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Kalshi expande para o exterior e firma parceria com XP para entrar no Brasil

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Kalshi deu seu primeiro passo fora dos Estados Unidos ao lançar sua plataforma de mercados de previsão no Brasil por meio de uma parceria com a corretora XP International.

Anunciada na segunda-feira, a iniciativa marca tanto a estreia internacional da Kalshi quanto a introdução do primeiro mercado de previsão no Brasil. Pelo acordo, clientes da marca Clear Corretora, pertencente à XP e voltada a investidores com contas internacionais, poderão acessar os contratos da Kalshi e negociar com base em eventos do mundo real.

Foco inicial em eventos financeiros e econômicos

A Kalshi pretende concentrar inicialmente suas operações em resultados financeiros e econômicos. Nos Estados Unidos, a plataforma também oferece contratos ligados a esportes e entretenimento, o que indica potencial para uma expansão mais ampla desses mercados no Brasil no futuro.

A cofundadora Luana Lopes Lara, brasileira de origem, já havia demonstrado interesse em entrar no mercado brasileiro desde dezembro de 2025. Ela classificou a parceria com a XP como um marco importante: “Ao firmar parceria com uma das principais instituições financeiras do Brasil, damos um passo importante para ampliar o acesso global a mercados justos, seguros e regulamentados”, afirmou a executiva à imprensa.

Nascida no Brasil, Lara tem destacado que a expansão para seu país de origem era uma prioridade estratégica. Segundo ela, a missão da Kalshi é transformar os mercados de previsão em um instrumento financeiro amplamente utilizado no mundo, e não apenas em um produto de nicho. O Brasil representa o primeiro passo dessa estratégia de internacionalização.

Contexto regulatório

O lançamento ocorre poucas semanas após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizar a operadora da bolsa brasileira B3 a se tornar a primeira operadora licenciada de mercados de previsão no país. Em operação desde janeiro de 2025, a B3 é considerada a principal concorrente da Kalshi. Embora a bolsa brasileira estivesse prevista para lançar sua plataforma até o fim de março, a Kalshi acabou se antecipando ao cronograma.

Atualmente, o Brasil ainda não possui um marco regulatório específico para mercados de previsão. Em contrapartida, operadores licenciados de apostas de quota fixa enfrentam exigências rigorosas, incluindo sede local, cumprimento de políticas de Know Your Customer (KYC), certificações técnicas, taxa de licença de R$ 30 milhões (cerca de US$ 5,8 milhões) e obrigações tributárias significativas.

Por se tratar de uma nova classe de ativos, os mercados de previsão ainda enfrentam desafios relacionados à liquidez e à educação do investidor, especialmente quando comparados a instrumentos tradicionais como ações ou títulos de renda fixa.

Dinâmica competitiva

Com a aprovação formal recente da CVM, a B3 passa a contar com legitimidade regulatória para operar no setor. Já a Kalshi está utilizando a infraestrutura de corretagem da XP para atuar mesmo diante da ausência de diretrizes claras para esse tipo de mercado. Por meio da XP International, a Kalshi consegue oferecer acesso imediato a investidores de varejo com contas internacionais, enquanto a B3 pode se apoiar em sua ampla base de investidores domésticos.

Ao entrar em operação antes da concorrente, a Kalshi obtém uma vantagem de pioneirismo. Ainda assim, a aprovação regulatória da B3 pode torná-la mais atraente para investidores institucionais mais avessos ao risco. Como bolsa oficial do país, a B3 tem potencial para dominar o segmento quando os mercados de previsão forem formalmente regulamentados — especialmente se a CVM ampliar sua supervisão.

Mesmo sem serem concorrentes diretos no momento, ambas as empresas enfrentam regimes de licenciamento rigorosos, o que evidencia os obstáculos regulatórios que os mercados de previsão ainda precisam superar.

Interesse crescente dos investidores

O interesse de investidores brasileiros por mercados de previsão vem crescendo rapidamente, impulsionado pela entrada da Kalshi no país. Esses contratos oferecem exposição a eventos econômicos do mundo real, como inflação, taxas de juros e crescimento do PIB, funcionando como uma alternativa aos investimentos tradicionais em ações ou títulos.

Muitos investidores enxergam os mercados de previsão como uma forma de proteger portfólios contra riscos macroeconômicos. Além disso, a regulamentação da Kalshi nos Estados Unidos pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) reforça a percepção de segurança e transparência entre investidores brasileiros. Somada ao alcance da XP — uma das maiores corretoras do país —, a empresa agora passa a ter acesso a milhões de investidores de varejo no Brasil.

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