mercados, o que sugere um foco em países com regras regulatórias mais claras ou previsíveis.

De outsider a protagonista

O crescimento da Kalshi no último ano tem sido impressionante. Segundo dados da empresa, a plataforma ultrapassou US$ 1 bilhão em volume de negociações mensais, elevando o total anualizado para mais de US$ 50 bilhões — contra aproximadamente US$ 300 milhões há um ano.

Dados do Dune Analytics mostram que, entre 11 e 17 de setembro, a Kalshi movimentou mais de US$ 500 milhões em negociações semanais, com média de US$ 189 milhões em posições abertas. A ascensão da empresa — de startup de nicho a líder do setor — redefiniu o mercado de previsões em tempo recorde.

Uma aposta na regulamentação

O sócio da Sequoia, Alfred Lin, afirmou que os fundadores da Kalshi, Tarek e Luana, se destacaram desde o início pela convicção: “Eles construíram uma empresa que define uma nova categoria e representa o futuro de como os mercados democratizam a informação.”

Já Alex Immerman, da a16z, ressaltou que a Kalshi optou por um caminho mais difícil — e mais inteligente — ao buscar aprovação da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) desde o começo. Essa decisão, segundo ele, criou a base necessária para uma expansão sustentável em larga escala.

O status regulado da Kalshi agora se mostra uma vantagem importante, especialmente num momento em que os mercados de previsão estão sob crescente escrutínio global. Ainda persiste o debate sobre se essas plataformas devem ser tratadas como bolsas de apostas ou instrumentos financeiros. As recentes discussões envolvendo disputas legais da Kalshi com os reguladores de Nevada mostram o quão tênue é essa linha.

Confiança dos investidores em alta

A nova rodada de investimentos acontece logo após o acordo de US$ 2 bilhões da Polymarket com a Intercontinental Exchange (ICE), que avaliou a rival em US$ 9 bilhões. As duas captações ocorreram com poucas semanas de diferença e, juntas, atraíram a atenção do setor financeiro tradicional.

A discussão agora já não é se os mercados de previsão têm futuro, mas com que rapidez eles vão evoluir. Para a Kalshi, o momento é oportuno: a decisão inicial de operar sob supervisão federal pode garantir uma expansão internacional mais fluida.

Desafios pela frente

Ainda assim, a Kalshi enfrenta obstáculos regulatórios. Em setembro, autoridades de Massachusetts acusaram a empresa de operar uma casa de apostas ilegal, alegando que ela contornou as regras de licenciamento estadual e de proteção ao consumidor. Com outros estados cogitando ações semelhantes, a equipe jurídica da Kalshi tem trabalho pela frente.

Paralelamente, a empresa segue aprimorando seu produto. Uma parceria firmada em 2024 com o Susquehanna International Group (SIG) reforçou a liquidez da plataforma, enquanto o acordo com a STATSCORE trouxe dados esportivos em tempo real, abrindo caminho para contratos de eventos mais dinâmicos.

Um novo tipo de mercado

Com US$ 300 milhões em novos investimentos e presença em mais de 140 países, a Kalshi quer transformar o comércio de eventos em um conceito popular. A lógica é simples: se as pessoas já negociam ações de empresas, por que não negociar os resultados dos acontecimentos que moldam essas histórias? De política a esportes, esses mercados exploram temas do cotidiano — transformando opiniões e expectativas em métricas mensuráveis e, para alguns, lucrativas.

A nova rodada de financiamento e a expansão global da Kalshi mostram como os mercados de previsão estão amadurecendo rapidamente. O que começou como uma experiência de nicho em previsões financeiras agora desponta como um novo segmento dentro do universo de investimentos. Seja em eleições, indicadores econômicos ou eventos globais, a Kalshi está construindo a infraestrutura para um tipo inédito de mercado — um que negocia não o que já aconteceu, mas o que ainda pode acontecer.

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